Capa do livro Os Inovadores, de Walter Isaacson.

Os Inovadores, de Walter Isaacson: Uma biografia da revolução digital

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9/7/15, 10h32 4 min 52 comentários

Existem histórias que marcam tanto que ganham variações, versões apócrifas, viram lendas. A computação, embora não pareça à primeira vista (o que sai de números, transístores e nerds?), está cheia delas. No livro Os Inovadores (Companhia das Letras, 2014), Walter Isaacson escreveu a biografia da computação de uma forma pé no chão e, ao mesmo tempo, interessante.

Isaacson, conhecido pelas biografias de Steve Jobs, Albert Einstein e Benjamin Franklin, revela na introdução d’Os Inovadores que em certo ponto quis deixar as histórias de indivíduos de lado para contar as de trabalhos em grupo, de avanços coletivos. Ele começou focando nas equipes que inventaram a Internet, mas após entrevistar Bill Gates, co-fundador da Microsoft, este o convenceu a expandir o assunto à do computador. As máquinas de computar e as grandes redes, como a história nos conta, foram dois avanços concomitantes que demoraram a se cruzarem, mas que quando enfim se juntaram, revolucionaram o mundo.

Linha do tempo do livro Os Inovadores.
Linha do tempo no início do livro.

O livro é muito feliz em ressaltar aspectos da revolução digital que, muitas vezes, os maiores fãs renegam. O próprio conceito de iterações e pequenos avanços coletivos, por exemplo. É fácil encontrar alguém que exalte o trabalho de um Steve Jobs, ou de Tim Berners-Lee, mas esses e todos os demais inovadores retratados beberam de fontes anteriores, aproveitaram o clima e oportunidades dos seus momentos, criaram em ambientes quase sempre colaborativos. As maiores empresas da Internet não seriam nada sem os engenheiros e pensadores que, há décadas, criaram os protocolos abertos e interoperáveis que mantêm a rede de pé e receptiva até hoje a qualquer coisa que “fale” TCP/IP.

Outras características comuns nos personagens d’Os Inovadores são a harmonia entre personalidades analíticas e as mais ligadas à arte, uma simbiose que supre as lacunas inerentes a todos nós e viabiliza grandes ideias e negócios; e a importância do mix que engloba formação, incentivos na infância, localização geográfica, timing e alguns outros que, isolados, parecem não dizer muito, mas são essenciais à inovação. Não basta só ser bom, é preciso um pouco de sorte.

Isaacson parte das primeiras ideias de uma máquina de calcular analógica e rudimentar, a Máquina Analítica de Charles Babbage, e a imprescindível assistência de Ada Lovelace, que em suas Notas sobre a máquina, antecipou características marcantes de computadores eletrônicos, digitais e reprogramáveis que só seriam possíveis mais um século depois.

Todos os grandes da história, como Vannevar Bush, Alan Turing, Claude Shannon, John von Neumann, Grace Hopper, Robert Noyce e Gordon Moore, J. C. R. Licklider e Douglas Engelbart, para ficarmos até o início dos anos 1960, aparecem no livro. A história avança, com seus vários personagens, intrigas e reviravoltas, até a criação da Wikipédia, em 2001, e guarda o finzinho para debater inteligência artificial com base no Watson, o supercomputador da IBM.

Interior do livro Os Inovadores.

Mais de 500 páginas.

Os Inovadores passa das 500 páginas, e poderia ter mais. O livro é um passeio por uma história tão rica em detalhes, e conduzido de tal forma que nos faz perceber o papel de cada um sem os exageros das adaptações ao cinema, nem a objetividade seca de uma entrada da Wikipedia. Não me incomodaria de ter mais algumas dezenas delas para ler. É, de fato, “uma biografia da revolução digital”, onde o protagonista não é alguém, mas o trabalho colaborativo de pessoas que, ainda que por motivos e em circunstâncias diferentes, vislumbraram com décadas de antecedência o mundo em que vivemos hoje.

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  • Ótima resenha!

    Ainda vou arrumar tempo pra ler esse.

    PS: Como é bom que ainda tem gente que usa livro físico nessa enxurrada de mobis, epubs e pdf atuais.

    • Sou bem pragmático quanto a isso, ou seja, não ligo de ler e-book. Nesse caso, comprei de papel porque estava mais barato. E fica mais bonito nas fotos, né? :)

      • também não faço tanta questão. é pq não adianta, livro físico tem um q a mais.

      • Marcos Balzano

        Fica difícil fazer a conta fechar, imagino como deve ser custoso produzir um ebook em relação aos livros físicos, já que eles já são feitos assim, e todo o custo de produção + manufatora + frete é algo muito oneroso e demanda muito tempo…

    • Fabio Montarroios

      estou vendendo todos meus livros impressos pra ficar só com o digital…. ficar carregando livros por aí, não. tenta carregar na mochila “as benevolentes” e “vida e destino”… os livros impressos são excelentes, tanto q fico com as edições muito especiais impressas, mas, no geral, é bem melhor o digital. sem falar q poupa as árvores, a distribuição maluca por livrarias etc.

    • Fabio Montarroios

      e as bibliotecas, mesmo q parecendo contraditório, terão ainda mais importância no futuro, já q serão as únicas a guardarem os livros em formato impresso… e fica uma homenagem a elas e aos livros impressos: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2015/07/1652715-praia-na-china-abriga-a-biblioteca-mais-isolada-do-mundo.shtml

  • Ranner Barbosa

    Meu professor passou alguns capitulos esse semestre na matéria de “midias digitais”, gostei de tudo que li, recomendo.

    • Dê os parabéns ao seu professor. Ótimo material :)

  • EduardoHanzo

    hahahahah inovação e steve jobs no mesmo contexto, até quando.

    mal posso esperar pra daqui a 50 anos quando o sistema de produção tecnológica erguido no trabalho de escravos que ele fomentou tiver sido superado e a percepção publica veja o jobs como o monstro que ele foi. sabe hitler (yes, I went there), amado pelo povo enquanto vivo mas repudiado no futuro? pois é.

    • Hixa

      Quê?

    • Explica melhor isso aí, @EduardoHanzo:disqus.

    • Gedson Junior

      Quem tu acha que faz a roupa que tu usa? Não é só a Apple que usa a mão de obra quase-escrava nos seus produtos.

    • Fabio Montarroios

      mano, acho q colocaram outro tipo de cogumelo no seu estrogonofe.

    • Carlos Gabriel Arpini

      Assim como a Nike, a Sony, a Samsung, a Adidas, a LG, e qualquer indústria de larga escala? Explica isso aí @EduardoHanzo:disqus…

  • Marcos Balzano

    Ghedin, vai abrir o post-livre hoje?

    • Amanhã, as usual. Hoje é feriado só em São Paulo :)

  • Sendo pedante: a percepção de “inovação” ficou bastante focado no form-factor dos produtos, ignorando enormemente a questão técnica que hoje está bem madura. Os geeks de hoje acham que fazer um SO mais leve, um processador mais eficiente ou qualquer melhoria incremental é nada mais que “natural”. Protocolos, arquiteturas de processador e padrões novos não é cool né?

    Por mais que eu compreenda essa dinâmica por serem novidades acessíveis, me incomoda como isso também está endeusando as empresas de tecnologia e seus CEOs. A computação teve muito de sua base e evolução justamente na colaboração, os padrões como IBM-PC, TCP/IP e Unix que possibilitaram o avanço rápido e acessível…hoje isso tem pouquíssimo valor em geral. No cenário dos anos 90, com Microsoft vendendo software porcaria e praticando monopólios que atrapalhavam o dia-a-dia, esse lado mais básico da tecnologia recebia mais atenção dos geeks.

    Me sinto hipócrita falando isso de um Mac, mas enfim haha

    • Marcos Balzano

      Isaacson é um autor de best-sellers, logo, não consigo imaginar um aproach bom o suficiente para abranger essa parte mais teórica de maneira leve o bastante para agradar o público dele. Não se esqueça que a base do MacOSX é o Unix.

      • Eu gostei bastante da abordagem dele. Conseguiu ser didático, entreter e informar, tudo ao mesmo tempo. Não sei se foi a intenção, mas pelo comentário pareceu que ser “autor de best-seller” é algo… ruim?

        • Marcos Balzano

          Perdão, digo isso pois, sendo “autor de best-seller” ele tem muita preocupação com o conteúdo dele, e como ele é visto por seu público, e por isso, ele vai evitar entrar em muito detalhe nas áreas mais técnicas que deram esse “boom” da era digital. Veja, nada contra, inclusive apoio muito, para que cada vez mais pessoas saiam da escuridão do conhecimento, mas eu estava apenas esclarecendo o porque da abordagem dele.

          • Ah sim, definitivamente não é um livro técnico — embora ele aborde conceitos básicos de cada inovação, e de um jeito bem didático. Está mais para um bom livro de história :)

      • Ah, não estou criticando o trabalho do autor, pela resenha do @ghedin:disqus o livro se preocupa em reconhecer o papel desse pessoal do “back-end”. Eu não li o livro, só estou comentando a mudança de comportamento que observei nesses últimos 20 anos entre os geeks.

        O OS X é justamente algo que foi construído sobre a base sólida do FreeBSD e, como todos os novos SOs, se beneficiou da ascensão da internet que popularizou web-apps e reduziu enormemente a dependência do Windows.

        É claro que sem a competência da Apple isso não resolveria, vide o market-share do Linux, mas acho que a gente perdeu o “awareness” de como essa tecnologia básica é relevante para dar suporte aos superstars como Steve jobs e Bill Gates.

        • Marcos Balzano

          Muito da presença do Windows recai na facilidade de uso básico, e hoje em dia, em sua homogenia nos desktops/notebooks, o Linux ficou muito tempo dependo de linhas de comando para fazer o sistema funcionar, algo que é uma barreira para entrar no mainstream, onde se faz a grana, e hoje em dia, o povo fica relutante para testar novos SOs. Vejo o trabalho que tive para ensinar minha família à aderir ao OSX, foram meses de luta e tutoriais via TeamViewer, hoje uso tanto o linux(OpenSUSE e Kalil) quanto o OSX e o Windows7. Outro exemplo mais localizado é o “sucesso”(ponho entre aspas pois, acho muito esquisito) do Hugo Barra. Sobre o Awereness ponho a culpa na Apple, sim apontei o dedo, dada as KeyNotes deles feitas sobre o comando de Jobs que deram muito holofotes para ele seus similares, e no caso de Bill Gates, hoje ele é sinônimo de $$$$$$$, o cara mais rico do mundo é popular em qualquer lugar, e sempre sobra algo para falar.

        • Marcos Balzano

          Muito da presença do Windows recai na facilidade de uso básico, e hoje em dia, em sua homogenia nos desktops/notebooks, o Linux ficou muito tempo dependo de linhas de comando para fazer o sistema funcionar, algo que é uma barreira para entrar no mainstream, onde se faz a grana, e hoje em dia, o povo fica relutante para testar novos SOs. Vejo o trabalho que tive para ensinar minha família à aderir ao OSX, foram meses de luta e tutoriais via TeamViewer, hoje uso tanto o linux(OpenSUSE e Kalil) quanto o OSX e o Windows7. Outro exemplo mais localizado é o “sucesso”(ponho entre aspas pois, acho muito esquisito) do Hugo Barra. Sobre o Awereness ponho a culpa na Apple, sim apontei o dedo, dada as KeyNotes deles feitas sobre o comando de Jobs que deram muito holofotes para ele seus similares, e no caso de Bill Gates, hoje ele é sinônimo de $$$$$$$, o cara mais rico do mundo é popular em qualquer lugar, e sempre sobra algo para falar.

          • Nesse ponto que entrou a competência da Apple: o Linux nunca conseguiu se tornar uma plataforma acessível para usuários comuns. Tem um pouco de culpa da Microsoft que tinha uma força desproporcional na época do Windows 9x (Winmodem era o capeta), mas poderiam ter melhorado muita coisa antes.

            Ah sim, o Steve Jobs é o rei da “inovação”, mas o problema não é ele saber se vender e sim o povo comprar haha

      • Fabio Montarroios

        acho q vc sabe q o issacson é autor da extensa biografia do einstein, certo? steve jobs o procurou para ser seu biógrafo qdo ele ainda estava dedito na biografia do einstein e, numa conversa entre os dois, steve jobs, disse ao saber da ocupação do isaacson: “então vc é o cara certo para ser o meu biógrafo”. daí o isaacson ficou cabreiro e disse: “espera, vc não está se comparando ao einstein, certo?”. presumo q, intimamente, steve jobs se achasse mesmo um gênio singular, apesar de, a meu ver, ele não ser um gênio, pelo menos não da linhagem, por assim dizer, do einstein, mas sim um excepcional “homem de negócios” (algo próximo de um thomas edson, mas com menos crédito comigo, já q o iPhone não representou uma revolução similar nos modos e costumes de modo generalizado como foram as invenções do thomas edson). pensar a teoria da relatividade, sei lá, coloca einstein num panteão incomparável àqueles q produzem as coisas todos usamos hj, apesar da importância q isso tem talvez ser mensurada como sendo algo maior pelas gerações atuais do q pensar questões relacionadas a astrofísica e tal… biografias sempre fizeram sucesso e ele ser autor delas não deixa de ser um filão q ele explora bem… o fato de vender bem tem relação com a escrita eficiente e o biografado. presumo q a biografia do einstein tenha vendido bem, mas bem menos, q a do steve jobs. vi seu comentário mais abaixo, q vc não faz uma crítica aos best-sellers, mas é um discussão interessante tendo em vista o biografado. eu, sinceramente, percebo q essa biografia foi um daqueles best-sellers q venderem pra caramba, mas poucos leram… o stephen hawking tb é autor de um best-seller, mas a maioria não avançou nada na leitura, justamente por ser um livro denso. se o livro dá destaque a outros inventores (prefiro a palavra inventor, clássica mesmo q associada a malucos q inventam coisas inúteis, q inovador, q é mais da área de administração, burocrática, portanto) como o ghedin diz, aí sim, pq, convenhamos, steve jobs e bill gates não tiveram o mesmo destino de uma marie curie… e devemos muitíssimo a essa senhora!

        • Marcos Balzano

          Steve Jobs, Bill Gates, Linus Torvalds são pessoas excepcionais de fato, Gates foi o grande “facilitador” da acessibilidade do PC, Steve moldou os dispositivos móveis após um período, pequeno quando se estuda história, mas longo na nossa “atmosfera”, tanto é que foi o iPhone, não foi o primeiro touch, mas foi o primeiro a fazer funcionar direito um smartphone sem teclado, algo antes inimaginável, e depois de novo com o iPad, e ja ia me esquecendo do iPod, coisas que de fato marcaram nossa história e tem dado um novo rumo, talvez a história o considere um gênio assim como Gates e Torvalds, mas cada um em seu mérito e área, talvez não, isso só saberemos em algumas décadas. Assim como o Facebook é história, e de como ele fez uso da globalização para se tornar algo onipresente em sociedades com inclusão digital. Só faço um adendo, Jobs não inventou nada, apenas recriou a ideia com sua mente brilhante de ter o insight para tal, e conseguiu definir novas categorias de consumo e conseguiu matar companhias multi-bilionárias que eram donas de mercado com hum produto, algo que ao meu ver, tem seu tom de genialidade. E acho que ele junto de outros, assim como no período do fim do século 19 e começo do 20, tivemos grandes descobertas e “breakthrough”e “insights” neste começo de século que de fato mudaram totalmente nossas vidas.

          • Fabio Montarroios

            pois é, um livro dura séculos e séculos… um iphone dura qto (de modo utilizável)? uns poucos anos… eu, e pode ser birra minha ou mesmo desconexão com a realidade, mas não vejo uma mudança radical (e mesmo moderada) em nossas vidas com o advento do iphone… pq, esse e outros, são aparelhos pra vc usar, isso sim na grande invenção dos nossos tempos, a internet (q, diga-se, está pra sempre maculada, pq foi inventada para a guerra e não para a distribuição do conhecimento e da informação como nos fazem crer). e aí sim, o cara q inventou o tcp/ip tem muita moral comigo e nem sei quem é o fulano ou fulanos… :( abs.

          • Fabio Montarroios

            eu me lembro dessa capa nas bancas da av. paulista em 2007… eu acho q ela ainda não se concretizou. exceto, se vc falar, “os smartphones mudaram as nossas vidas?”… como eles não tem alcance generalizado, acho q ainda…

          • Marcos Balzano

            Meu ponto é dá ideia, que essa sim mudou muito nosso cotidiano e como nos relacionamos, sempre com a imensa ajuda da internet.Claro já haviam previsões do século XX de tais dispositivos, mas o fazer acontecer. São vendidos centenas de milhões de smartphones, e quase todos, tem como base o precursor, que foi o iPhone. Claro, um gênio como Newton pode estar entre nós hoje em dia, mas não ser ouvido hoje, mais em 50,100+ anos ele pode mudar completamente a ciência. Acho que você tem uma visão mais histórica, onde olha ao passado e vê o que realmente mudou o curso, já eu, estou vendo algo mais próximo, em relação ao tempo, coisa de décadas ao máximo.

          • Fabio Montarroios

            o seu ponto de vista é totalmente válido. muita coisa mudou sim, sem dúvida, e isso nem precisa ser eu quem vá te dizer, afinal, é um tanto óbvio, mas o q eu vejo mais é uma espécie de pressa (e isso é muito da imprensa) em bater o martelo e decretar as coisas… felizmente ou infelizmente não é assim q a coisa funciona se vc quer pensar o futuro de modo mais duradouro (aliás, é esse o grande mal dos nossos políticos, eles veem até a esquina só). há não muito tempo, a wired disse q web estava condenada, q iria morrer, bla bla bla. morreu, claro, tá mortinha, tanto q eles deram uma puta recauchutada no site deles deve ter sido pra fazer o velório ou algo do tipo…

            o problema não é nem tanto ver o steve jobs como gênio ou não (q eu não acho q seja o caso, mas eu tb não sei muito sobre ele além do pouco q li e vi, então, posso estar enganado), mas é q há coisas de relevância q essas figuras acabam eclipsando. se o livro do isaacson for no sentido de dar luz à inteligência coletiva do qual esses caras mais em evidência se beneficiam, ok, aí sim temos uma biografia da inovação/invenção no século xx e xxi. do contrário, choveu no molhado.

          • Marcos Balzano

            Sobre a Wired, o artigo faz bastante sentido, e realmente indica aonde estamos indo, menos na Web, e mais em apps. Mas o que pega é o título. Vejo um esforço enorme das gigantes da internet em tentar fazer os WebApps acontecerem, as que vejo com melhores olhos, são o Rust da Mozzila, e o WebAssembly, parceria do Google,Mozzila, Apple, M$, mas que ainda não decolaram. Resumindo, o HTML está sim morrendo, e ele está sendo substituído com os apps mobile, mas ainda vai demorar. O Flash que já devia ter ido há anos ainda está ai, imagine o tempo que vai demorar para o HTML ir embora. A questão da genialidade de Jobs, que é muito atribuída dado a popularidade dele, veja Tesla um gênio de fato, e sua baixa popularidade entre os leigos. Mas vejo as biografias tanto de Isaacson quanto de outros escritores, de pessoas que de fato mudaram algo, acabo retirando artistas biografados desta categoria dado a baixa importância num sentido coletivo, comparado à grandes personalidades como Einstein, “no sentido de dar luz à inteligência coletiva do qual esses caras mais em evidência se beneficiam”.

          • Fabio Montarroios

            Boa teoria, mas presumo q a web vá ter super longa sobrevida. Confesso, porém, ver ter dificuldade em ver a webweb totalmente suplantada pelos apps, imaginando um futuro cada vez mais escasso de recursos e acho q só vai sobrar e resistir o essêncial mesmo. Manja algum livro q fala disso ou viu algo sobre?

          • Marcos Balzano

            Lá para 2010 teve muito ruído sobre o fim da wb via HTML, dado o boom dos smartphones, mas falta literatura de boa qualidade sobre o assunto. O WebAssembly tenta dar uma sobrevida tendo maior controle na alocação de memória, algo que só se tem em apps nativos, logo, webapps mais fluidos.

          • O livro é feliz nesse sentido. Jobs tem seu “pedaço”, e um que é bem justo; para além do iPhone, iPod e da Apple colosso comercial dos anos 2000-2010, lá atrás ele já tinha ideias incríveis — foi dele a de entregar computadores montados e funcionais aos consumidores, em vez dos LEGO que só micreiro tinha saco e conhecimento para montar. Mas é isso, um pedaço do livro.

          • Fabio Montarroios

            Curiosamente aqueles pequenos computadores da Intel, acho q nucke ou algo assim, são como Legos e precisam ser todos montados… Apesar deles poderem vir montados inicialmente. Não sei se isso vai longe. Mas legal a resenha, Ghedin. Vou ler pra malhar o Steve Jobs com propriedade!

        • Isso é algo que eu nunca vi sentido comparar: Steve Jobs e Bill Gates pouco tem a ver com computação, Sergey Brin e Larry Page tem um pouco mais…mas não é por isso que eles são famosos. Não faz sentido comparar Alan Turing ou Dennis Ritchie com eles, muito menos Einstein, são competências bem distintas…é como discutir se Pelé foi mais gênio que Picasso.

          Como comentei, é normal que o Steve Jobs tenha mais apelo entre as pessoas por ser mais acessível a inovação: Blackberry era uma merda de usar, iPhone é bem melhor. O Turing desenvolveu uma máquina hipotética para resolver o problema da computabilidade (tudo na matemática tem uma prova possível?) que, depois, serviu de inspiração para uma máquina de uso geral. Nem o filme dele colocou essa parte da vida dele…então é claro que é algo que as pessoas não admirarão como um iPad ou iPhone.

          Não vejo problemas no Jobs ser mais famoso e endeusado por todos, assim como o Pelé é mais conhecido que von Neumann, a questão é que entre nós geeks os CEOs estão se sobressaindo demais em relação aos gênios da computação que contribuíram demais para a tecnologia.

          • Fabio Montarroios

            olá, gabriel. não vejo problema em fazer comparações. aliás, acho q comprar coisas aparentemente incomparáveis é pensar de modo intertextual. e vc deu um exemplo fabuloso: pelé ou picasso!? cara… isso é muito provocador, pq faz vc pensar em várias coisas pra tentar chegar a um resultado e eu diria q, no contexto nacional, o pelé foi mais “gênio” q o picasso, por conta da singularidade q tem o futebol na nossa sociedade do século xx. não dá pra explicar ou entender o brasil sendo um bufão e ignorando o futebol. a contribuição do pelé pra nossa civilização, perdoem-me os críticos de arte, foi maior (e presumo q zé miguel wisnick estivesse de acordo com isso). olha, e foi o próprio jobs q se considerou tão genial qto o einstein, então nem sou eu quem está dizendo. e não vejo problema em ele ter almejado isso, assim como já almejei tantas vezes ser um gênio da bola, apesar de não conseguir fazer nem dez embaixadinhas, mas ele perde feio na comparação, a meu ver. e mesmo se ele resolvesse se comparar ao thomas edson ele ainda perderia feio. mas se ele se comparasse ao blater (sim, o presidente da fifa) aí eu já veria mais chances, pois ambos transforaram suas marcas no q elas são hj. daí vc pode achar q estou indo na onda do cara q estava comparando o jobs ao hitler (q não é uma comparação inválida a princípio se vc quiser falar, por exemplo, de controle de massas no q tange o discurso: os keynotes poderiam ser, sim, comparados aos discursos de hitleristas!? ora, ambos demonstraram por ano grande controle sobre as massas, mas fizeram coisas totalmente distintas com isso, felizmente. veja o malafaias discursando, se ele fosse um fascista com sede de poder, teríamos muito problemas, pq o discurso dele oscila entre o ilustrado e o despótico de modo muito sutil), mas não estou. enfim, sugiro um documentário: “nós que aqui estamos, por vós esperamos”. compara-se, nele, garrincha (ícone do futebol nacional) com fred astaire (ícone do showbusiness americano). aí vc pensa, pô, nada a ver, mas eu acho q tem tudo a ver, pq, no fim, só ficaram mesmo as lembranças. abs

          • Fabio Montarroios

            olá, gabriel. não vejo problema em fazer comparações. aliás, acho q comprar coisas aparentemente incomparáveis é pensar de modo intertextual. e vc deu um exemplo fabuloso: pelé ou picasso!? cara… isso é muito provocador, pq faz vc pensar em várias coisas pra tentar chegar a um resultado e eu diria q, no contexto nacional, o pelé foi mais “gênio” q o picasso, por conta da singularidade q tem o futebol na nossa sociedade do século xx. não dá pra explicar ou entender o brasil sendo um bufão e ignorando o futebol. a contribuição do pelé pra nossa civilização, perdoem-me os críticos de arte, foi maior (e presumo q zé miguel wisnick estivesse de acordo com isso). olha, e foi o próprio jobs q se considerou tão genial qto o einstein, então nem sou eu quem está dizendo. e não vejo problema em ele ter almejado isso, assim como já almejei tantas vezes ser um gênio da bola, apesar de não conseguir fazer nem dez embaixadinhas, mas ele perde feio na comparação, a meu ver. e mesmo se ele resolvesse se comparar ao thomas edson ele ainda perderia feio. mas se ele se comparasse ao blater (sim, o presidente da fifa) aí eu já veria mais chances, pois ambos transforaram suas marcas no q elas são hj. daí vc pode achar q estou indo na onda do cara q estava comparando o jobs ao hitler (q não é uma comparação inválida a princípio se vc quiser falar, por exemplo, de controle de massas no q tange o discurso: os keynotes poderiam ser, sim, comparados aos discursos de hitleristas!? ora, ambos demonstraram por ano grande controle sobre as massas, mas fizeram coisas totalmente distintas com isso, felizmente. veja o malafaias discursando, se ele fosse um fascista com sede de poder, teríamos muito problemas, pq o discurso dele oscila entre o ilustrado e o despótico de modo muito sutil), mas não estou. enfim, sugiro um documentário: “nós que aqui estamos, por vós esperamos”. compara-se, nele, garrincha (ícone do futebol nacional) com fred astaire (ícone do showbusiness americano). aí vc pensa, pô, nada a ver, mas eu acho q tem tudo a ver, pq, no fim, só ficaram mesmo as lembranças. abs

          • Podemos comparar coisas distintas como citei, acho um exercício intelectual interessante. O meu ponto, na verdade, é que as pessoas que curtem tecnologia não compreendem essa diferença: tudo bem discutir se Picasso é mais relevante como pintor ou Pelé como jogador, o problema é comparar Picasso e Pelé como jogador de futebol haha

            Sobre o Jobs ser um super-gênio, minha opinião é que se fala tanto e mesmo assim as pessoas continuam não entendendo a Apple: as piadas em relação a falta de portas do novo MacBooks é simbólica, pois a visão de produto da Apple condiz perfeitamente com isso. Para a Apple, o jargão “Menos é mais” é muito sério.

            Não acho ele tão fora da curva, mas uma combinação rara de afinidade por tecnologia e design que tornou a coisa tão bem sucedida. A pergunta que todos fazem de porque o MacBook é muito mais caro com a mesma configuração é estúpida do ponto de vista de design, mas a justificativa de Macfags é a mais óbvia para muitos geeks.

            O marketing deles é excepcional, mas a Samsung também chegou ao topo com marketing e caiu. Para mim, é bem óbvia a limitação da Samsung no aspecto design, e não falo apenas do aparelho ou SO, mas como formar de pensar.

    • É natural que produtos com mais apelo comercial acabem roubando mais a atenção. No livro, Isaacson fala desse dilema de converter grandes descobertas/invenções em ambientes mais ocultos, como a academia, em produtos viáveis comercialmente, e cita Stanford como um exemplo pioneiro nessa relação ainda hoje tão dificultosa. (Não por acaso, ainda que mais ou menos por isso, Sergey Brin e Larry Page se encontraram e criaram o embrião do Google lá.)

      Nesse sentido, pelo menos, Os Inovadores faz bastante justiça a quem merece crédito de fato. É um trabalho bem completo e que busca até figuras que foram importantes, ainda que não tão conhecidas.

      • Sim, esqueci de elogiar o livro no começo por dar justamente essa percepção mais ampla: não era uma crítica a abordagem do livro, mas um elogio. :)

    • Carlos Gabriel Arpini

      Concordo com as críticas sobre a percepção de inovação e acrescento que o conceito de inovação não abrange somente produtos mas também processos e metodologias.

      Discordo quanto à percepção do público geral da tecnologia. Conhecemos CEO’s e empresas por que gostamos e admiramos tecnologias. Quem gosta e admira carros, conhece profundamente aquela indústria. O mesmo com quem curte som ou fotografia. E isso gera paixões, para o bem ou para o mal, exacerbadas com a internet, que nos expõe àquilo que gostamos e não ao contraditório.

  • Cab

    Fiquei bastante interessado em ler, aí clico no link da Amazon e o e-book é $10 reais mais caro que um livro de 544 páginas. Nunca vou entender a lógica por trás disso, sério. =|

  • Witaro

    Book porn… ;-)

  • Carlos Gabriel Arpini

    Lembro-me bem quando li “A Estrada do Futuro” do Bill Gates, em 1996, quando a internet ainda engatinhava no Brasil e fiquei completamente maravilhado com as possibilidades ali descritas. Lembro-me quando li a biografia do Steve Jobs e como ele aplicava o conceito de destruição criativa schumpeteriano de maneira direta e prática, sem medo.

    Enquanto o primeiro revolucionou a computação pessoal com a disseminação e popularização da interface gráfica e pecou por não acreditar na força da internet, o segundo revolucionou a distribuição de música, desbravou o mercado de smartphones e tablets e pecou por não dar a devida atenção aos serviços on-line.

    Ambos foram gênios e inovadores em suas épocas e genialidade não é simplesmente a capacidade de criar novos e melhores produtos e sim isso aliado à capacidade de disseminação e revolução em indústrias.

  • Carlos Gabriel Arpini

    Lembro-me bem quando li “A Estrada do Futuro” do Bill Gates, em 1996, quando a internet ainda engatinhava no Brasil e fiquei completamente maravilhado com as possibilidades ali descritas. Lembro-me quando li a biografia do Steve Jobs e como ele aplicava o conceito de destruição criativa schumpeteriano de maneira direta e prática, sem medo.

    Enquanto o primeiro revolucionou a computação pessoal com a disseminação e popularização da interface gráfica e pecou por não acreditar na força da internet, o segundo revolucionou a distribuição de música, desbravou o mercado de smartphones e tablets e pecou por não dar a devida atenção aos serviços on-line.

    Ambos foram gênios e inovadores em suas épocas e genialidade não é simplesmente a capacidade de criar novos e melhores produtos e sim isso aliado à capacidade de disseminação e revolução em indústrias.

  • Ranner Barbosa

    Alguém aqui curte anime? Eu até comprava uns mangás e lia quando era bem pequeno, porém não leio mais, só assisto, ultimamente estou assistindo de novo Hunter x Hunter e Evangelion. Há pouco tempo atras assisti um chamado Steins;Gate, de viagem no tempo, recomendo muito.

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