A ousadia, Quantum V, e a alegria, Sky, da startup de inovação da Positivo

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31/8/17, 19h35 6 min Comente

Há mais ou menos dois anos surgia a Quantum, uma das únicas fabricantes de smartphones nacionais que desde o início disse que iria brigar com as grandes. Com um storytelling que lembrava um pouco aqueles contos de fadas dos Sucos do Bem e do picolé Diletto, a Quantum se apresentava como uma startup de ex-funcionários da Positivo, mas que passado o buzz deixou de lado esse papo e, de certa forma, se assumiu como uma unidade de inovação dentro da empresa brasileira de tecnologia.

Desde sempre, a inspiração nos chineses é clara: o modelo de vendas apenas online do início já lembrava a Xiaomi (que nesse meio tempo já entrou e saiu do mercado nacional), enquanto a ousadia, especialmente desses últimos lançamentos, nos remete bastante a Oppo e a Vivo. Eles mesmo falam dessas empresas com admiração.

Qual não é a minha supresa, ao descobrir, pelas palavras de Noberto Maraschin, vice-presidente da Positivo, que tem multicional chinesa querendo “matar”(palavras dele) a Quantum. Hoje, no Brasil, temos duas chinesas de fato operando no mercado: Alcatel e Motorola/Lenovo. A Asus, vale lembrar, é de Taiwan.

Não importa muito quem disse o que — depois de assistir a um vídeo do Smartphone Congress, em que Maraschin e Fernando Pezotti, da Alcatel, colocam-se lado a lado contra as gigantes, fica ainda mais evidente de quem se está falando… –, a questão é a ironia de sabermos que tem uma chinesa querendo brigar com uma empresa brasileira que se inspira na China. Tudo bem que a Motorola/Lenovo obviamente não se enxerga como uma empresa nacional da China, e sim como uma multinacional, mas vale lembrar que todo mundo saiu de um lugar, logo, por que a Quantum não poderia também?

Nesse aspecto, vale sublinhar que a ousadia da Quantum não está apenas no Quantum V, um aparelho à primeira vista de nicho, com foco no entretenimento, na educação e em profissionais que precisam de um projetor portátil, mas também na internacionalização. Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai estão na lista, mas a dobradinha Quantum/Positivo não descarta o continente africano, por exemplo.

Se tudo isso não te parece ousado, lembre que recemente rolou uma parceria da Quantum com o Neymar Jr e que muito embora vejamos imagens de Neymar com outro cabelo e usando uma camiseta verde e amarelo, e não azul como a do Paris Saint-Germain, bem, lá está a cara do brasileiro mais famoso do mundo da atualidade ao lado do logotipo da Quantum em algumas de suas comunicações.

Quantum V e Quantum Sky

Voltando à alegria e à ousadia da Quantum, é preciso falar dos novos aparelhos que compõe o portfólio da marca e a decisão de novamente vender só pela internet. Algo me diz que essa opção é momentânea, e que logo mais eles vão anunciar uma parceria com o varejo, pelo menos para o Quantum Sky que nasceu de uma parceria com a Gionee, cuja sede fica onde? Shenzhen, China.

O Quantum Sky, que tem preço sugerido de R$ 1.349, é um aparelho promissor: tela LCD IPS de 5,5 polegadas com resolução Full HD, processador da MediaTek, o Helio P10, um octa-core a 2 GHz, com 4 GB de RAM e 64 GB de armazenamento, expansível via microSD de até 256 GB. Dual SIM híbrido, tem bateria de 4.010 mAh com carregamento rápido (50% em 30 minutos), conector micro-SD (o que para um aparelho nessa faixa de preço, tudo bem) e leitor de digital na parte da frente, junto ao botão de início (boa escolha!).

Vendido nas cores cinza e dourado, tem câmera frontal de 13 MP com Flash e lente f/2.0 e a traseira de 16 MP com Flash e lente f/2.0. Um destaque é o acabamento, que agora é de alumínio aeronáutico, e a parceria com o Google, que realmente parece forte. Não só o evento contou com a presença de um executivo do Google e de seus assessores, como os aparelhos, tanto o Sky e o V, chegam com Android 7.0, mas com a promessa de atualização para o Oreo. Olha, quanta alegria!

Já o Quantum V parece ser a nova menina dos olhos da companhia, que fez questão de compará-lo ao concorrente mais imediato, o Moto Z com snap de projetor da, óbvio, Motorola/Lenovo. Em termos de especificações, ele se parece bastante ao Sky. Também tem tela LCD IPS de 5,5 polegadas com resolução Full HD, mas o processador da MediaTek neste caso é o MT6750, um octa-core a 1,5 GHz, mas vem com os mesmos 4 GB de RAM e 64 GB de armazenamento, expansível via microSD de até 128 GB. Dual SIM com slot dedicado para o microSD, tem bateria de 4.0o00 mAh, conector micro-SD e leitor de digital, esse infelizmente na traseira, mas pelo menos mais no meio do telefone. Vendido na cor azul por R$ 1.799, tem câmera frontal de 8 MP com Flash e traseira de 13 MP com Flash.

O destaque, porém, fica para o projetor a laser com foco contínuo, que dispensa ajuste manual de foco como existe no snap de projeto da Motorola, por exemplo. O aparelho é então capaz de projetar imagens em HD com até 80 polegadas a uma distância de 2 metros. Muito embora seja visto como um produto de nicho pela empresa e por mim (rs), a Quantum acredita que ele possa ganhar as massas e que vai atrair a atenção por ter o projetor acoplado, e não como acessório. Vale lembrar que em 2012 a Samsung havia lançado um aparelho bem semelhante, o Galaxy Beam e que já não o vemos por aí.

Uma das estratégias por trás do V é oferecê-lo como um produto voltado ao entretenimento, mas também aos profissionais liberais que precisam fazer apresentações e aos professores. E aí, vale lembrar, a Positivo tem também uma editora de livros de educação…

Se a ousadia e a alegria da Positivo com a Quantum vai durar, é cedo para dizer. Por hora, podemos concordar que ver um player nacional em um mercado tomado de multinacionais é sempre interessante e, que bem, eles já estão durando no mercado brasileiro mais do que outra chinesa que passou por aqui e foi embora rapidinho.

 

 

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