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Uma árvore no meio da obra

Preservação de espécies nativas exige estudo e até adequação dos projetos de empreendimentos imobiliários

Vegetação preservada pode ser determinante na venda de unidades imobiliárias | André Rodrigues/Gazeta do Povo
Vegetação preservada pode ser determinante na venda de unidades imobiliárias (Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo)
Ireni Ferreira aproveita o deck em frente ao escritório para momentos de interação com a natureza |

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Ireni Ferreira aproveita o deck em frente ao escritório para momentos de interação com a natureza

A existência de árvores e outras plantas no jardim é sempre bem vista pelos proprietários dos imóveis. Na construção civil, entretanto, a conservação da flora nativa envolve questões que vão além do paisagismo e que podem interferir no projeto arquitetônico do imóvel. Isso porque a manutenção, corte ou replante das espécies para a melhor utilização do terreno depende de liberações expedidas pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA).

Preservação

O edifício comercial Infi­­nity Prime Offices, da cons­­­­­­­trutora Cyrela, é um exem­­plo de como a manutenção da vegetação pode agregar valor ao empreendimento. Localizado no Cabral, o terreno escolhido para o prédio contava com um bosque e duas araucárias, que foram considerados na elaboração do projeto.

"Uma praça central foi construída entre as três torres, destacando uma das araucárias e fazendo dela um espaço de convivência", conta a gerente de incorporação da Cyrela, Silvia Fernandes Soares.

Proprietária de uma das salas do Infinity há um ano, a empresária Ireni Ferreira diz que a vegetação local foi decisiva na compra. Tanto que, quando mudou, ela mandou abrir as janelas – antes lacradas – para poder sentir a brisa, o cheiro da chuva e ouvir o canto dos pássaros. "Minha sala tem um deck de frente para o bosque. Nele, a equipe pode relaxar, fazer reuniões e ter contato com esses estímulos naturais que aguçam a criatividade. É como se estivéssemos num oásis urbano", avalia.

Questões técnicas

Incorporar as plantas ao dia a dia do empreendimento é apenas um dos desafios no desenvolvimento do projeto. Limites de afastamento das torres e a utilização dos espaços de subsolo, para que as raízes não sofram danos, também influenciam as decisões.

"A arquitetura nunca tem a intenção de retirar a cobertura vegetal do terreno. Mas, de acordo com a posição geográfica da árvore, ela acaba inviabilizando o lote", esclarece o arquiteto José Vicente Lopes, do escritório Dória Lopes Fiuza. Por isso, ele orienta que o futuro proprietário visite o terreno e busque informações sobre sua vegetação para que não seja surpreendido.

Quando autorizada pela SMMA, uma solução para o melhor aproveitamento do lote é a retirada da árvore por profissionais capacitados e seu replante em outro lugar. "Fizemos isso com a palmeira de um empreendimento comercial no Batel. Foi uma alternativa para explorar a árvore isolada, que humanizou o espaço", conta o arquiteto.

Butiazeiro paralisa obra para readequação de projeto na RMC

Um pé de butiá foi o motivo para a paralisação de uma grande construção que a Araruama Engenharia realiza na Região Metropolitana de Curitiba para uma empresa do ramo automotivo. Localizada no meio do terreno, a árvore gerou comoção entre os funcionários da empresa que, acostumados com a sombra e os frutos da antiga companheira, não queriam sua retirada.

A solução encontrada foi manter a árvore, mas em outro ponto do lote. "Contratamos uma empresa especializada para retirar o pé de butiás e replantá-lo em outro local. Essa foi a terceira vez que transplantamos um butiazeiro em obras. Acredito que as pessoas tenham um carinho especial por essa espécie", conta Dennis Kutassy, engenheiro civil e sócio da Araruama. Desde então, a obra segue sem atrasos e o butiazeiro frondoso em sua nova morada.

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