Foto de divulgação do Galaxy S6.

A Samsung parece ter acertado a mão com o Galaxy S6

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2/3/15, 9h38 5 min 24 comentários

O recém-anunciado Galaxy S6 e sua variante com a tela que “derrete” nas bordas, o S6 Edge, mostram o que acontece quando uma empresa hegemônica em certo segmento vê sua liderança ameaçada. Os dois têm metal, vidro, um software mais limpo e outros pequenos acertos.

Desde 2012, quando a Samsung apresentou o Galaxy S3, o design do seu principal smartphone não variou muito. E foi sempre alvo das mesmas críticas: um hardware poderoso minado por um acabamento pobre e um software abarrotado. Os sucessores, S4 e S5, foram apenas atualizações rotineiras com variações sutis em um design inerentemente fraco. Eles cumpriam seus objetivos (gostei bastante do S5, por exemplo), mas era inegável que faltava… algo. Bom gosto? Materiais nobres? Mais atenção no tratamento dado ao Android? Tudo isso.

Foto de divulgação do Galaxy S6 Edge.

A ruptura que o Galaxy S6 faz com o passado recente da Samsung é profunda. Ele tem uma moldura metálica, como o Galaxy Note 4, e as costas de vidro revestido por Gorilla Glass 4 — mesmo material usado na tela. Essa mudança na filosofia de design sacrificou três detalhes que, por muito tempo, justificaram o acabamento antigo: agora não há mais tampa traseira, o que significa que a bateria (de 2550 mAh) não é removível, e foram embora também o slot para cartão microSD e a capacidade de mergulhar na água.

Embora o fim das baterias substituíveis e do slot para cartão microSD deva ter entristecido alguns fãs mais ardorosos, a maioria ignorará essas mudanças. O espaço mínimo que a Samsung oferece no Galaxy S6 é 32 GB — e será assim em todo lugar, inclusive no Brasil, segundo o Tecnoblog. É o suficiente para instalar jogos, armazenar músicas e tirar muitas fotos sem se preocupar com espaço. Quanto à bateria, hoje é muito mais comum ver gente carregando aquelas portáteis, externas (“power banks”), do que baterias sobressalentes. O ganho da troca se vê no design.

Se por fora as mudanças são visíveis e bem-vindas, por dentro elas parecem igualmente promissoras. A Samsung alardeou que o Galaxy S6 tem 40% menos funções que a versão anterior. É estranho ver uma empresa mostrar como positiva uma redução em recursos, mas qualquer um que mexeu em um Galaxy lançado nos últimos três anos sabe que isso é um fator importante. Havia tanta coisa, e disposta de maneira tão desorganizada, que até as boas interferências da Samsung, como o modo “Não Perturbe”, que no Android puro só chegou na versão 5.0 Lollipop, acabavam enterradas e longe da atenção do usuário.

Duas coisas em software chamam muito a atenção. Primeiro, o Samsung Pay, resposta direta ao Apple Pay. A solução da Samsung é mais ampla, pois confia em duas frentes para realizar pagamentos: NFC, como nos iPhones 6 e 6 Plus, e na tecnologia MST, que “simula” a tarja magnética do cartão para passar o smartphone em terminais do tipo. Essa veio da LoopPay, empresa especializada em pagamentos móveis que a Samsung comprou recentemente. Combinadas, as duas abordagens tornam o Galaxy S6 compatível com ~90% dos estabelecimentos comerciais que aceitam pagamento via cartão nos EUA.

A outra é a parceria com a Microsoft, oficializada poucos dias depois de ambas encerrarem uma disputa feia por patentes na justiça. O Galaxy S6 sairá de fábrica com Skype, OneNote e OneDrive pré-instalados, e dará ao usuário 100 GB grátis nesse último. Historicamente a Samsung faz o que pode para não depender exclusivamente do software do Google, então a abertura da Microsoft a soluções multiplataforma casou perfeitamente com os interesses da fabricante sul-coreana.

A quantidade de apps pré-instalado parece ter diminuído significativamente e o visual da TouchWiz, a camada de software que a Samsung aplica por cima do Android está, como já dito, mais amena. A interface da câmera, abaixo, dá uma boa ideia desse esforço. Em certa medida, a Samsung se espelha na Motorola no sentido de parar de reinventar a roda.

Foto do seletor de modo da câmera do Galaxy S6.
Foto: GSMArena.

Por fim, a câmera. Nenhum smartphone conseguiu, ainda, equiparar-se à qualidade e confiabilidade da do iPhone — ela é boa assim. A Samsung sempre foi a que chegou mais perto e, com o Galaxy S6, tem potencial para enfim ficar em pé de igualdade com a Apple. Quem testou disse que ela é muito rápida, o que é importante; a maior crítica que as câmeras de Android recebem se deve à lentidão do obturador. Há outros aspectos curiosos e empolgantes: dois apertos no botão Home abrem a câmera em menos de um segundo; ela é a primeira câmera a travar o foco e acompanhar um objeto (coisa que só se vê em câmeras dedicadas); e o sensor infravermelho atrás se desdobra para ajudar a definir o equilíbrio de branco das fotos.

O Galaxy S6 ainda reserva outras possíveis surpresas agradáveis, como um sensor biométrico que se comporta de maneira parecida à do TouchID, da Apple, as bordas curvadas do S6 Edge, mais amenas que a do Note Edge e, pelo menos por fotos e vídeos, muito bonitas, compatibilidade com dois métodos de recarga sem fios (Qi e PMA) e o uso de um SoC próprio potente, não-Qualcomm, compatível com redes LTE.

A Samsung já sofre críticas com o visual supostamente similar ao iPhone, mas isso nunca foi problema para os consumidores — o último que incorreu nesse pecado, o Galaxy S II, até hoje é tido como um dos melhores smartphones Android já feitos. O Galaxy S6 será fabricado no Brasil e o lançamento local deve ocorrer, também segundo o Tecnoblog, em abril.

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  • Juan Lourenço

    Ficou lindo demais (especialmente o Edge), com esse acabamento. Não pago quase 3 mil no celular por princípios (e tamanho da carteira), mas estão de parabéns mesmo.

  • Vinicio A S Liuti

    Ultimamente vejo o pessoal malhando a TouchWiz, mas segundo relatos de amigos que tiveram o S5 e Note 4, mesmo a versão anterior à do S6 já está muito fluida

    • O problema não é tanto o “peso” da TouchWiz (tem que ser muito incompetente para fazer um software lento com os SoCs modernos), mas sim a complexidade. É desengonçado, não é intuitivo, usabilidade zero.

  • Eduardo Mateus Klein

    Por mais que melhorem essa Touch Wiz, ainda não vai me pegar, fico com Nexus ou Sony. O software da Samsung é horrível, já acho que o Nexus vem com coisa demais.

    • thiagones80

      De fato, dos customizados, o que melhor consegue se sair é a Sony. Ao menos temos bom gosto com as cores de ícones, por exemplo.

  • Eu sempre achei mais lógico baterias externas que uma nova bateria, não é instantâneo como trocar de bateria mas também funciona com qualquer smartphone e acho mais prático. A bateria pode viciar, de fato, mas pelo ciclo de troca de smartphones acho que isso é um problema menor.

    De resto, a Samsung voltou a ter os trunfos originais com um belo design: SoC acima da média e ótima câmera. No final, muito do que importa para um smartphone high-end. Acho que a única ressalva é a TouchWiz que se esperava mudanças mais profundas, apesar de já ter melhorado.

    • thiagones80

      Gabriel, ter bateria extra é coisa antiga demais…não faz o menor sentido mesmo. A ultima que tive foi pra um Nokia 6120i…lá se vão 17 anos ahahaha

      Hoje temos totens de carregamento em mercados e shoppings, além das tomadas em aeroportos, baterias externas, capas do tipo bateria…

    • Rafael Lemos

      Acho que a questão da bateria removível não é nem aumentar o tempo de bateria, mas ser trocada em caso de problemas ou desgaste.
      Tops de linha costumam ter uma vida útil muito grande, mesmo que não fiquem por muito tempo nas mãos de usuários exigentes, sempre são repassados.
      Até hoje tem gente que brilham os olhos só com a possibilidade de se conseguir um s3 a um preço legal. Muitas vezes um celular antigo só precisa de uma bateria nova para funcionar como novo.
      O problema das baterias fixas é que normalmente o preço pra se trocar na assistência é quase o preço de um cel novo, e isso quando é possível a troca, porque algumas assistências oferecem que você compre com celular novo com “desconto” no lugar.

  • Rodrigo

    Muito bonito, e compraria fácil se não tivesse comprado um smartphone esse ano. Samsung se superou, e não me importo com a falta do micro sd e falta da bateria removível, o problema é que a samsung só traz um tipo de amarzenamento.

  • Rafael Leite

    Imagino que uma resolução tão grande como essa traga mais problemas do que soluções.

  • thiagones80

    Como comentei num grupo de discussão, precisam apenas acertar a touchwiz para ficar menos feia: ícones de dumbphone, liga/desliga de recursos *enorme* usando cor verde seiláoque na barra de notificações – que poderia ser dupla cortina, como no Android 5.0 – e espero que os ajustes sejam mais humanos e menos caóticos.

    Por fora é uma revolução… finalmente um Samsung high end usando materiais de primeira. Quando ao edge ainda não vi nada que justifique, mas esteticamente deu um efeito bem legal.

  • Alexandre

    Corrigindo, a melhor câmera é da Microsoft e não dá Apple. E a Samsung tem câmera superior a Apple tbm. Sempre foi assim. Embora o design da Apple seja insuperável, perdendo para o software (iOs) muito fechado e deixando as pessoas presas. O Android é insuperável nesse aspecto. A Microsoft tem o sistema mais seguros de todos.

    • Corremos o risco de entrar na questão de gosto aqui, e aí não tem jeito, toda a lógica se esvai. Falando objetivamente, a Apple ainda tem a melhor câmera. A única câmera da Microsoft/Nokia que bate a dos iPhones (e apenas em qualidade final, não em manuseio) é a do Lumia 1020. As outras, e testei várias, são boas, mas estão bem longe de serem tão rápidas e de entregarem resultados tão consistentes quanto a da Apple.

      E esse papo de iOS “muito fechado” é tão 2011… Queria saber do que exatamente o povo que repete isso sente falta no iOS.

    • thiagones80

      O sensor de alguns modelos robô é o mesmo da Apple (sony exmor, acho). Pode ser que em fotos *muito* produzidas (excelentes condições de luz e tempo…muito tempo pro auto-foco se achar, tripé, etc) o Android se de bem. Mas em qualquer outra situação,o iPhone é tirar do bolso, clicar é ter a certeza de 99% de sucesso na foto, algo que não ocorre com o Android.. No robô, o auto-foco sempre fica como um daltônico procurando uma cor na tabela pantonne. Tirar fotos em movimento, um sufoco.. Seja um Samsung ou Xperia. O próprio editor do Android para o The Verge reconheceu essa falha nos robôs em post do mês passado.

      Então tirando sua preferência sobre sistema A ou B, algo que mais amaria em ver nos Android´s que tive e tenho é a facilidade do iPhone conseguir tirar fotos de qualidade em qualquer situação (festas, paisagens, trânsito, noite, dia, etc)

  • Luiz Moraes

    Foram no site da LoopPay? Todas as imagens usam iPhones. Será que a Sammy não percebeu isso?

  • Alguém que só fala a verdade

    Tudo muito lindo mas acho prudente aguardarmos os testes de autonomia de bateria do novo flagship da Samsung feitos pelos sites GSM Arena e Phone Arena (ainda está para nascer brasileiro que saiba fazer teste de autonomia de bateria de smartphone). Tomara que eu esteja enganado mas a inútil resolução Quad HD juntamente com a minguada bateria de 2.500 mah devem arruinar o S6 já que nada adianta ter uma Ferrari com autonomia de 50 kms.

  • Paulo

    ”Por fim, a câmera. Nenhum smartphone conseguiu, ainda, equiparar-se à qualidade e confiabilidade da do iPhone — ela é boa assim”

    Hein???Como assim? Rodrigo,vc esqueceu que existem LUMIAS por aí?
    Claro que a do Iphone É ÓTIMA,mas achei meio exagerado essa parte que vc escreveu.
    o.O

    • Guest

      Olá! Fato, a matéria é parcial. Mas eu não julgo isso, afinal esse é um site de admiradores da Apple.

      • Paulo

        ¯(ツ)/¯ ¯(ツ)/¯ ¯(ツ)/¯

    • Esqueci não, Paulo! Olha, eu testei um monte de Windows Phone já e a qualidade das fotos do Lumia 1020 é incrível mesmo (talvez melhor que as feitas com iPhone). Mas para aí. Como expliquei ali embaixo, em outro comentário, o iPhone simplesmente funciona bem. Sempre. Você abre a câmera, faz a foto e pronto. A câmera é rápida, consistente (sempre entrega bons resultados) e confiável. Não dá para dizer o mesmo de outras, seja Android ou Lumia. A diferença é muito perceptível.

      Recomendo uma lida neste post para entender: http://www.theverge.com/2015/1/13/7537011/iphone-6-camera-editorial

      • Paulo

        O questionamento dele era em relação à ”lerdeza” em que o APP LUMIA CÂMERA tinha para abrir.Mas o msm reconhece que no contexto de CÂMERA,a MS tem faz melhor. (”Microsoft’s PureView cameras fare better, but the Windows Phone camera app is comparatively slow and unintuitive, and there’s a reason why former Lumia chief Ari Partinen is now tagging his photos with #iPhone6Plus instead of #Lumia1520.”)

        Mas acho que entendi o seu ponto Rodrigo de apenas pegar o cell abrir a foto e pronto.
        Agora engraçado,ñ sei se vc já viu,mas agora com a tal da DENIM tudo ficou muito melhor.É instantâneo! =)

        • Só testei o Lumia 730 com a Denim, e é notável como o Lumia Camera abre rápido mesmo com a configuração mediana desse aparelho. Deve ter estar muito bom em Lumias mais rápidos!

          • Paulo

            De verdade,vc tem que ver no LUMIA 930. Pois nos medianos,por ñ ter PUREVIEW eles ñ executam o LUMIA CÂMERA 5,que é a atualização que deixou tudo instantâneo e melhor.Talvez vc ñ leia os comments dos posts, mas se vc ler os desse post do Verge,vai ver que alguns users estão falando do Lumia Camera 5. :) :)

  • Louis

    32 gb não é nada. Matar o uso de sd é triste e um retrocesso.