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João Thibes

João Thibes / Os vasos utilizados pela arquiteta Cristianne Gehlen foram escolhidos pela transparência e vivacidade das cores Os vasos utilizados pela arquiteta Cristianne Gehlen foram escolhidos pela transparência e vivacidade das cores
Design

Murano, a arte em vidro

Com base em uma técnica artesanal italiana, o vidro é moldado por meio de sopro e movimentos manuais que resultam em peças com cores e design exclusivo

Publicado em 21/09/2008 |
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Utilizadas com grande destaque no design de interiores, as peças de murano valorizam o ambiente e podem ser colocadas nos mais diferentes espaços, independentemente do estilo da decoração. Por serem de fabricação artesanal, são peças únicas, com design e cores exclusivos, que chamam a atenção e dão um toque de requinte, seja em uma residência ou em um espaço de recepção comercial.

Para o coordenador do curso de Design de Interiores da Universidade Positivo, José Marcos Novak, o murano é um clássico e por isso há facilidade em combinar a peça com qualquer estilo de decoração e em qualquer espaço. “Não precisa necessariamente combinar com os outros elementos do ambiente”. Ele ressalta que o murano tem um uso único e na decoração a peça é utilizada como uma verdadeira obra de arte. O próprio design já é pensado para essa função. “O murano tem um valor tão singular que dispensa qualquer complemento. A última coisa que se pensa é em colocar uma flor em um vaso de murano ou se um lustre vai iluminar bem. Eles estão ali para serem vistos, independentemente de sua função primária.”

Estúdio Fotográfico Still Maker/Carlos Roberto da Silva

Estúdio Fotográfico Still Maker/Carlos Roberto da Silva / Centro de mesa da Cristais di Murano, com detalhe em flor de cristal com aplicação de ouro 24 quilates Ampliar imagem

Centro de mesa da Cristais di Murano, com detalhe em flor de cristal com aplicação de ouro 24 quilates

Técnica

Como é feito

O processo de fundição até a finalização do produto pode levar até três dias, dependendo do grau de complexidade da peça. Primeiramente, as matérias-primas sólidas, como a areia de quartzo e o chumbo, entre outros, utilizados na produção do vidro de murano, são colocadas em um forno aquecido a quase 1.500 graus centígrados, e se transformam em uma espécie de massa incandescente.

Depois, é retirada por uma ferramenta chamada “cana” de assopro, a qual colhe a bola de vidro no forno. A massa resfria em um forno, que reduz a temperatura gradualmente, até que possa então ser trabalhada pelo vidreiro, estágio em que estará em torno de 1.250 graus.

O tempo médio para fundir a peça e dar a forma que se quer é de 20 a 40 minutos, podendo passar de uma hora, dependendo dos detalhes do design. Por fim, a peça passa pela lapidação, que dura entre três e quatro horas.

Fontes: Antonio Carlos Molinari e Marcos Paulo Cavalli

A escolha da peça, do estilo e das cores varia conforme o gosto e o perfil de cada pessoa. A designer de interiores Fabiane Brandalise dá preferência para o uso de tonalidades que dêem destaque ao ambiente. “Gosto de combinar as peças de murano com os tons dos detalhes da decoração. Se uma sala é composta por tons neutros e tem um quadro colorido, é possível optar por até três peças de cores diferentes, que combinem com esses tons, criando uma harmonia com a decoração.”

Os muranos têm como principais características as cores vivas, mescladas e os vidros grossos. Para a arquiteta Cristianne Gehlen, que utiliza cores com freqüência em seus projetos, as peças de murano facilitam seu trabalho. Na sala de recepção de uma clínica, por exemplo, ela utilizou peças azuis e em um outro consultório, vasos verdes, escolhidos pela transparência para compor esses ambientes. “A utilização de tons adequados pode amenizar o estado de estresse das pessoas submetidas a tratamentos. Além disso, a cor estabelece o equilíbrio da mente”, explica.

Para quem não quer arriscar em tons mais ousados, a aposta é nas cores neutras, como o branco, o preto e os transparentes. São essas cores que têm mais saída nas peças de murano da loja de decoração Ton Sur Ton, em Curitiba. A proprietária Sonia Elias diz que há dois anos a loja registrou aumento na procura por artigos de murano. Peças grandes, mais altas e vistosas, com detalhes que valorizam o design estão entre as preferidas, entre elas os vasos, fruteiras, castiçais e lamparinas. Os preços variam conforme o tamanho, modelo e detalhe das peças, mas Sonia diz que a partir de R$ 300 já é possível encontrar um exemplar para a decoração.

Processo de produção

A fabricação de artigos em vidro ou cristal de murano, como também é conhecido, não sofreu grandes intervenções tecnológicas ao longo dos anos. Consolidado na cidade de Veneza, na Itália, mais especificamente na ilha de Murano, no século 12, o trabalho em vidro murano consiste em uma técnica totalmente artesanal. A peça é esculpida por profissionais que são verdadeiros artistas e que utilizam apenas habilidades manuais e o sopro, que dá a forma inicial ao produto.

Em alguns casos também são usadas outras ferramentas, como pinças e tesouras, que auxiliam no acabamento de cada peça. E o que ocorreu, com o passar do tempo, foi uma evolução em formas, desenhos, cores e nos procedimentos de produção. Nesse quesito, o Brasil conseguiu imprimir o seu estilo na arte de produzir artigos em vidro de murano, o que tem feito com que as peças façam cada vez mais sucesso por aqui e também fora do país.

O gerente da fábrica Cristais Di Murano, localizada na cidade de Blumenau, em Santa Catarina, Marcos Paulo Cavalli, afirma que as características do estilo brasileiro incorporados no design da arte de murano contam muito e ajudam a valorizar as peças. “O que vale é a criatividade, o conhecimento da história do murano e a prática. É muito mais uma tradição de família que tecnologia”, comenta Cavalli, que tem descendência italiana.

Ele cita como tendência o estilo mais clássico do murano, em formas e cores que remetem à década de 1950, época em que a técnica veio para o Brasil. São peças mais rebuscadas e com mais detalhes. Quanto às tonalidades, Cavalli destaca o rosa, o verde esmeralda, o azul turquesa e os tons que lembram o perolizado, com efeito furta-cor. Entre as cores consideradas coringas, estão o âmbar, preto, vermelho e transparente. “São cores neutras que combinam com qualquer decoração e não saem de linha.”

Pioneiros no Brasil

Os irmãos Antonio Carlos e Paulo Molinari foram os primeiros brasileiros a desenvolver aqui no país a milenar técnica italiana do vidro murano. Tudo começou em 1958 com a vinda ao Brasil do mestre vidreiro italiano Aldo Bonora e sua esposa Maria Bonora. Residindo em Poços de Caldas (MG), o italiano utilizou a estrutura de uma fábrica de vidro desativada para começar a produzir as peças de murano.

Quando Antonio tinha 11 anos e Paulo 8 anos começaram a ter contato com essa técnica de produção. Desde cedo, demonstraram ter habilidade para o manejo do vidro e se destacaram pela sensibilidade e criatividade na criação das peças. Foi assim que alguns anos depois decidiram montar uma empresa. A Molinari Design nasceu da fundação da Cristais São Marcos, em 1962. A empresa reproduz o vidro murano em peças exclusivas, que vão desde pesos de mesa a lamparinas.

O pequeno espaço de trabalho inicial se transformou em uma fábrica com área total de mais de 18 mil metros quadrados, gerando mais de 200 empregos. A produção inicial que era de 250 quilos diários chegou a mais de 8 mil toneladas de vidro.

Os fornos e demais equipamentos da fábrica foram construídos pelos Molinari, sem o auxílio de engenheiros, com base apenas na experiência adquirida pelos irmãos ao longo dos anos.

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