Faixa pró-Marco Civil da Internet na Câmara dos Deputados.

A neutralidade da rede segundo o Marco Civil da Internet aprovado pela Câmara dos Deputados

Por
26/3/14, 9h33 13 min 22 comentários

Foram anos de discussões acaloradas e cinco meses travando a pauta da Câmara, mas enfim o projeto do Marco Civil da Internet (Projeto de Lei 2126/11) foi aprovado. O texto, da propositura à aprovação, mudou em pontos-chave e, nos últimos momentos antes da sessão da Câmara dos Deputados que enfim votaria o projeto, muito se falou sobre a ameaça à neutralidade da rede. Por que tanta preocupação em relação a esse ponto?

Como a Internet funciona

Sabe quando aquele seu tiozão se refere à Internet como “a grande rede dos computadores”? Embora brega, há um fundo de verdade nessa declaração. A Internet, grosso modo, é mesmo uma grande rede. Pela sua natureza aberta, com protocolos livres de patentes que conversam entre si, o processo de se conectar a ela é relativamente simples para qualquer… pessoa, empresa ou coisa. E assim, de ponto em ponto, de IP em IP, criou-se uma rede monstruosa que caminha para cobrir o mundo inteiro e conectar todos os seres humanos.

Existe uma hierarquia no trajeto que os dados fazem do servidor até o seu navegador web, ao cliente de e-mail ou qualquer aplicação que você use aí em casa ou no trabalho que dependa da Internet. A relação entre provedor (GVT, NET, Vivo) e cliente (eu e você) é, como este artigo da Quartz explica, apenas o fim de uma longa estrada. Lá no começo estão os backbones e as CDNs, redes de distribuição que funcionam como intermediárias entre serviços/sites e provedores, atuando meio que em conjunto para viabilizar o fluxo de (enormes quantidades de) dados. Algumas das CDNs mais famosas são Akamai, Level 3 e Cogent.

Existem quedas de braço, acordos e negociações sendo feitos nos bastidores da Internet desde sempre. Embora as questões levantadas pelo dilema da neutralidade recaiam, em sua maioria, nos provedores, elas atingem também essas empresas e estruturas menos conhecidas do público e que não ganham tantas manchetes nos veículos de comunicação.

Todos os grandes sites (Google, Facebook, Microsoft, Netflix) usam CDNs que negociam com as operadoras a distribuição desse conteúdo. Quando a balança desequilibra, ou a demanda foge dos termos contratados, o tempo fecha. Exemplo recente? A relação entre Netflix, CDNs e os três principais provedores dos EUA — Comcast, Verizon e AT&T.

O caso Netflix e Comcast

Reed Hastings, CEO da Netflix.
Reed Hastings, CEO da Netflix.

A Netflix fechou, no começo do mês, um acordo com a Comcast para que o provedor não restrinja a chegada de dados a seus clientes. Ou seja, o serviço de filmes sob demanda cortou o intermediário (as CDNs) e agora negocia diretamente com a última parada antes do seu cliente. Ou, como diz Reed Hastings, CEO da Netflix, “paga pedágio para os poderosos provedores”.

Essa medida, que abre um precedente no debate sobre a neutralidade nos EUA, foi tomada pela dificuldade que as CDNs estavam tendo em conseguir levar esses dados, mais do que os provedores esperavam. Eles, os provedores, começaram a reclamar e agir. Como? Restringindo a conexão para uma aplicação específica, a Netflix. De repente a rede deixou de ser neutra, deteriorando o tráfego de um serviço que consome muitos recursos — com 30 milhões de assinantes, o Netflix responde por quase 1/3 do tráfego de Internet gerado no hemisfério norte em horário nobre.

Ninguém quer, mas alguém tem que pagar a conta. A Netflix até criou um programa, o Open Connect, para levar servidores próprios para os provedores, bancados e mantidos por profissionais seus, a fim de aliviar a carga. Funciona na Europa, América Latina e em outros locais; lá, nos EUA, os provedores se mostraram avessos à inciativa. A discussão ainda vai longe, mas nesse meio tempo, temendo perder clientes por constrições na conexão e consequentemente vídeos de baixa qualidade, a Netflix pagou o pedágio da Comcast. Repetindo, ela abriu um precedente. E um perigoso.

Como seria uma Internet que não fosse neutra?

Alessandro Molon.
Deputado Alessandro Molon. Foto: Agência Câmara.

Essas negociações de bastidores importam, mas o que mais se discutiu aqui, com a questão do Marco Civil, foi o último elo da cadeia, a relação provedor-cliente.

Sem a neutralidade, as operadoras poderiam inventar quaisquer critérios para vender o acesso à Internet. Hoje, existe um convencionado que funciona desde os primórdios da banda larga: a velocidade de acesso. Você pode achar injusto pagar mais para ter mais velocidade, mas não tem como reclamar da isonomia da navegação. Seja no plano mais rápido ou no mais lerdo, o conteúdo é acessado da mesma forma, sem distinção.

Imaginar um cenário diferente disso é fácil. Pensemos, pois, em um plano especial de vídeos. Quem quiser ter acesso ao Netflix e YouTube pagaria, digamos… R$ 20 a mais na fatura. Ou um plano básico, que dá direito apenas a e-mail, Facebook, Twitter e YouTube, por uma mixaria. Quer jogar? Olha aqui o plano Gamer Ultimate Plus, com acesso privilegiado ao Steam, League of Legends e, de graça, um joguinho por mês. Custa só R$ 120 e dá direito àquele plano básico ali de cima na faixa.

O que se tem atualmente é uma Internet similar à Dona Justiça: cega, que não faz distinção acerca do que o usuário pede. Parece o ideal, certo? É para mantê-la assim que os defensores ferrenhos da neutralidade brigam tanto pela aprovação do Marco Civil. Mas há desdobramentos que extrapolam os (sempre perigosos) discursos extremados entre defensores da liberdade absoluta e os das teles.

Quem já compartilhou uma conexão com colegas ou familiares folgados sabe como é. Basta que alguém abra o YouTube ou o BitTorrent e a rede se torna imprestável: não há conexão que resista a serviços que consomem muita banda. O fornecimento de Internet é como uma rede doméstica, só que em um nível maior. Todos os usuários de um provedor compartilham os mesmos tubos de acesso. Pode ser meio chocante para você, mas a conexão, embora não dê para pegar e guardar em um pote na estante, é um recurso finito.

A redação do Marco Civil impede qualquer tipo de distinção do tráfego mesmo quando esse tipo de intervenção beneficiar a maioria dos usuários. Exemplo clássico: aeroporto. Nesse e em outros locais com grande concentração de pessoas o acesso à rede móvel fica seriamente prejudicado pela demanda. Como falta esse senso de finitude da Internet à maioria, dois caras acessando o YouTube dali atrapalham todos os outros que só querem fazer tarefas mais leves e muito mais importantes, como verificar o e-mail antes do voo e abrir o cartão de embarque no smartphone.

O serviço dos provedores que atuam no Brasil, principalmente os de conexões móveis (3G/4G), é ruim? Sim, mas poderia ser pior. Ou, com mais flexibilidade, melhor. É natural a desconfiança — anos liderando rankings de reclamações não deram a eles uma reputação exatamente boa –, mas o engessamento da neutralidade da rede pode trazer consequências indesejadas também. Com o acesso igualitário para todo e qualquer serviço, talvez a demanda suba e, com ela, os preços também. E aí o que era para ser benéfico ao povo pode acabar criando mais barreiras para o acesso universal.

Pesa a favor das teles, ainda, o histórico. Em quase duas décadas a oportunidade de fragmentar a rede para cobrar mais esteve sempre aí. E o que aconteceu? Nada. Nenhum provedor jamais recorreu a ela. Talvez não seja vantajoso, talvez a queimação de filme não valha os ganhos potenciais que fragmentar a Internet trariam. As queixas de traffic shaping, que vez ou outra assolam alguns provedores nacionais, são bem ruidosas e mancham a reputação de certos nomes. Quem aí não xinga a mãe do dono do provedor tal quando, mesmo com um plano de 200 Mb/s o YouTube se arrasta para carregar vídeos em 140p? Qualquer um. Mas pense maior que isso: será que sem o traffic shaping outros serviços não seriam prejudicados a ponto de dificultar a realização de tarefas simples, como acessar o e-mail e entrar em sites de notícias?

Alguns ativistas pró-Marco Civil citam cenários apocalípticos para defendê-lo; não é por aí. Ter a empatia de entender o lado de quem fornece o acesso é um passo importante para que a discussão caminhe no sentido de chegar a um consenso do que é bom para a maioria. Talvez fosse o caso de as operadoras começarem a fiscalizar e colocar em prática as restrições de banda contratuais — aquela quantidade tal de tráfego mensal que, pelo menos entre os provedores residenciais, nunca é levada a sério. Tratamento isonômico da conexão pela qual quem usa mais, paga mais. Talvez. O debate não exaure aqui e, como todos os outros pontos desse deve ter nuances que merecem ser explicados.

Neutralidade ou 0800?

Não é só na ponta do acesso, na relação provedor-cliente, que a ausência de neutralidade pode gerar consequências. Uma outra prática é potencialmente mais danosa à livre concorrência na Internet que qualquer tentativa de fragmentação do acesso por parte dos provedores. Aliás, talvez essa seja a prática a ser combatida.

Grandes sites podem chegar a acordos com os provedores para priorizar suas ofertas em detrimento dos concorrentes. A Netflix pagou uma grana boa à Comcast para servir seus clientes decentemente, mas nada impede que, nesses mesmos termos, um serviço que compita com ela pague ainda mais ao provedor para ter mais banda disponível e, consequentemente, qualidade superior.

Posto de outra forma, esse tipo de acordo pode gerar vantagem artificiais e injustas.

Apresentação do Sponsored Data, da AT&T.
Foto: JeanCarl Bisson/30 Days of Travel.

Parece loucura? Sim. Mas o mais maluco é que esse tipo de coisa já acontece. Em vários países, inclusive no Brasil, Facebook e Twitter têm acordos com as operadoras móveis para fornecer aos usuários acesso gratuito a seus serviços. O Bradesco entrou na onda, levantando mais questionamentos sobre o ferimento da neutralidade. Nos EUA, a AT&T estendeu a ideia e a empacotou para empresas interessadas. O sistema, batizado lá de Sponsored Data, já é usado por uma empresa de planos de saúde, outra de publicidade móvel e uma última de soluções de comércio móvel.

Isso afeta a neutralidade? Há entendimentos nos dois sentidos. Entre os que não veem nada errado nisso, o raciocínio é de que essa oferta equivale a um 0800, a um SAC das empresas que ingressam em programas como o Sponsored Data. O problema é que isso causa um desequilíbrio na concorrência. Se, apropriando-se de um exemplo que li recentemente não me lembro onde, o Google tivesse bancado a banda do Google Videos quando o YouTube despontou, qual seria o site de vídeos mais popular do mundo hoje?

O caminho que falta

A neutralidade é um assunto delicado e demanda muita reflexão e debate. Sim, ainda mais reflexão e debate. A redação final do Marco Civil da Internet mitigou o receio dos defensores da Internet livre e previu explicitamente, no caput do artigo 9º, o tratamento “de forma isonômica [de] quaisquer pacotes de dados, sem distinção por conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicação”. Uma vitória para quem defende a neutralidade absoluta.

Em comunicado à imprensa, o SindiTelebrasil, sindicato nacional que representa as operadoras de telefonia, disse ter “recebido positivamente” a aprovação do Marco Civil, “mesmo não sendo em sua totalidade a proposta que o setor considera ideal para a sociedade”. Ele reitera a manutenção, nos termos da nova lei, de serviços já oferecidos, como os acessos gratuitos a redes sociais, projetos educacionais e ao que o sindicato se refere nominalmente como “Internet 0800, em que a conexão é paga pelo site que está oferecendo o serviço”. Tipo o Sponsored Data da AT&T nos EUA, uma oportunidade saborosa para grandes corporações, com muita grana em caixa, acelerar a adoção de serviços, de atropelar concorrentes menores e, quem sabe, até melhores.

O próximo passo é a aprovação no Senado, onde o texto poderá receber alterações e será debatido novamente e, depois, a sanção presidencial. O artigo 9º dependerá de regulamentação pela Presidência via “determinação constitucional fiel à execução da lei” (seja lá o que for isso) e, na redação final, entrou a necessidade de consulta à Anatel e ao Comitê Gestor da Internet para tanto. As exceções à neutralidade serão, exclusivamente, para “serviços de emergência e aos requisitos técnicos necessários à prestação adequada dos serviços”, e sempre com transparência e avisos prévios aos consumidores.

É sempre salutar lembrar que o Marco Civil da Internet trata de outras questões além da neutralidade. E também que ele é, para todos os efeitos, uma espécie de lei de base, que não tem caráter punitivo e que pretende apenas dar diretrizes básicas ao acesso à Internet no país. Apesar disso, alguns artigos são decisivos para moldar o futuro da rede por aqui, um deles o da neutralidade.

A sensação que se tem é que uma vitória foi conquistada, mas a que preço? Um dos princípios constitucionais, o da isonomia, diz que deve-se tratar os iguais na medida da sua igualdade e os desiguais, na medida da sua desigualdade. Ao promover a neutralidade absoluta, parece-me que nos distanciamos disso e damos à Internet termos rigorosamente idênticos para todo mundo. A neutralidade é importante, sim, mas não é uma questão simples, direta, como a maioria pinta por aí. Resta saber como ela funcionará na prática, mas só testemunharemos isso depois da sanção presidencial. Ainda vai demorar.

Agradecimentos ao Pedro Burgos pela orientação e à Nadiajda Ferreira pela revisão. Foto do topo: Amauri Teixeira/Flickr.

Compartilhe:
  • Cesar

    Esse foi o mais neutro artigo sobre a neutralidade da internet. Parabéns

  • Rafael

    Guedin, você poderia dar um exemplo de como a neutralidade poderia levar a um aumento da demanda. Não conseguiu visualizar tal cenário.

    • Gabriel

      Cada vez que você usa a internet , consome uma certa quantidade de mb, por exemplo loga no facebook consome 5 mb(não sei ao certo, e só um exemplo),a internet não e algo infinito então possui uma certa quantidade de mb por segundo(e claro que as operadoras iram melhorar a quantidade) e envia para seus clientes, agora imagina que 100 pessoas vejam um vídeo de 5 minutos no youtube que consuma 30 mb (cada uma)e essa operadora envie 3000 mb por segundo(e muito mais que isso na real) você que gasta 5 mb não teria essa quantidade pra gasta, pois o mb enviado por segundo teria sido usado pelas outras pessoas, as operadoras(principalmente 3g cujo a quantidade e mb e mais limitada) terá que suporta a quantidade e mb pedido pelo mercado, pois ela será obrigada a entregar a quantidade de mb que você pagou por segundo não por totalidade pois agora você taria pagando pela quantidade de mb entregue por segundo, não mais a quantidade que você usara num mês, então mais pessoas usaram mb pois você não terá mais um limite de mb, então a demanda sobe.

  • Tive discussões em alguns foruns por ai sobre o assunto… levanto a mesma bandeira que a tua.

    O pior é a propaganda completamente errada que os grupos radicais pró neutralidade fazem…. e como ninguém pesquisa, cai como um patinho. Sabe aquela coisa de demonizar as teles (que ok, não são santas) para criar um inimigo? Então.

    Outra questão é que querem usar o Marco Civil para tratar um assunto que compete somente a Anatel que é a qualidade do serviço.Como a Anatel não fiscaliza corretamente, sobra pra lei. Se o nosso serviço de redes moveis fosse melhor ninguém estaria reclamando de qualquer medida técnica que garante qualidade de serviço… seria menos percebida e reclamada.

    • Assunto complicado mesmo.

      Se as teles não puderem tratar de forma diferenciada e muita gente começar a assistir tudo em streaming 1080p, a banda vai ser consumida rapidamente e eles precisarão aumentar a estrutura, gerando custos e consquentemente aumento de preço.

      Se houver a liberdade de segurar a banda de quem assiste streaming (ou baixa torrent, por exemplo) para não engolir a rede, menos estrutura precisa ser criada para continuar atendendo bem todos os demais clientes que demandam menos.

      O grande receio é de que dando liberdade para esse tipo de mudança (coisa que elas já tinham, mas a prática tem mudado como o caso Netflix demonstra), o resultado seja conexão mais cara ainda do que já temos hoje.

      O que pode ser feito, e creio que o Marco Civil não barra, é realmente aplicar a limitação de tráfego mensal. Como usuário também acho ruim, mas pode ser necessário para não aumentar o preço. 10Mb/100Gb de tráfego por mês? Quer mais, paga mais, quer ilimitado, paga mais ainda…?

      • Vagner “Ligeiro” Abreu

        Tem um problema aí nesta argumentação.

        Boa parte das novas tecnologias já fazem o usuário querer usar de qualidades acima do Full HD. E estas tecnologias chegam rápido às camadas mais “baixas” de consumo. De uma forma ou de outra, já se faz necessário uma ampliação e melhoria de capacidade de transmissão, sem influência de controle de limite de tráfego.

        Fico pensando aqui, que ideias podem ajudar a melhorar as tecnologias de transmissão? Talvez, o fato de existir o pré-conceito de neutralidade de rede seja justamente imaginar que com a evolução tecnológica rápida, no futuro, haverá mais sobra de comunicação do que falta. A lei pode ficar pronta para futuras tecnologias de 1 Gbps direto ao cliente ou mais.

        • O argumento não exclui ou ignora a evolução da tecnologia. Espera-se que investimentos em infraestrutura sejam feitos para lidar com o incremento na qualidade (e tamanho) dos arquivos que transitam na Internet. Há 10 anos ninguém assistia vídeo por streaming, e nem se quiséssemos existia tecnologia e estrutura para aguentar as demandas de hoje.

      • Amaranto Júnior

        Esses planos ilimitados, ao menos de internet fixa doméstica, são recentes. Sempre houve um limite para download. As Teles criaram os ilimitados, ainda que por uma necessidade do mercado.
        Eu sou de SP e nunca enfrentei traffic shopping da nossa querida telefônica e agora da NET.
        Mas muitas pessoas sofrem com isso.
        O traffic shopping chega a ser desumano, pois limita o que você faz na internet.
        Acredito que o mais correto, se é para se proteger a infra estrutura da rede, é um limite global para download, como sempre existiu e há nos planos móveis.
        Entretanto, devem ser limites e preços compatíveis, e é ai que eu tenho medo.

      • joão paulo

        Vocês estão é a favor das empresas de letecomunicações. Tõ fora!

    • Alex

      Falar que a Anatel não fiscaliza é falta de conhecimento, as teles tem que passar um relatório mensal para a Anatel com base nas pessoas cadastradas no programa de Aferição de Qualidade da Banda Larga esse serviço gera multa e das grandes para as teles mas como poucas pessoas sabem o site fica fazio e as teles tem como priorizar o atendimento a certas areas onde tem mais gente cadastradas, se cadastra no site e veja como em 2 meses a sua internet vai melhorar http://www.brasilbandalarga.com.br/index.php/.

  • Alessandro

    Eu acredito que uma fragmentação dos serviços de acordo com o consumo seria mais assertivo. Isso porque ficaria mais fácil de programar investimentos de acordo com a base de clientes e etc… Aguardemos o que farão no senado.

    Ótima matéria. Parabéns.

    • joão paulo monteiro

      As empresas de telecomunicações só querem o bem da sociedade, não devemos duvidar disso!

      • joão paulo monteiro

        Vocês estão a favor das teles e contra a sociedade.

  • Paulo Alcantara

    O maior problema de qualquer lei no Brasil é justamente a falta de discussão. Os lados interessados manipulam a massa a seu bel prazer, e nós temos sempre os apaixonados por uma proposta, e os detratores de uma proposta. Não existe dialética, não existe discussão, existe apenas a defesa apaixonada de um lado ou outro. Foi a mesma coisa com o Estatuto do Desarmamento, e agora nós estamos vendo isso se repetir. Com um agravante: dessa vez não teve consulta popular, apenas os nobres deputados tentando “destrancar” a pauta, e todos os interesses eleitorais do ano em jogo. Nossos direitos á serviço dos políticos, e não a nosso favor. Uma pena.
    Excelente artigo, Ghedin, muito esclarecedor e levantador de dúvidas.

  • Excelente texto!!! O mais coerente até então, ainda mais em oposição a questão da neutralidade. Porém, eu sou a favor, sim, da neutralidade. Vamos lá, vou dar a minha opinião sobre coisas que vivenciamos.

    Sem a neutralidade imposta por lei, aqui para mim iria continuar acontecendo absurdos como o de contratar uma internet de 3mbps e não conseguir ver vídeo no Youtube em 360p. Se você reclama, eles dizem que para vídeos na internet eu preciso de uma internet melhor.. e pasmem.. eles oferecem pacotes de R$599 mensais. Espero que esse seja o “ideal para vídeos na internet” pelo menos.

    Mas eles não anunciam pacotes diferenciados, apenas limitam e pronto. Tanto que se eu usar um servidor próprio, mandar salvar o vídeo em MP4 do Youtube e reproduzir por lá, roda que é uma beleza.

    Concordo com você em vários pontos, isso pode realmente encarecer o serviço, deteriorar a qualidade e tudo mais. Mas entendo que ao subir os preços, o brasileiro irá reagir e buscar alternativas pois dói no bolso. Mas esses mesmos brasileiros não fazem a menor ideia que uma conexão de 3mpbs é, sim, suficiente para ver vídeos e o valor de R$140 mensais que ele paga já deveria possibilitar isso.

    Motivos para concordar com uma imposição de neutralidade por lei: essas empresas fazem o mínimo possível, somente para estar dentro da lei. Quantas vezes já não ligamos para reclamar da qualidade do serviço e ouvir “Senhor, não posso fazer nada. Estamos dentro da lei e oferecemos o mínimo de 10% da sua velocidade”. Queria uma lei que me permitisse pagar apenas R$14 (10% da mensalidade) também.

    De uns anos pra cá as coisas aqui começaram a mudar, a Velox está presente (oferecendo apenas uns 50% do que é contratado, mas já é um avanço). Mas temos caso de internet 5G, a primeira no Brasil… quiçá do mundo! Mas ela nada mais é do que uma internet (que não fala sobre velocidade) com o limite de apenas 5gb de dados mensais. E precisa de contrato de um ano hein!

    Você deve estar pensando que moro no Acre ou algo do tipo né? Não, moro no Vale da Eletrônica. Uma região mineira que concentra várias pequenas empresas de tecnologia, de onde saiu e ainda sai muitas pesquisas importantes para o avanço da tecnologia do Brasil.

    Mas se as empresas daqui apoiam em leis para oferecer serviços, eu gostaria sim que a Lei fosse mais justa. E infelizmente não há referencias sobre qualidade do serviço, porque (novamente) eu não tenho a opção de pagar o real valor do que eles me fornecem.

    PS: Qualidade deveria ser fiscalizada pela Anatel, concordo totalmente. Mas sem lei que determina algo, como você pode recorrer? As empresas daqui nunca infringiram a lei, mas nem por isso meu serviço de internet foi bom ;)

    • Gustavo, seus pontos são importantes e revelantes. E, neles, consigo enxergar saídas que não dependeriam, de certa forma, de um Marco Civil.

      Sobre o YouTube, tenho comigo que concorrência é um ponto imprescindível para elevar a qualidade do serviço. Não sei se aí você tem opção a outra operadora, mas aqui, no interior do Paraná, em várias cidades temos até três: NET, GVT e Oi. A GVT entrou de sola por aqui e mesmo no plano mais básico (5 Mb/s; menos alguns anos atrás) sempre foi possível assistir ao YouTube de boa. Esse lance de 10% é lenda aqui (e um absurdo, claro); sempre consigo a velocidade contratada. Ainda ouço reclamações sobre a NET, mas bem menos do que antigamente.

      O outro, é a Anatel. Fosse um órgão forte e que cumprisse seu papel dentro do esperado, talvez essa questão de neutralidade e qualidade do acesso nem estivesse em pauta. É triste ver situações chegarem ao extremo, como a conexão móvel, para que medidas como a interrupção das vendas de novas linhas sejam tomadas.

      O Marco Civil da Internet pode ser uma boa e resolver esses problemas, mas repito: eles nem precisavam ser problemas a essa altura se todo o resto funcionasse dentro do esperado.

      • Gustavo

        Com certeza! Concordo plenamente com você nesse sentido. Me entristece muito saber que no Brasil precisamos de lei para garantir a qualidade minima por um serviço caro.

        O problema maior é que no Brasil, empresas sabem que “podem nadar de braçada”, seja por medo do Governo (no sentido de não fica com má fama de gestão) ou seja por meio de corrupção. Vide exemplos como a lei dos airbags e ABS. A industria ameaçou aumentar o preço dos carros para mais de R$40.000, depois ameaçou cortar um número grande postos de trabalho. Hoje o que vemos? Carros de menos de R$30.000 com airbag e ABS como era antes.

        Pra ser muito sincero, se o Brasil tivesse outra cultura com relação a empresas e consumidores, eu talvez nem me importaria com a questão de neutralidade. Mas o que aconteceu nos EUA onde a neutralidade foi quebrada sim, porém com acordos para garantir qualidade de serviço, aqui no Brasil seria usada para diminuir investimentos e lucrar o máximo possível. Gostaria muito de estar errado, mas é o que vemos por ai com as teles.

        Parabéns a comunidade do Manual do Usuário! Sinto prazer em poder debater este assunto de maneira tão cordial, mesmo tendo cada um opiniões diferentes.

  • Pingback: O PESO DE CADA UM DE NÓS |()

  • Henrique Bonfim

    Ótimo texto. Sem dúvida o melhor que já li, até agora, sobre o assunto.
    É realmente uma situação bastante delicada. Você está certo ao dizer que, sem ter como diferenciar o acesso, as operadoras/provedores terão uma grande dificuldade em ofertar conexão contínua e de qualidade para uma determinada região, contudo, isso tb permitiria às mesmas a cobrança diferenciada, o que talvez seja uma boa forma de equilibrar a balança, desde que, cobrado de forma decente (o que sabemos, aqui no Brasil, é quase impossível).
    Também os usuários precisam ter maior consciência de como os serviços funcionam, eu tenho dois computadores, dois smartphones todos conectados à uma só conexão (redundância) e, entendo muito bem que se tiver os dois computadores baixando torrents gigantescos, enquanto os smartphones assistem à vídeos no YouTube a conexão cairá. Contudo, boa parte das pessoas não têm essa visão, achando que o provedor deve entregar a mesma qualidade de conexão mesmo que vc tenha 10 dispositivos conectados.

  • Amaranto Júnior

    Concordo com os argumentos do texto, que, aliás, é excelente.
    Mas, sou a favor da neutralidade sim, muito mais por causa da cultura brasileira de levar vantagem em tudo, a qual é muito mais forte em grandes empresas.
    Para nós, usuários domésticos, a neutralidade sempre foi garantida pelo código de defesa do consumidor, que estabelece a proibição de limitação os uso de produtos e serviço. Com base nisso o traffic shopping sempre foi proibido.
    Já para quem exerce atividade empresarial, há uma mudança.

  • Bruno

    Ótimo texto Rodrigo. Muito informativo e imparcial, sempre procurando abordar os argumentos contrários e a favor.

    Abraço.

  • Estou meio sem entender, que no caso de abusos na internet, a quem cabe a fiscalização e/ou reclamação… enfim que órgão estará responsável por fiscalizar a internet?