Microsoft: 18 mil demissões, vários projetos engavetados e foco total no Windows Phone

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17/7/14, 16h54 4 min Comente
Microsoft.
Foto: Robert Scoble/Flickr.

A Microsoft anunciou hoje que até o ano que vem demitirá até 18 mil funcionários. Desses, 12500 serão da Nokia, adquirida no começo do ano.

Esse não foi o único anúncio de hoje. Em uma carta direcionada a funcionários, Stephen Elop, vice-presidente da divisão de Dispositivos e Serviços da Microsoft, anunciou que a empresa passará a focar no Windows Phone, inclusive no segmento de entrada. Isso significa que o Nokia X, a linha de smartphones de entrada com Android, será descontinuado — e o anúncio da segunda versão, algumas semanas atrás, fica ainda mais estranho.

A linha Asha continua, a cargo de outra divisão liderada por Jo Harlow, só que em “modo manutenção”. Segundo um memorando de Harlow, esses aparelhos e outros mais simples, incluindo os icônicos celulares básicos com bateria duradoura e teclado numérico, não receberão novidades e serão descontinuados gradativamente ao longo dos próximos 18 meses. MixRadio e Xpress Browser, apps da Nokia para ouvir música por streaming e navegar com economia de dados, terão o mesmo destino até serem vendidos. Algumas fábricas ao redor do mundo serão fechadas, outras, reestruturadas. A do Brasil, em Manaus, aparentemente passará intacta por essa turbulência.

Passada essa fase, tudo o que restará na Microsoft em relação a smartphones será o Windows Phone. Não chega a ser exatamente uma surpresa.

Tem mais: o Xbox Entertainment Studios, responsável por séries de TV exclusivas para a Xbox LIVE, também será fechado. As séries já em produção, que incluem uma sobre a franquia Halo e outra sobre os primórdios dos video games, serão finalizadas. É o fim prematuro da promessa de produzir conteúdo audiovisual original para bater de frente com a Netflix.

Demissões são sempre ingratas, mas a notícia parece ter agradado os investidores — os papéis da MSFT operam em alta de 3%. Além da Bolsa, analistas também acham que essa reestruturação será benéfica, até necessária nesses novos tempos em que de líder disparada a Microsoft passou a responder por apenas 14% dos equipamentos vendidos no mundo, considerando outros form factors além de desktops e notebooks.

Defendi esse ponto algum tempo atrás e, na WPC desse ano, Kevin Turner disse que a mentalidade dentro da empresa é essa mesma:

“A realidade é que o mundo mudou, o mundo evoluiu. Agora mensuramos nós mesmos no espaço de dispositivos no total. Temos uma oportunidade bem maior do que já tivemos no passado para aumentar nosso negócio, mas temos que repensar como o encaramos.”

Apesar do excesso de jargões corporativos e da prolixidade, aquele e-mail de Satya Nadella antecipava mudanças nesse sentido. Mais do que demissões, ele parece estar disposto a mudar a cultura interna. Faz um bom tempo que a Microsoft é vista como uma empresa lenta, sempre correndo atrás depois que as concorrentes inovam. Mudar essa percepção é importante.

Há quem diga que essa nova postura reflete um posicionamento mais humilde, como se a Microsoft soubesse que não é mais protagonista da tecnologia de consumo e estivesse agindo de acordo. O tempo dirá se essa impressão se confirma na prática. Apesar das demissões, a Microsoft continua enorme, com milhares de funcionários inteligentes e um portfólio de produtos para o consumidor doméstico que, embora não seja a melhor opção hoje, tem bastante potencial.

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