Como combater a epidemia de informações falsas ou imprecisas no Facebook?

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21/10/16, 13h49 3 min 4 comentários

Em grupos de WhatsApp é relativamente comum alguém publicar uma notícia falsa ou imprecisa seguida do “na dúvida, achei melhor compartilhar”. É preciso mudar esse padrão, invertê-lo. Na dúvida, não compartilhar.

Não temos ainda, coletivamente, noção da força da informação. Uma mentira contada mil vezes não se torna apenas verdade, ela gera consequências. Tem tanto poder que pode matar uma inocente e levar um lunático à presidência de um país.

Piora, ainda, quando a mentira é espalhada deliberadamente. Qual a forma mais rápida de crescer uma página de política/notícias no Facebook? Segundo uma pesquisa do BuzzFeed, é “abstendo-se de relatar fatos e, em vez disso, jogar com os preconceitos partidários usando informações falsas ou imprecisas que simplesmente digam às pessoas o que elas querem ouvir.” Não é algo exclusivo de lá; aqui no Brasil, também, vários grupos, da esquerda e da direita, utilizam desse subterfúgio para pregar.

Quem faz essas coisas? Um punhado de gente que não está mais preocupada com as consequências dessas publicações do que com o as vantagens da desinformação. Vai além do financeiro. Há interesses políticos por trás disso também.

E não é só na política. A desinformação é um mal que permeia todas as esferas da vida pública. Em muito, um potencializado pelo Facebook, o jornal cada vez mais popular das pessoas nos anos 2010. Ao se eximir de responsabilidades, seja como empresa de mídia ou qualquer outra classificação, a rede abre espaço e estimula esse padrão de reforço de preconceitos e acirramento dos ânimos baseado em mentiras.

No Twitter, Christopher Mims, colunista do Wall Street Journal, escreveu:

Certa vez escrevi uma coluna dizendo que o Facebook provavelmente não nos leva a mais partidarismo. Hoje acho que aquilo está completamente errado.

Agora acho que o Facebook está contribuindo para o declínio da civilização ocidental. Ajudando a espalhar desinformação.

Substituímos a sociedade civil com a auto-seleção e o auto-reforço de ciclos de afinidade alimentando nossos cérebros com a validação social de inverdades perigosas.

Nossos pensamentos são inerentemente um produto do nosso contexto. O filtro invisível do Facebook é real e as tentativas da empresa em negá-lo são pífias.

Como mudar esse cenário? A Dificuldade começa antes disso: sempre me pergunto como apresentar o problema sem soar arrogante ou pedante? (Este texto, inclusive, pode ser lido assim.) Difícil…

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