Sábado, 31/07/2010
Pedro Serápio/ Gazeta do Povo
A premiada cadeira “Lapa” (Oré Brasil), do curitibano Paulo Foggiato
Focadas no alto padrão, indústrias convidam grandes nomes para assinar linhas e buscam produtos-conceito para atrair o público. Os profissionais agradecem o reconhecimento, mas temem a banalização do design
Publicado em 16/08/2009 | Daliane Nogueira, enviada especial*O regulamento da feira proíbe a exibição de cópias, com a justificativa de privilegiar a criação dos designeres brasileiros. A jornalista Maria Helena Estrada, crítica de design e coordenadora de curadoria da Casa Brasil, explica que dessa forma se começa a incluir no pensamento dos fabricantes nacionais o valor do design. “Inovação tem de gerar lucro. Design é business e só vende quando é bom.”
Fotos: Pedro Serápio/ Gazeta do Povo
Ampliar imagem
Irmãos Adriano: relação lúdica com o design é um caminho para a criatividade
A preferência por produtos de originalidade ímpar fez com que os organizadores da Casa Brasil convidassem a italiana Magis para ser a única empresa estrangeira a expor seus produtos. Eugênio Perazza, criador da empresa, ficou famoso por fabricar produtos exclusivos dos maiores nomes do design internacional.
O foco no alto padrão é outra característica da Casa Brasil, assim fábricas que não trabalhavam nesse segmento, aproveitaram a feira para o lançamento de novas linhas e marcas. Esse foi o caso da tradicional fábrica gaúcha Pomzan que fez a pré-estreia da marca Adesso. “O principal diferencial será oferecer um produto mais robusto e com a possibilidade de personalização dos projetos”, afirma Carlos Antônio Reali, diretor de marketing da empresa. A intenção é começar a comercialização no Sul e Sudeste em 2010.
Trabalhando há anos com o alto padrão, a SCA também lançou nova marca, a Collezione, com conceito europeu. A marca contratou o renomado estúdio italiano Decoma Design, para projetar móveis que integram eletrodomésticos e móveis, excluindo completamente os puxadores. “Os eletros ficam escondidos para deixar o ambiente limpo, valorizando o design dos móveis. Além disso, apostamos na textura da superfície e na elegância e funcionalidade interna”, diz a italiana Luisa Morganti, uma das arquitetas responsáveis pelo desenho da linha.
O design italiano também está presente em dois novos produtos da Evviva Bertolini. A cama “A!letto” e a mesa “A!tavola” assinadas pelos irmãos Davide e Grabriele Adriano, de Turim. “Trabalhamos com a possibilidade de interação com o usuário, para tornar lúdica a relação com o design”, explicou Gabriele.
A fabricante gaúcha Finger apostou em referências nacionais e incluiu na nova linha o padrão Labirinto, desenhado por Marcelo Rosenbaum. O resgate visual da renda, característica no nordeste do Brasil, permeia os ambientes projetados pela marca.
Paranaenses
A Simonetto, com fábrica em Ampere (PR), investiu em uma linha que ganhou o sobrenome “Design”. Os modulados têm acabamentos em laca autobrilho e mais robustez.
Outra paranaense a lançar nova coleção na Casa Brasil foi a Marel, de Francisco Beltrão. Padrões de demolição, concreto envelhecido e de tecido, além de iluminação interna nos móveis, são as tendências. A participação na feira faz parte do reposicionamento para o alto padrão. “Eventos como esse atraem arquitetos, que normalmente respondem por projetos do público que pretendemos atingir”, comenta Leandro Boinger, engenheiro de produto da marca. O diretor de marketing da Marel, Eloy Luiz Scheuer, contabiliza os resultados de negócios da feira. “Serão pelo menos quatro novas lojas no Brasil. Sendo uma delas em Curitiba”, diz.
Elementos naturais
A tônica verde esteve presente nos lançamentos de algumas marcas. A Todeschini mostrou móveis com curvas que imitam o movimento das ondas. A catarinense Oré Brasil apresentou a recém-criada e já premiada cadeira Lapa, assinada pelo designer curitibano Paulo Foggiato, que também é sócio da empresa. A fábrica trabalha com peças em bambu, exaltando a cultura e os recursos naturais brasileiros.
Para o designer, a aproximação efetiva entre os profissionais de criação e as indústrias se dará na medida em que os empresários deixarem de enxergar os designers como um prejuízo. “É preciso encarar o design como investimento”, resume.
Combatendo o banal
O design pelo design e a quase obrigação de oferecer um produto-conceito com formas arrojadas e inovadoras pode levar à banalização. É o que pensam vários especialistas que passaram pela Casa Brasil.
A crítica de design italiana Cristina Morozzi, curadora de mostras internacionais, como a Coin Casa, exposição envolvendo jovens criadores, defendeu a inovação como obrigatoriedade, desde que haja uma utilidade. “Não podemos colocar o design em um pedestal. Ele precisa ser feito com o foco na função. Sempre haverá algo novo a inventar, mas é importante que não se vulgarize a expressão design para que não se torne banal.”
Guto Índio da Costa passou pela Casa Brasil para um workshop e defendeu o design instigante, inovador, viável industrialmente e com custo competitivo.
Muitos expositores demonstraram isso durante a feira. Marcas conhecidas como Ovo Design e Triptyque mostraram o talento e a execução impecável do designer José Marton para a produção de seus móveis. “A função do designer é pensar, pensar e pensar para depois fazer. Isso é um investimento. Os objetos que crio têm o foco nos recursos sustentáveis e no preço acessível”, afirmou Marton.”
Já a gaúcha Schuster lançou a primeira edição da coleção Design do Autor, com curadoria de Sérgio Rodrigues. A diretora de arte da marca, Mila Rodrigues, explica que está enraizado na empresa o trabalho focado no design exclusivo. “Nessa linha, apostamos na diversidade de traços e para isso convidamos seis escritórios de design diferentes.”
*A repórter viajou a convite da organização da Casa Brasil
"Busão do Brasil" renova lixo da TV brasileira
ATUALIZADOhá 1h
ATUALIZADOhá 3h
Os melhores preços estão aqui, clique e compare!
Powered by: Buscapé