Galaxy S8 com a tela ligada em cima de uma mesa.

Mude esta configuração no seu smartphone para ser mais produtivo

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28/11/17, 12h22 5 min Comente

Tudo em excesso faz mal, até água. As notificações nos smartphones também correm o risco de, em doses elevadas, nos prejudicar. Mesmo sendo pequenas distrações, em alta frequência elas têm o potencial de arruinar a produtividade de qualquer um. Felizmente, existe uma maneira de conciliar a utilidade delas e a nossa paz de espírito — basta mudar uma configuração do seu smartphone.

Antes de mexer nessa configuração, é uma boa ideia revisar os apps que têm permissão para enviar notificações. Para mim, há duas categorias de apps que podem ser impedidas, sem maiores prejuízos, desse privilégio: a dos apps que enviam notificações desimportantes (aqui, incluo jogos e apps de streaming) e a dos que você acessa com tamanha frequência que não precisa ser avisado de que há algo novo ali (no meu caso, WhatsApp e e-mail).

Agora sim, a configuração a que me referi. É a “Não Perturbe”. Com ela ativada, o smartphone continua recebendo notificações, porém elas não fazem barulho nem acendem a tela. Em outras palavras, elas não sequestram o seu foco.

Central de Controle do iOS 11 com o "Não Perturbe" ativado.
O ícone da meia lua indica que o “Não Perturbe” está ativado.

No iOS, onde o recurso existe desde 2012, alarmes furam o silêncio e é possível configurar chamadas para que também façam barulho/vibrem o iPhone — de todos, de alguns contatos ou após a segunda tentativa.

O Android, a partir da versão 6.0 “Marshmallow”, de 2015, ganhou um modo similar com mais configurações mais granulares. Nele, é possível estabelecer exceções que vão de alarmes até apps.

Muita gente acha que o “Não Perturbe” é indicado apenas para o período noturno, para que barulhos de notificações não atrapalhem o sono. (Tanto que no iOS ele é representado pelo ícone de uma meia-lua.) O que eu faço, e sugiro aqui, é subverter essa ideia: tornar o “Não Perturbe” o modo padrão, ou seja, mantê-lo ativado sempre. Eventualmente, quando estou esperando uma resposta, desativo o recurso, mas passo dias, às vezes semanas sem tirar o modo “Não Perturbe”.

A grande sacada é que, dessa maneira, eu assumo o controle das notificações. Do outro modo, o padrão, o smartphone me interrompe na hora em que meus contatos e os donos dos apps que eu uso quiserem. Parece-me uma situação errada, afinal, o smartphone e a atenção são meus.

Às vezes há urgência no contato. Quando é esse o caso, uma interrupção agressiva se justifica, afinal ela exige uma resposta imediata. Para elas, deixo liberadas as ligações, ou seja, mesmo com o “Não Perturbe” ativado elas fazem barulho.

A minha mensagem de status no WhatsApp é “Se for urgente, ligue”. É pra valer: se for urgente, ligue ou eu posso demorar mais do que o desejável para dar uma resposta.

A ciência da distração

O impacto das distrações é forte. Parece que não, que é só uma mensagem despretensiosa do tipo que se responde rapidamente e se esquece, mas o cérebro não é tão bom assim em alternar entre tarefas. Não somos bons em multitarefa.

Em 2015, Cary Stothart, Ainsley Mitchum, and Courtney Yehnert, todos pesquisadores da Universidade do Estado da Flórida, publicaram o estudo “O custo na atenção ao receber uma notificação no celular” (via Harvard Business Review).

O trio recrutou 212 estudantes para um experimento. Eles foram divididos em três grupos e orientados a fazer uma Tarefa de Atenção Sustentada para Respostas (SART, na sigla em inglês), um tipo de teste que exige foco. Basicamente, tinham que apertar um botão sempre que um número aparecesse na tela do computador, exceto se fosse o número “3”, durante dez minutos.

Na segunda etapa, um sistema disparou, aleatoriamente, notificações e ligações para os celulares de 2/3 dos estudantes. Os pesquisadores tinham a hipótese de que apenas saber que havia uma notificação afetava negativamente a capacidade de foco do ser humano. Dessa forma, eles podiam comparar os efeitos delas em relação à primeira etapa, quando nenhum celular tocou ou vibrou.

Os resultados comprovaram a hipótese. O grupo que recebeu ligações durante o segundo teste apresentou 28% mais erros em relação ao primeiro. Entre os que receberam notificações, o aumento nos erros foi de 23%. O grupo de controle, que continuou sem ser notificado na segunda etapa, apresentou um aumento de 7% na taxa de erros. Segundo Stothart, esse ligeiro aumente decorreu da fadiga natural em tarefas tediosas prolongadas. Ainda assim, a diferença entre esse e os outros dois grupos foi quatro e duas vezes mais erros.

Existem outros estudos que apontam mais custos que pequenas interrupções cobram. Gloria Mark, da Universidade da Califórnia (via New York Times), descobriu que um funcionário de escritório consegue, em média, apenas 11 minutos entre uma interrupção e outra e que o tempo médio para retornar à tarefa original é de 25 minutos.

É sabido que no escritório e em outros ambientes movimentados é impossível eliminar todas as distrações. Algumas, porém, estão (ou podem estar) sob o nosso controle. O smartphone é uma delas, basta mudar uma simples configuração.

Para entender melhor

A própria Apple tem uma boa explicação do “Não Perturbe” do iOS.

No caso do Android, não há documentação oficial detalhando o recurso. Um bom material é este post, do Rafael Rigues no blog da fabricante Quantum.

Foto do topo: Adrien/Unsplash.

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