Review do Lumia 1520.

[Review] Lumia 1520, um grande Windows Phone

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1/7/14, 11h18 8 min Comente

O Lumia 1520 encerra, por ora, uma sequência de smartphones enormes que passaram pela minha análise. Por coincidência, é o mais caro e poderoso de todos esses. Com tela de 6 polegadas, especificações de ponta e rodando Windows Phone, existem queixas nesse dispositivo para além do tamanho incômodo? É o que tentarei responder neste review.

Grandes configurações para acompanhar uma tela enorme

Antes, pausa para o vídeo:

Já virou quase tradição por aqui, então vou quebrá-la e não explicar por que todo esse tamanho é um fator negativo no fim das contas — basicamente, questões ergonômicas e de usabilidade.

Acomodar essa tela, de 6 polegadas, pede comprometimentos. Esse número torna impossível diminuir o tamanho físico do Lumia 1520 a um nível aceitável, ou que passe despercebido. Não dá para ter os dois, infelizmente. Nem se a parte frontal fosse apenas tela daria para evitar esse ponto fraco.

Na ânsia de amenizá-lo, outras partes do aparelho acabaram sofrendo. Os botões táteis, por exemplo, são difíceis de alcançar sem que se perca o equilíbrio do smartphone na mão. No bolso ou em uso, todo o conforto de ver vídeos, navegar em páginas web e jogar, característico dessa categoria de smartphones, cobra seu preço.

Fileira de botoes táteis na frente do Lumia 1520.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O desenho do Lumia 1520 é uma evolução tímida da linha. Embora não tenha aço no acabamento externo, ele lembra mais o Lumia 925 do que outros membros de ponta da família Lumia, como 920 e 1020, pelas bordas arredondadas e cantos. É um smartphone fino (8,7 mm) e embora não seja leve (209 g), a distribuição do peso dissipa qualquer sensação mais acentuada nesse sentido.

Discreto, com todos os botões e conectores onde são esperados, há duas coisas que saltam à vista. Primeiro, as portinholas — sim, no plural. O Lumia 1520 oferece um slot para cartão microSD de até 128 GB, caso os 32 GB de memória interna (29,1 GB disponíveis ao usuário) não sejam suficientes. Outra é o calombo da câmera, uma PureView de 20 mega pixels.

Slots de microSD e SIM card.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Esses detalhes chamam a atenção depois de algum tempo, porque no primeiro contato é difícil tirar os olhos da tela. Se no segmento intermediário é comum as fabricantes colocarem telas enormes com resolução HD, essa economia não faria sentido algum no Lumia 1520. E… bem, é uma LCD com painel IPS e resolução Full HD. Mesmo com contraste inferior ao AMOLED, a tela inicial do Windows Phone, já com a coluna extra de blocos dinâmicos, nunca foi tão bonita: brilho, equilíbrio de cores, mesmo o contraste, nada é passível de reclamação.

Não há motivos para reclamar, também, do desempenho. Se aparelhos não tão recentes como Lumia 920, 925 e 1020, equipados com um Snapdragon S4, esse ponto já passava livre de críticas, no Lumia 1520 com seu Snapdragon 800, idem. Na realidade, não se nota na prática, pelo menos em ações do dia a dia, ganhos reais em velocidade. Aqueles “Retomando…” ao transitar entre apps persiste, o que só reforça a teoria de que, de alguma forma, o Windows Phone ainda se debate para lidar com multitarefa.

Por fim, bateria. É enorme, tem 3400 mAh. E, claro, dura um bocado, o suficiente para usar o dia inteiro sem se preocupar com a morte por falta de energia do aparelho. Se bobear, ainda sobrar carga suficiente para começar o outro dia ainda livre dessa preocupação.

PureView = câmera de qualidade

A câmera PureView de 20 mega pixels do Lumia 1520.
Foto: Rodrigo Ghedin.

O calombo da câmera do Lumia 1520 é outro ponto muito similar ao do Lumia 925, mas a câmera em si é melhor. Não tem a qualidade absurda da do Lumia 1020, que se mantém inigualada, mas é uma câmera bem competente, sem dúvida acima da média.

O sensor tem 20 mega pixels, a abertura é de f/2,4 e um sensor ótico de estabilização se faz presente. A câmera usa o mesmo truque já visto no Lumia 1020, aquele de salvar duas fotos simultaneamente, uma em resolução máxima (16 MP em 16:9, 19 MP em 4:3), outra de 5 mega pixels; o excesso de pixels ajuda a compôr imagens mais bonitas em resolução menor, apropriadas para compartilhar nas redes sociais sem acabar com seu plano de dados.

Fiz algumas fotos em condições variadas e não tive problemas. O Nokia Camera, app dedicado que conta com um punhado de comandos manuais, continua sendo um dos melhores do mercado. Quem está em busca de um smartphone grande e que, de quebra, tenha uma câmera legal, tem no Lumia 1520 um conjunto tentador.

Alguns exemplos, começando por essa grama com folhas secas em um dia nublado. Alto detalhamento, pouco ruído, uma bela foto:

Detalhes da grama e das folhas.
ISO 640, f/2,4, 1/500s. Crop em 100%. Foto: Rodrigo Ghedin.

Nesta outra, destaque para o alcance dinâmico e, mais uma vez, a pureza das cores e a ausência de ruído (ao ar livre e com Sol, nem poderia ser diferente):

Foto de mamoeiro feita com o Lumia 1520.
ISO 100, f/2,4, 1/3676s. Redimensionada. Foto: Rodrigo Ghedin.

À noite, com pouca luz e auxiliada pelo flash (LED duplo), a câmera do Lumia 1520 também não faz feio:

Cup cakes de paçoca. Foto feita com um Lumia 1520.
ISO 100, f/2,4, 1/21s. Redimensionada. Foto: Rodrigo Ghedin.

Essas e outras fotos estão disponíveis, em resolução máxima (5 MP), neste álbum.

O Windows Phone ainda derrapa

Lumia 1520 vem com Windows Phone 8.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Infelizmente testei o Lumia 1520 com o Windows Phone 8, ainda sem a atualização Cyan — que trará a versão 8.1 do sistema. A única adaptação visível é a coluna extras de blocos na tela inicial; de resto, dos apps ao próprio sistema, nota-se uma sucessão de desperdício de espaço e oportunidades.

Não existe nada que adapte o uso do smartphone ao tamanho não usual da tela, como jogar o teclado para um dos lados, apps dividindo a tela ou mini-apps flutuantes. Vários aplicativos, que já sofriam com o abandono, têm desempenho ainda pior aqui: fontes excessivamente grandes e dimensões absolutas sem sentido em uma tela Full HD fazem com que o aproveitamento de área útil seja pífio. Não é raro, também, encontrar imagens e outros elementos de interface “borrados” por não preverem tal resolução.

O Windows Phone 8.1 melhora consideravelmente um punhado de pontos críticos, traz novidades interessantes como o Sensor Core, e tudo isso contribuirá para tornar o Lumia 1520 ainda melhor e atenuar um dos seus maiores pontos fracos. Mas será suficiente para fechar o buraco que existe, hoje, entre Windows Phone e seus concorrentes, Android e iPhone? Deixo esse assunto para outro post.

Compro o Lumia 1520 ou não?

Tela de descanso: com dois toques, ela liga.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Além de todos os prós e contras citados acima, outros fatores merecem ser considerados para responder essa pergunta. Primeiro, preço: é caro. A Nokia Microsoft sugere o preço de R$ 2.599 para o Lumia 1520 e, pesquisando nas lojas do varejo confiáveis, é impossível encontrá-lo por menos de R$ 2.100.

Outro fator é a concorrência, principalmente a doméstica. A menos que tela enorme e/ou bateria de longa duração sejam aspectos primordiais para você, o Lumia 1020 é um Windows Phone melhor — em câmera e ergonomia, e mesmo com um SoC mais fraco o desempenho não deixa a desejar. Olhando entre os grandões, o universo Android tem alternativas mais azeitadas que se beneficiam do ambiente melhor desenvolvido na adaptação do sistema a telas grandes. Aqui temos Galaxy Note 3, da Samsung, e o vindouro G Pro 2, da LG.

O Lumia 1520 tem um público muito específico — uma característica que compartilha com seu irmão mais humilde, o Lumia 1320: quem ignora ou suporta as limitações do Windows Phone, que nele se intensificam pelo despreparo de sistema e apps para suas configurações, não se importa em pagar caro por smartphone e quer tela grande. Se você se faz parte dele, não enxergo o que poderia decepcioná-lo nesse aparelho; se não, é de se pensar e pesquisar (muito!) as alternativas.

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