Matei o Feed de notícias do Facebook

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26/5/14, 8h00 7 min 15 comentários

Nota do editor: há cerca de duas semanas notei um comportamento padrão: sempre que abria o Facebook para fazer alguma coisa pontual, como publicar um link na página do Manual do Usuário, perdia um tempão dando uma olhada no Feed de notícias. Resolvi, então, experimentar a extensão Kill News Feed, que elimina essa parte da rede social sem comprometer as demais. Estava planejando um texto sobre o assunto quando fui surpreendido por este, escrito pelo Fabio Bracht no Medium, que praticamente bate em tudo o que pretendia falar, das motivações aos resultados alcançados na prática.


Fiz um negócio esquisito: instalei uma extensão do Chrome para desativar o Feed de notícias do Facebook.

É esquisito porque, se formos pensar no Facebook como um produto (esquecendo por um momento que ele hoje em dia é muito mais que isso, é uma plataforma de conexão responsável por boa parte do aspecto social da internet inteira), o Feed de notícias representa uns 80% desse produto. Pensando assim, eu matei 80% do Facebook.

Quando abro o site hoje, é isso que aparece no lugar do Feed de notícias:

A extensão troca o feed de notícias por uma frase no vazio.
A frase aparece também. Ela não é essencial, nem mesmo importante, mas já desenvolvi um carinho por ela. Sinto que ela quer o meu bem.

Outra coisa que tenho feito para diminuir, literalmente, a presença do Facebook na minha vida online:

Assim, você não vê quando chegam notificações.
Clique com o botão direito na aba e selecione “Pin tab”, “Fixar guia”.

Por fim, desmarquei esta opção (fique tranquilo, ela não afeta os sons do bate-papo):

Nada de sons de notificação no Facebook.
Nunca mais minha atenção foi roubada por um barulhinho de um segundo.

Por quê?

Como certamente muitos outros usuários do Facebook, quem sabe até a maioria deles, há algum tempo venho me preocupando com o tempo gasto interagindo basicamente com a barra de rolagem no Facebook. É aquela comparação que você já deve ter lido: parece uma geladeira. Você fica abrindo a cada poucos minutos, na esperança irracional de encontrar algo diferente, mas invariavelmente vê sempre os mesmos tipos de porcarias.

Tipo isso, mas no Facebook.
Tirinha: Bill Watterson.

Ao mesmo tempo, desativar o perfil (apesar de muito tentador em alguns momentos) não é uma opção. Meus amigos estão lá e eles são importantes para mim — simples assim.

Sem contar que, como já dito, o Facebook é hoje muito mais do que um mero “site de rede social”, como chamávamos ele e o Twitter há alguns anos, e como um dia foram o Orkut e o MySpace. Ele conseguiu se embrenhar nos bastidores do funcionamento da internet de tal forma que, hoje, deixar de existir no Facebook é aleijar boa parte da sua existência online também fora dele.

No fim das contas, acho difícil chamar o Facebook de algo muito diferente de um “mal necessário”. Como tal, resta aprender a conviver com ele da melhor forma possível, focando apenas nos benefícios que ele traz e tentando minimizar os malefícios.

O fato é que nunca me senti perdendo tempo no Facebook quando estou conversando com meus amigos. Como não faço uso dos joguinhos também, isso significa que todas das vezes em que me senti mal por ter ficado horas no Facebook em vez de investir meu tempo algo mais útil foi quando me peguei rolando o Feed de notícias infinitamente por pura inércia. É quase como se o Facebook em si não fosse realmente o problema, mas sim o Feed de notícias em específico.

Conclusões inicias e imediatas

Faz poucos dias que desativei o Feed de notícias, de modo que ainda estou avaliando se essa é mesmo uma solução tão boa quanto parece. (Prometo atualizar o texto se acabar concluindo que foi uma besteira.) Mas algumas coisas ficaram imediatamente claras. Muitas delas são bastante óbvias, mas gostaria citá-las mesmo assim:

  • O primeiro medo, de que o Facebook se tornaria menos útil, ou muito vazio, se mostrou completamente infundado.
  • Obviamente, continuo podendo conversar com amigos normalmente no chat. De fato, hoje faço isso com um pouco mais de frequência, o que considero ótimo.
  • Continuo recebendo notificações de comentários, likes, marcações em outros posts, eventos, etc. e podendo interagir normalmente com todo esse conteúdo. A diferença é que, se sou notificado, geralmente isso significa que aquele conteúdo está relacionado a mim de alguma forma. Com isso, eu agora só recebo informação que de fato me interessa diretamente.
  • Ainda posso compartilhar coisas importantes ou interessantes, já que a caixinha de compartilhamento no topo do Feed de notícias não sumiu. As páginas de perfis também continuam inalteradas — tanto a minha quanto as dos meus amigos. Isso significa que hoje, quando quero ver o que os meus amigos estão publicando, isso é uma ação ativa, não passiva. Eu penso “o que será que Fulano está compartilhando?” e entro no perfil para ver. Eu vou atrás do que me interessa, não espero que isso venha até mim. Eu me aproximo.
  • Ainda sobre o ponto anterior, de certa forma isso me lembra uma boa característica dos tempos do Orkut, no qual a navegação era basicamente de perfil em perfil, de comunidade em comunidade, de ponto de interesse a ponto de interesse. É uma quebra de paradigma em relação à interação bem mais passiva com o Facebook, na qual você apenas senta e espera que o site te mostre o que há de interessante.
  • O Facebook tem um recurso de “melhores amigos”. Se existe alguém cujos posts são consistentemente interessantes para mim, eu posso marcar essa pessoa como “melhor amigo”, e o Facebook me notifica sempre que ela publicar alguma coisa. Esse recurso parece ser pouco utilizado, mas junto com o lance de esconder o Feed de notícias, ele agora é particularmente útil para mim — mais do que isso, me soa como a ferramenta máxima de curadoria pessoal possível nessa rede.
  • O Feed de notícias geral, como era antes, não morreu completamente. Eu ainda consigo vê-lo no celular ou num tablet, o que é contextualmente muito preferível. Quando estou com o celular na mão, geralmente estou mesmo querendo matar algum tempo, e para isso o Feed de notícias geral é perfeito. O problema dele era matar o meu tempo quando eu estava no notebook e deveria estar trabalhando, estudando, escrevendo ou resolvendo outros problemas.
  • Por último, mas não menos importante, não estou sentindo nenhuma falta dos malditos títulos apelativos ao estilo Upworthy que tanto me irritam, ou do chorume pseudo-politizado que estava rolando na minha timeline. Vão tarde.

Confesso que não sei o quão próximo da realidade eu estou ao dizer que o News Feed representa 80% do Facebook, mas gosto de pensar assim, pois me lembra do Princípio de Pareto — “80% das consequências advêm de 20% das causas”. Se eu tiver que cortar 80% do Facebook para fazê-lo ficar 20% melhor, não vejo porquê não.

Se bem que, sendo bem sincero, ele está parecendo bem mais do que só 20% melhor.

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  • vou testar.

    era o que estava procurando, mas não sabia o que era… =)

    abs.

  • Igor

    Pra quem já tem uma curadoria interessante de fonte de notícias, realmente o Facebook acaba atrapalhando. Por outro lado, para a grande maioria dos usuários a alternativa ao news feed são os grande portais (Terra, G1, MSN), que são bem mais agressivos na chamada das manchetes e na publicação de notícias supeficiais. O Facebook acaba sendo o lugar onde esse pessoal vai encontrar fontes que estão fora do mainstream ou artigos com opiniões mais alternativas (para o bem ou para o mal). O que no fim, acaba sendo mais democrático, mesmo com a manipulação que o Facebook faz para promover conteúdo pago.

    • Eduardo

      Uma alternativa mais “old school” para se manter informado é usar feeds RSS. Ironicamente, eu comecei a usá-los assim que o Google Reader morreu. Antes disso, eu me informava entrando em cada site de interesse individualmente, e os organizava na barra de favoritos do navegador, separados por temas.

      • Feeds funcionam muito bem mesmo! Aqui, uso ele mais para sites “lentos”, não no sentido literal, mas aqueles que publicam menos posts. Não dá para colocar um The Verge da vida lá, com 20, 30 posts diários.

        Para esses mais frenéticos eu uso listas no Twitter, acessadas pelo Tweetdeck. Tenho uma de tecnologia e outra de notícias gerais, e dá para acompanhar razoavelmente bem o que acontece nesses dois mundos. Como muitas notícias acabam replicadas em vários sites, o excesso não gera ruído — quando muito, só passo o olho e espero as próximas aparecerem. Se alguém se interessar em seguir a minha lista de sites de tecnologia, é esta aqui.

  • Vagner “Ligeiro” Abreu

    Entrei e sai algumas vezes do Facebook, e na última volta, resolvi fazer algo parecido antes de existir este app: todas as pessoas que eu via que não tinha assunto relevante aos meus olhos, desativava o seguir da mesma. Mantinha a amizade, mas não via mais as mensagens no feed de notícias.

    Quando fui ver, quase todos os meus 90 amigos e familiares não estavam no feed. Mantive apenas um que achava interessante.

    Realmente é bem melhor o feed desligado do que ligado. Se quero ver algo interessante, vou lá no perfil da pessoa e vejo se há algo legal, tipo uma foto ou notícia relevante. Menos tempo perdido, menos informações a serem assimiladas.

  • Paulo Revolts

    Que triste, Ghedin/Fabio… sinto pena de vocês por não terem mais acesso aos compartilhamentos da TV Revolta. Se quiserem posso vir postar todos os dias aqui, nos comentários.

    *Quem usa o Facebook só para receber atualizações de certas páginas, poderia tentar uma gambiarra com o Feedly. O resultado não é lá essas coisas, mas funciona.

    Abraços

  • Elton

    Vou usar para não excluir a minha conta do Facebook. Estou querendo sair do Facebook há um bom tempo, mas me sinto preso e não sei o motivo. Já desinstalei o app do celular, agora vou experimentar esse plugin. Obrigado pela dica!

  • Rick

    Desde que li o texto estou usando a extension, e realmente faz uma grande diferença. A quantidade de conteúdo inútil que é compartilhado no meu news feed era maior do que a vontade de tentar tirar alguma coisa boa dele. Sem contar o chorume diário que tem em todos os comentários em qualquer noticia (sem exceção) menos relevante que seja.

  • Lucas

    tem algum pro firefox?

  • Lucas

    Só tenho a agradecer. Realmente fez uma diferenca enorme na minha produtividade, e nenhuma falta. :)

  • Satya

    Agora só quando termino tudo que tinha para fazer eu abro o Facebook no Firefox.

  • Flaubi Farias

    Cara, usei essa extensão durante uns 2 meses mais ou menos. No começo é muito estranho, é como se uma parte da internet tivesse terminado de tão forte que é o nosso costume. É incrível como nós realmente nos habituamos a receber a informação pronta.

    Agora já não uso mais, mas valeu a pena ter experimentado. Graças a isso eu aprendi melhor a dosar o tempo dessa espiada no feed e pude ter uma melhor noção de quanto tempo a gente pode ficar preso ali sem perceber.

  • Rafael Mendonça

    Dei unfollow em todo mundo e em todas as páginas. Demorou e fui fazendo aos poucos pq frequentemente a timeline zerava e o facebook “pensava” um tempo pra me mostrar conteúdo depois de alguns minutos. Uma hora ele parou pra sempre. Desinstalei do celular, também, mantive só o “messenger”.

    O Facebook virou uma central de amigos, aniversários, eventos e logins pra mim. Se eu quero ver alguém, eu vou até a página da pessoa (raramente ocorre). A timeline realmente é um troço viciante e desnecessário, uma perda de tempo. Precisei de anos para aceitar isso e cair na real do tempo que eu perdia nisso enquanto tinha mil coisas pra fazer. Para notícias uso o Feedly, que é uma maneira bem mais útil de ocupar o tempo livre, cagando etc. E para falar com meus verdadeiros amigos, uso o chat do facebook, whatsapp, telegram, hangouts e afins e afins. Eventualmente alguém me marca em foto e eu vejo se aceito e vai entrando umas coisas na minha timeline.

    Até o momento não está fazendo falta alguma, tudo depende do seu grau de carência e organização pq todo mundo tem mais o que fazer e consumir, mesmo em termos de entretenimento, e fica dizendo que não tem tempo pra ver/ler/jogar coisas ou mesmo praticar esportes, mas perde um tempo absurdo no Facebook.

    Agora, assim como fiz com tv há décadas, que cortei pra escolher o que eu queria ver a hora que eu queria ver, cortei o Facebook, que é a nova tv, e eu que vejo o que eu quero, a hora que eu quero. Não é ele q escolhe, mais.

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