Detalhe de um IBM Model M.

Blogs estão com os dias contados? Velho debate, mesma resposta

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4/2/15, 13h06 8 min 39 comentários

Eu não acompanhava, mas conhecia a fama do The Dish, blog político do Andrew Sullivan. Essa fama era especialmente inspiradora para mim porque ele conseguiu, há uns dois anos, abandonar o portal onde estava hospedado e se lançar em uma jornada independente, sustentado por 30 mil (!) leitores que viabilizaram um pequeno negócio com faturamento anual de US$ 1 milhão. Apesar disso, semana passada Sullivan anunciou o fim da empreitada depois de 15 anos na ativa. Essa notícia serviu de gasolina para reacender um velho debate: os blogs estão mortos?

Ao justificar o fim do The Dish, Sullivan alegou cansaço, estafa, problemas de saúde e o anseio por um ritmo mais lento:

Eu quero ler de novo, devagar, com cuidado. (…) Quero ter uma ideia e deixá-la ganhar forma em vez de publicá-la imediatamente no blog.

Todos perfeitamente compreensíveis, nenhum diretamente ligado ao blog em si. Os problemas estavam na pessoa por trás dele. A sacada, aqui, é que as duas coisas são indissociáveis, como escreveu John Gruber, outro (perdão pelo termo, que detesto) blogueiro americano:

Blog não é um trabalho difícil no mesmo sentido que [trabalhar em] minas de carvão, mas é, acima de tudo, algo que demanda entusiasmo. Não existe outra forma de continuar — blogs acabam quando seus autores perdem o entusiasmo. Para muita gente, ele parece acabar em alguns meses, talvez alguns anos. Para Sullivan, levou uma década e meia. Um bom lembrete de que nada é eterno.

Hoje, com uma rede social para cada coisa que no início se achava apenas em blogs, o discurso de que eles estão condenados é mais fácil (e tentador) de ser proferido. Fotos vão para o Instagram, textões têm encontrado cada vez mais espaço para ressoar no Facebook, a distribuição de links, que um dos criadores do conceito de blog disse ser a função original do meio, se dá pelo Twitter. O Medium quer, de alguma forma, ser o espaço de fato para textos longos que caracterizam blogs como o Manual do Usuário.

Parece mesmo o apocalipse, mas não é por um motivo: o blog é meu. Se escrevo no Twitter, Facebook ou Medium, o conteúdo fica com o Twitter, o Facebook e o Medium e está sujeito a quem manda lá. E as coisas podem mudar bruscamente nesses locais — basta ver o Twitter, que está virando um monstro disforme ante a necessidade de gerar lucro para agradar seus investidores, ou a rasteira que o Facebook deu no alcance orgânico das páginas. A propriedade do meio, embora não pareça, manda muito e interfere ativamente na produção do conteúdo, na forma de lidar com ele e até na percepção que os leitores têm do que você escreve. Eu não quero depender do Google, do Facebook, de ninguém.

A blogosfera brasileira em 2015

Quase que paralelamente à discussão norte-americana (ou, talvez, motivada por ela), a Bia Granja publicou no Youpix um questionamento: O que aconteceu com a blogosfera brasileira? Para ela, o YouTube a engoliu. Essa conclusão me é difícil de entender. É como dizer que Gabriel García Márquez ou Machado de Assis foram fracassados porque só escreveram livros, e que Uma Educação, roteirizado por Nick Hornby, é melhor que seus livros, como Um Grande GarotoAlta Fidelidade — o que, ainda que aquele seja um bom filme, não é verdade.

São mídias diferentes. Laranjas e maçãs.

O argumento dela ainda bate de frente com o que escrevi acima, sobre a melhor adequação de determinados formatos de conteúdo em certos espaços (redes sociais). Em outras palavras, quero dizer que quem publica vídeos no YouTube poderia, mas não necessariamente teria um blog e vice-versa. São duas atividades distintas que, em alguns casos, caem numa interseção — como um diagrama de Venn com uma área comum bem pequena.

Diagrama de Venn sobre blogs e YouTube.

Eu, por exemplo, nunca considerei largar o teclado, ligar a câmera e fazer um videolog. Até entendo a euforia com vídeo; lá fora toda publicação moderninha, da Vice à Vox Media, está investindo pesado nisso. Só que não é uma regra, e nem mesmo uma tendência entre blogs. Nenhum blog (BLOG mesmo, como comento mais abaixo) americano estabelecido, por exemplo, mudou a estratégia e passou a gravar vídeos em vez de publicar textos.

Um passo atrás: o que é um blog?

Ao questionar a ~blogosfera brasileira, essa dita entidade fragilmente unida por uma ferramenta interna invisível aos leitores, é difícil ignorar uma questão mais ampla: o que é um blog? Ficando na área de tecnologia, que é a que cubro aqui, será que é certo chamarmos Tecnoblog, Gizmodo e MacMagazine de blogs? Os próprios responderam:

Com o perdão dos que discordam, para mim esses três não são blogs. Tomo emprestadas as palavras de Ben Thompson, que também mantém um blog (genuíno) nos EUA, para explicar:

Um grande problema com toda essa discussão é que não existe uma definição amplamente aceita sobre o que um blog é, em parte graças à ascensão de sites como o TechCrunch que funcionam no WordPress e apresentam posts em ordem cronológica inversa e, assim, pelo menos no início, foram chamados de “blogs”; acrescente aí os canais de RP levemente disfarçados de “blogs corporativos” e é fácil ficar confuso.

Para ficar claro, quando eu falo de “blog” estou me referindo a um site regularmente atualizado que é mantido e operado por um indivíduo (sim, existe o “blog coletivo”, mas ele também tem um corpo de autores bem definido). E ali, naquela definição, está o motivo por que, apesar do grande desmantelamento [em redes sociais], o blog não morreu e não morrerá: ele é a única ferramenta de comunicação, em contraste a todos os outros serviços [de mídias] sociais, que é propriedade do autor; assim, dizer que alguém acompanha um blog é dizer que alguém acompanha uma pessoa.

Thompson continua a elaboração do seu argumento tratando de blogs profissionais, ou seja, aqueles que são o ganha-pão do autor. O texto como um todo é mais uma resposta ao de Ezra Klein, da Vox, que colocou todos os outros blogs na mesma cova do The Dish porque BUSINESS. Nessa parte ele diferencia com precisão cirúrgica blogs de sites-que-parecem-blogs-mas-não-são:

E aqui está o pulo do gato: o lado bom do meu modelo de negócios é que o Stratechery [site dele] tem todas as coisas que Klein alega terem sido perdidas:

  • Uma presunção de que meus leitores (especialmente meus assinantes) leem tudo o que eu escrevo.
  • Uma voz única.
  • Lealdade.

Isto vale para o Manual do Usuário. Para quantos outros “blogs” brasileiros o mesmo se aplica? Para mim, e novamente focando na área de tecnologia e entre os que acompanho, a apenas três outros: Pinguins Móveis, do César Cardoso, ZTOP, do Henrique Martin e do Nagano, e o novo blog do Pedro Burgos no Yahoo. (Você conhece algum outro? Diga aí nos comentários.)

Veja: eu leio e adoro os “blogs” nacionais de tecnologia, mas eles não conversam, não têm vozes ativas em todo texto publicado — embora, pelo estilo, alguns autores sejam facilmente reconhecíveis. Neles há edição, uma pauta a seguir, compromissos editoriais dos mais diversos; existe mais gente por trás cuidando do negócio. Se o Paulo (Tecnoblog) ou o Felipe (Gizmodo) quiserem, sei lá, escrever alguma coisa sobre esse assunto, “blogs estão mortos”, eles precisarão aprovar a pauta, debater internamente com alguém e terem, a princípio, uma postura mais jornalística na história, exceto se o texto sair como um editorial ou coluna — as reservas opinativas do jornalismo tradicional.

Blogs não estão morrendo, nem morrerão. Esse papo é antigo e a cada vez que ele retorna à agenda, com supostos novos e definitivos argumentos, chega-se sempre a essa mesma conclusão. Se alguém duvida da longevidade do formato, os blogs de moda, que a Bia estranhamente descarta em seu texto no Youpix (por quê?), são uma prova incontestável de que ele ainda tem força quando há interesse de quem escreve e de quem lê. O próprio Manual do Usuário, apesar de tratar de um tema mais rarefeito e de ter um faturamento incontáveis vezes menor que o de qualquer blog de moda mais ou menos (não é fácil), funciona.

Os blogs estão mais escassos, isso é fato. Aqui com mais força do que lá, nos EUA, ainda que seja uma situação fiel ao histórico dos dois cenários — sempre fomos mais receosos em trocar links, em ter voz ativa, em abraçar a causa. De qualquer forma, esse encolhimento geral é lamentável. A pluralidade de vozes individuais e não editadas, longe do caos do Facebook e da claustrofobia do Twitter, é muito importante. O meio mudou muito desde o auge do blog, há uns dez anos, mas eles continuam por aí e não irão a lugar algum tão cedo. A gente se adapta e a vida segue.

Foto do topo: Jeff Jackowski/Flickr.

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  • Chicão

    No meu ponto de vista:
    blog: amador.
    site: profissional.

    *quando falo amador, não me refiro a qualidade, mas sim a questão da rentabilidade.

    • Essa diferenciação é meio rasa, @chicojose93:disqus. O próprio The Dish, que cito no início do texto, faturava só com doações dos leitores US$ 1 milhão por ano. E era, sempre foi, um blog — tanto que o anúncio do seu fim suscitou todo esse debate sobre o estado dos blogs hoje.

      • Chicão

        Sim. Não discordo que seja superficial.
        É que levo em conta o que acontece na fotografia. Lá, um equipamento é considerado profissional se ele gera dinheiro pra vc. Da mesma forma, vc é considerado profissional se vc ganha dinheiro com fotografia.

  • Pedro Ivo Maximino

    Comecei o Mente Sem Fio há um ano e meio, quando os vlogs já tinham explodido em popularidade. Quando comecei, não foram poucas as pessoas que me perguntaram “por que não faz um canal no YouTube?” ou “faz vídeo de gameplay!”. Fica a impressão que as pessoas não querem mesmo ler – assistir a vídeos é muito mais fácil, aparentemente.

    Eu, que passei boa parte dos últimos 10 anos lendo textos na internet, me sinto quase como um peixe fora d’água. No momento em que decido produzir conteúdo textual, a “atenção” vai toda para o audiovisual.

    Mas deixei tudo isso pra lá e segui em frente. Adoro escrever, e por isso mesmo estou cursando Jornalismo (último ano!). E se depender de pessoas como você e o Pedro Burgos, a internet não vai ficar carente de bom conteúdo em texto tão cedo.

  • thiagones80

    Lembrei das rádios, que vão morrer desde a invenção da TV, depois da Internet, depois do PodCast. Talvez o golpe de misericórdia do rádio seja o carro autônomo (deusmelivre) e ainda assim acho que algum nicho vai sobrar.

    Blogs vão pelo mesmo caminho…. Tem a explosão demográfica, depois o declínio mas não vão morrer. Vão estabilizar em algum patamar e seguem a vida. Temos essa mania chata de criar a vida e morte para as coisas….inexplicável.

    E minha nota : eu não consumo vídeos. Não troco leitura por nenhum cara tagarelando no YouTube (e nem no podcast, que alias acho um saco… É como ouvir uma conversa de bar na mesa ao lado sem poder opinar… Prefiro colunas na rádio, que duram pouco). Ler é silencioso, atrativo, gostoso. Será que sou apenas eu? Duvido. Enquanto pessoas ainda gostarem de ler e procurarem um toque pessoal que agrada, blogs (ou o quiserem chamar) não vão morrer

    • Juan Lourenço

      Aliás, ainda que com posts em intervalos cada vez maiores haha, o 2Centavos é um blog típico e coletivo. Fazemos por prazer, com opinião e sem depender de ninguém.

      O eco4planet, apesar de individual, já cambaleia nesse muro. Exige uma linha bem formal, menos direta, porque são assuntos delicados e com radicais (de verdade) entre leitores e odiadores dos temas tratados.

      • thiagones80

        É aquela responsabilidade que todos tem quando o publico é complicado. Transmitir a opinião – doa a quem doer – mas fazendo a opinião entrar de ladinho nos mais radicais.

    • Rafael Machado de Souza

      o rádio vai ficar firme e forte por muitos anos ainda…, só por que a gente nao usa nao quer dizer que nao seja usado. fico apavorado da quantidade de lugar que ouve rádio durante o expediente. (aqui fica na rádio UPF ou na Putzgrila).
      “som” para mim é música. tambem detesto rádio e podcasts. videos no youtube? só se forem interessantes. nao tenho tempo para bobageira.

      • thiagones80

        hahaha mas eu abro excessão pra rádios. Gosto de rádios de noticias, tipo BandNewsFM que são mais dinâmicas…e ótimas pra escutar no carro… em 30 minutos vc já está sabendo de coisas principais… tem bons colunistas com trechos curtos sobre algum assunto. Dirigindo vc não pode ler, então o rádio se torna um ótimo companheiro.

        O rádio tbm é um meio simples, que pode ser acessado por qualquer dispositivo comprado num camelô e basicamente todo carro tem.

        Fora a utilidade publica inigualável em apagões elétricos, problemas climáticos, trânsito… Em dias extremos combino o Waze com a rádio trânsito e tudo dá certo.

    • Ed

      Concordo sobre o podcast: acho uma chatice imensa.
      Youtube? Não acompanho um canal sequer. Quando quero ver algo específico, procuro pelo tema ou vejo pelo link postado.

      Nada supera a universalidade de um bom conteúdo em forma de texto, com as imagens ilustrativas que forem relevantes. Posso ler no computador, tablet, eReader ou celular. Posso começar, pausar, continuar e terminar a hora que quiser, sem nenhuma dificuldade. Não preciso baixar um mp3 nem esperar o início do carregamento do streaming, ou seja, posso ler tranquilamente mesmo quando estou no 3G. Não preciso de fone de ouvido ou autofalante, o que libera meus ouvidos para ouvir música ou simplesmente ficar em silêncio. Conteúdos em áudio e vídeo estão longe de oferecerem essa flexibilidade.

      • fromRiften

        Sinceramente, podcast só é uma chatice pra quem não sabe procurar um conteúdo que lhe interesse. Queria ver você lendo enquanto corre ou sai pra fazer uma caminhada. Ou como você faz pra ler em pé no meio de ônibus lotado. Cada meio é melhor em alguma coisa. Basta aprender o momento certo de utilizar cada um.

        • Ed

          Já ouvi alguns podcasts, todos sobre assuntos que eu gosto (principalmente tecnologia), então não é como se eu não soubesse procurar conteúdo interessante :-).

          Essas situações que você mencionou realmente inviabilizam a leitura, você tem razão, mas são também situações em que eu não iria ler/ouvir de qualquer maneira, seja por estar mais concentrado na atividade em si e querer no máximo deixar alguma música tocando (no caso das atividades físicas), ou pelo ambiente incômodo que prejudica minha capacidade cognitiva naquele momento (no caso de transporte coletivo lotado).

          Sobre cada canal ser melhor em determinada situação, concordo. Tudo que eu falo em qualquer comentário se refere a mim, à minha opinião, à minha experiência — ressaltar isso toda vez seria enfadonho. Tendo isso em consideração, conteúdo textual com imagens ilustrativas é muito mais universal que conteúdo em áudio. A gama de situações em que ele é o meio mais adequado é bem maior. Não tenho a pretensão de convencer ninguém disso, apenas de expor meu ponto de vista onde julgar pertinente.

          Abraços.

  • Filipe Machado

    Penso um pouco parecido também.

    Apesar da gente não viver disso, no vNext (vnext.com.br plim plim) nós temos uma linha editorial (que mudou recentemente) direta: publicar o que a gente acha que importa sobre o mundo Microsoft. E o editor chefe não aprova uma pauta. Tanto que na semana do evento do Windows 10 lançamos 3 editoriais, dois com duras críticas e um mais entusiasmado.

    Ok, é um público bem mais de nicho como o blog do Burgos e o Mdu, que abrange tecnologia em geral. Mas a gente segue a mesma linha de tentar levantar discussões e comentários, mais que estatísticas no Analytics.

    Acho que talvez seja isso o lance de blog, um pouco mais de comunidade de pessoas, coisa que em sites e portais é um pouco mais difícil, principalmente pela quantidade de gente envolvida.

    • Hebert aka HBT

      O que mais chama atenção nos blogs é que o público se sente mais próximo de vocês, sempre que tenho uma dúvida entro em contato com o Tecnoblog, VNext, MacMagazine, Windows Team e até mesmo o Ghedin e o Burgos, todos me deram atenção na medida do possível, coisa que não vejo acontecer em grandes portais por exemplo.
      Seja no Twitter do blog o no próprio blog, sempre procuram nos ajudar.
      Pra mim a blogosfera é como se fosse uma grande família onde um procura ajudar o outro.

      • Filipe Machado

        Pois é, isso que é bacana.

        Talvez até pra definir que (alguns) blogs são o novo fórum. Se antes a galera se reunia no fórum de tecnologia lá do uol, hoje essa mesma galera já se encontra nos comentários do blog do TB, MdU, vNext, Mac Magazine e seja lá qual for a área de interesse.

        E outro ponto, boa parte desses blogs tem um podcast. Isso é algo que deixa a gente muito mais próximo do leitor. E é uma mídia que eu acho irada! ;D

        • Também acho o podcast uma mídia muito interessante, aliás foi através do primeiro NextCast que conheci o Nerdcast.

          • Filipe Machado

            Caraca, que bizarro ahhahaha

  • Henrique Martin

    caso pessoal aqui. criei o blog dentro de portal, vendi pra uma empresa, não deu certo (a empresa, não o meu site), peguei de volta. hoje mantenho o ZTOP porque é um canal para me expressar – com leitores, com amigos, com mercado. Já pensei em fechar? sim, e meus amigos sempre disseram que era besteira. O caminho do Ghedin no Manual é uma boa ideia: internet lenta, analítica, profunda. E deixa os copy-paste da vida pra lá (já que a maioria dos sites grandes hoje de tech no Brasil meio que parasita forte os sites gringos ainda). Fica a pergunta: vale o pageview pelo pageview?

    • Rafael Machado de Souza

      apesar do conteudo do Manual e do Ztop serem mais esporádicos eles possuem maior qualidade.

      • Sim, mas a gente ainda quer notícia de gente especializada, por isso acho que tem espaço para tudo. Da para acompanhar o Tecnoblog e o Gizmodo e ainda assim continuar lendo o Manual do Usuário e o ZTOP. Na verdade acho bom que hajam propostas diferentes dessa forma.

        • Rafael Machado de Souza

          mas é exatamente isso que eu faço.! hehehe
          só no caso do Gizmodo é decepcionante, pois são raras as materias boas. Geralmente é alguma bobagem copiada de algum outro site.

          • Então, Gizmodo é mais informativo, geralmente leio o título e uns pedaços da matéria apenas. E as matérias mais trabalhadas a grande maioria é do Gizmodo americano e acabo lendo lá alguns dias antes. Tecnoblog e a mesma coisa, acabo lendo mais os título e faço uma leitura super dinâmica. Há alguns textos que tu lê com mais atenção, mas são poucos.

  • lufreitas

    Ghedin, querido. Obrigada pelo texto quase acadêmico e ao mesmo tempo legível. Deusa te pague.
    Me chama a atenção que a gente tem ótimos conteúdos, acadêmicos e de nossos pares produzindo teoria sobre a nossa prática e seguimos “viralateando” e caçando definições em “grandes blogs” lá de fora. Só pra citar alguém que (acho) que você conhece, Carol Terra, Poly Ferrari, HD (Hernani Dimantas) Drica Guzzi. Há muito conhecimento sobre rede, blogs e relações aqui no BR, ninguém precisa ir caçar lá fora.
    Outra coisa que me pinicou e estou colocando na conta do tal Mercúrio retrógrado: eu escrevi também e não ganhei link muito menos citação – mas vc fez questão de me comunicar do seu texto lá no Twitter.
    E daí decorre a nossa grande falha coletiva: de criar bolhas, viver em bolhas, sonegar informação e outros horizontes pros leitores, segue a mesma.
    [Claro que também achei um tanto machista da sua parte, já que vc só cita homem, só lê homem, só fala com homem… coloca da minha conta do mercúrio fora de rumo, ok?]

  • Duvido muito que morra, justamente pelo canal que se abre com do autor com o leitor nos comentários. Muitos supostos blogs de tecnologia no Brasil tem esse problema, a interação do autor nos comentários é nula (e, muitas vezes, quando ocorre é estúpida e imbecil).

    Blog também é algo que te traz algo além da notícia que se vê em portais, que te dá uma visão por outro ângulo, que te entrega mais do que especificações vazias do mais novo smartphone ou uma listagem de características novas do novo sistema operacional.

  • como blogueiro há mais de 5 anos, várias vezes tentado a parar, achei o post bem interessante @Ghedin.

    ano passado quase desisti do blog, mas dei uma forçada e mantive as publicações utilizando fontes de terceiros (creditadas), eqto produzia um mínimo de conteúdo próprio até decidir o que fazer.

    enfim, o ano passado o blog que vinha numa descendente, inverteu a curva e cresceu, atingiu a marca acumulada de 1 milhão de visualizações e está, desde então, crescendo a cada mês.

    agora estou pensando em uma forma de tentar rentabilizar, já que tenho apenas por hobby e, como todo blog hospedado, tem custos de hospedagem, domínio, etc.

    abs, e parabéns pelo post e pelo blog.

  • Luis Henrique

    As pessoas adoram anunciar ou prenunciar a morte das mídias. Pelo que eu vejo, os blogs vão muito bem, sim senhor. Se considerar os nichos então, vai descobrir que há mais conteúdo que que público para assumir (tomando como exemplo blogs de animação e quadrinhos e cultura japonesa). Às vezes as pessoas tem o mal costume de generalizar situações específicas que só refletem o seu meio.

  • Doufer

    Belíssimo artigo!

    Lembrei-me da época do falecido BlogBlogs em que cheguei a ficar em 11 posição de blogs. E até da Maratona Blogando24h…

  • Resumo da minha opinião a respeito de meta-discussões sobre a dita blogosfera:

  • Ótima reflexão, a nomenclatura blog realmente não é muito consistente. Se considerarmos que, para cada assunto abordado a dinâmica muda, é difícil definir onde acaba e onde começa um “jornal” e onde termina o “blog”.

    Lido com os blogs de tecnologia como jornais mesmo, espero que todas as novidades possivelmente relevantes sejam abordadas por eles. Eventualmente, algum texto mais reflexivo e opinativo, assemelhando-se a um jornal mesmo: há o trabalho do dia-a-dia e, em menor escala, editoriais e matérias especiais. Para o MdU e ZTOP, eu espero a proporção inversa, ou seja, algumas notícias eventualmente mas muito mais textos como opiniões e matérias especiais.

    Além dessas diferenças de abordagem, tem os temas dentro de tecnologia. Por exemplo, o MdU é uma questão mais humana e social da tecnologia, abordagem que tomou importância com a internet e dispositivos móveis. É uma linha naturalmente blogueira, diferente de analisar lançamentos de startups e gadgets. Indo para o outro extremo, sites como o Anandtech e Clube do Hardware, que nem devem se denominar blogs e sim siter, também têm uma perspectiva mais de blog pelo caráter de nicho escovador de bits.

  • Lis

    Talvez estejam escassos blogs que se tornem – ou tenham potencial de ser – “famosos” ou de certos nichos como TI ou viagem, mas por experiência eu digo: a cada dia uma ou duas meninas criam um blog. Elas serão grandes influenciadores? Talvez não, mas estão aí produzindo conteúdo e gerando (sendo também) audiência.

    Acho que a diferença do crescimento absurdo dos blogs de moda foi a tal rede, rede que troca audiência entre blogueiras com intercâmbio de conteúdos, de imagem, de “colaboração”, ainda que seja apenas por $$.

    A blogosfera de “casta/ faturamento inferior ou nulo” não faz isso, disputa, exclui, zoa o amiguinho iniciante no lugar de ensinar. Acabamos fazendo chacota daquilo que nós mesmos já fomos.

    Eu blogo pelo gosto de escrever, não pelo ganho, mas tô aqui desde 2005 na ativa, com altos e baixos, não sei como a Bia Granja não vê que os pequenos existem e estão ativos? SIM!

  • Marcelo Ferrari

    Ghedin me responda, por gentileza. No seu diagrama de Venn existe uma interseção onde alguns blogueiros migraram para o YouTube. Não consigo lembrar de nenhum que conseguiu sucesso, que possua um canal com 100k de inscritos. Somente consigo lembrar do Jovem Nerd, porém hoje eles não possuem um blog e sim um site. Conhece algum?

    • Ilo Navarro

      O Kid conseguiu (hoje é um bom dia). Izzi Nobre (kid) tem um canal com boas visualizações e o blog dele.

      • Marcelo Ferrari

        É verdade, não lembrava desses dois. Assim como o Jovem Nerd, o Felipe Neto e o Izzy começaram com os blogs e migraram para o YouTube. Porém pra mim ainda é um exercício difícil encontrar exemplos de sucesso para essa migração. Acredito que a garotada prefere criar um canal no YouTube ao invés de criar um blog. Não conheço nenhum blog de alguém de 15 anos, mas canais no YouTube existem milhões, para o público masculino e feminino. Obrigado por responderem.

    • Felipe Neto.

  • Realmente esse é um tema velho que de vez em quando volta à tona. Pra mim, blog é basicamente tudo o que eu acompanhava no Google Reader e hoje acompanho no Feedly =)

    É lógico que vários portais e outros formatos de mídia terminam entrando no bolo, mas pra mim a diferença entre blogs e “sites” está justamente na forma com que as pessoas consomem o seu conteúdo.

    Acho que entra naquela história do “fim das home pages”, que o Burgos já comentou em alguns artigos. Eu não costumo acessar sites/blogs diretamente pela home, e sim acompanhar os conteúdos pelo feed ou encontrá-los em pesquisas do Google.

    Na minha opinião, os blogs pessoais estão sim perdendo espaço. As pessoas estão preferindo falar de si por meio de vlogs e outras redes sociais. Só para citar alguns que eram fantásticos e hoje em dia quase não são atualizados: Querido Leitor (Rosana Hermann), Já matei por menos (Juliana Cunha), Pensar Enlouquece (Inagaki), entre outros.

    Ainda assim, há vários blogs que eu sigo e leio todos os textos, tais como:
    – Update or Die (grupo fixo de colunistas, o meu preferido é o fundador, Wagner Brenner);
    – Batida Salve Todos (parece ser “de moda”, mas o conteúdo é variado e as crônicas são ótimas);
    – Listas de 10 (listas inusitadas de filmes, tipo “10 filmes em que objetos inanimados ganham vida”);
    – Vários blogs de webtiras, como Mentirinhas, Will Tirando, Bichinhos de Jardim e Depósito do Wes
    – Glück Project
    – Oene
    – Crash, do Alexandre Versignassi

    E isso só para citar alguns e ficar só nos brasileiros.

    Ah! E tem o meu também! ;)

  • acho que blogar é algo natural de gente curiosa e comunicativa. independente de ser extrovertida ou não. e realmente, blogar é ânimo. eu blogo há anos de forma pessoal, e há 5 de forma mais editorial com o movebla. e agora vou criar outro. call me nuts. mas é uma mídia que sempre acreditei. realmente a coisa mudou e a conversa migrou para as redes sociais. mas os blogs realmente relevantes ainda formam opinião, independente dos pageviews ou do interesse comercial. eu também gostaria que mais pessoas blogassem, como antes. a troca era bem mais intensa e divertida. hoje, qualquer conversa termina num meme.

    interessante você citar a questão do youtube. eu sempre pensei o seguinte: se um dia o youtube acabar, como ficam os conteúdos dessas pessoas? onde elas vão distribuir? anos atrás fiz um pequeno orçamento de quanto ficaria distribuir um canal por vídeo, com hospedagem, banda e feed incluídos – o custo é cruel. e dá pra entender porque adotar youtube. só que o canal não é seu. é como a discussão do facebook e twitter. ainda bem que texto não é uma mídia tão cara de armazenar e distribuir.

    um outro movimento que vi é a profissionalização não só do próprio blog, mas do blogueiro. muitos viraram profissionais no que blogavam, ou mesmo palestrantes. no movebla, as pesquisas me tornaram referência de mercado.

    outro movimento interessante é a ascenção de editorias que são um reflexo do momento de consumo da sociedade: moda, organização pessoal, decoração, culinária – e tecnologia pessoal. enquanto o momento econômico for favorável, mais e mais pessoas vão querer compartilhar sobre costumes de consumo – e monetizar em cima disso, já que isso não é mais mistério nem tabu pra ninguém.

    • Em todos os comentários aí em cima, onde estava escrito blog de nicho, eu lia Movebla e Velocidade.

  • “Os blogs estão mais escassos”… Não concordo com essa afirmativa. Dentro do diagrama de Venn que representou, os blogueiros que não agregaram outras ferramentas aos seus blogues, retornaram ao que eram no passado – Pequenos e com grande conversação.

  • Ótimo texto! A verdade é que essa discussão roda as mesas de bares dos mais interessados na “vida on-line” há um tempo, e geralmente o argumento é o mesmo: vídeo é o novo texto. Além de simplista, cada vez que eu mesma argumentava isso parecia como se uma paquita da Xuxa pronunciasse as palavras em voz alta e sem muita certeza. Concordo com seus argumentos, principalmente a questão do espaço para cada plataforma – afinal, são sim conteúdos diferentes. Ao mesmo tempo, também concordo com a voz de quem afirma que o poder do Youtube sobre os blogs, principalmente pela própria dinâmica dessa geração que o atende: rápida, sem paciência e com desejo pelo apelo visual. Ou seja, os dois vão continuar crescendo lado a lado? A verdade é que estou jogando um monte de informação aqui só para pensar…

    Eu aposto na força do Youtube, mas tenho medo da grande massa de canais que estão surgindo e do conteúdo inútil gerado a partir deles. Eu aposto na verdade dos bons blogs, mas procuro uma forma de acompanhar seu conteúdo de maneira rápida (ou nem tanto, claro).