[Review] Level Over, o belo headphone premium da Samsung

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25/2/15, 14h00 10 min 14 comentários

Em abril do ano passado a Samsung anunciou uma nova linha de produtos de áudio. Batizada Level, ela é composta por caixas de som Bluetooth (já vimos uma) e fones de ouvido, todos de alta qualidade, segundo a fabricante. A Level Box Mini agradou bastante. Agora, recebi para testes o headphone Level Over, o item mais caro dessa sofisticada safra. Vale a pena pagar quatro dígitos em fones de ouvido da Samsung?

A (bela) apresentação

Visão panorâmica do Level Over.

Para quem está acostumado aos smartphones da marca, o Level Over é um choque. Não entenda mal: é um choque bom, uma ruptura bem-vinda ao visual recorrentemente errado que impregna até mesmo aparelhos caros, como o Galaxy S5.

Ainda há plástico aqui, mas ele é suave. As partes brancas, em dois acabamentos (brilhante e fosco), são firmes e têm um toque perolado bem bonito. Já as “fofas”, ou seja, as almofadas das conchas e do apoio para a cabeça (no topo), são de poliuretano, material que imita couro, é fofinho e bastante confortável. Há um pouco de metal nas articulações entre o arco superior e as conchas, formando a parte retrátil dos fones.

Articulação retrátil do Level Over.

Independentemente dos materiais usados, o Level Over é um headphone muito bonito. Essa versão branca é estilosa de um jeito mais discreto que… sei lá… fones da Beats. (Talvez por você não ver um monte de atletas com ele pendurado no pescoço.) Fato é que a Samsung acertou muito a mão aqui.

O Level Over fica enorme na cabeça, o que pode ser um problema para cabeçudos como eu, e um perigo enquanto sua noção de espaço com ele na cabeça não está adaptada, mas nada que o torne feio, ou motivo de chacota. Apenas atrapalha algumas posições, como ouvir música deitado. E embora não me pareça ser o tipo de fones de ouvido que você usaria no ônibus, se for o caso você não ficará constrangido — no máximo, com medo de ser assaltado, ou de dar uma “fonezada” sem querer na cabeça de quem estiver no assento do lado.

Eu usando o Level Over.

O desenho das conchas dá a impressão de que elas ficam flutuando próximas às terminações arredondadas dos braços, o que contribui para o tamanho avantajado. Em contrapartida, ele dá ao produto um aspecto bem futurista. Ele todo é flexível; você pode envergá-lo e dobrá-lo sem medo de quebrar, nem de ouvir rangidos ou outros barulhos suspeitos. O arco do topo se adequa ao formato da sua cabeça, mas não espere conchas que giram ou partes dobráveis para facilitar o transporte. Só duas coisas saem do lugar efetivamente: as conchas, que mudam de ângulo (embora seja quase imperceptível), e as já referidas terminações arredondadas que se ligam a elas, naquele esquema de braços retráteis comum em headphones do gênero.

Na cabeça, apesar do tamanho o Level Over é muito confortável. As conchas são enormes e, não sei se por culpa das minhas orelhas pequenas ou se algo inerente do produto, elas se encaixam por inteiro nos buracos — ou seja, não são “amassadas” pelo headphone. A textura do poliuretano deixa as áreas de contato agradáveis. Pelo tamanho que tem, não pesa nem perto do que eu imaginei ao vê-lo pela primeira vez. Usar o Level Over por longos períodos é tranquilo, algo raro de se dizer entre os (poucos e quase todos ruins) headphones que já usei.

Controles touch do Level Over.

A interface é original, mas ainda assim fácil de entender e usar. Ele tem dois botões físicos na concha direita, um de liga/desliga e outro multifunção — na verdade, para duas funções: ativar/desativar o cancelamento de ruídos e fazer o pareamento Bluetooth. Outros controles de áudio são feitos na superfície externa dessa mesma concha, que é sensível a toques e funciona maravilhosamente bem. Quer aumentar o volume? Deslize o dedo de baixo para cima. Pausar? Dê dois toques. Pular para a próxima música? Deslize o dedo de trás para frente. A outra concha traz o módulo NFC para facilitar o pareamento com aparelhos que têm essa tecnologia.

Existem ainda dois buracos, uma em cada concha: microUSB, para recarregar a bateria interna, e uma entrada de áudio padrão 3,5 mm. Um cabo desse último tipo acompanha o produto em uma bolsinha, e lá também vem um adaptador para poltronas de avião. Tudo isso vem dentro de uma caixa oval, nas mesmas cores dos fones e de bom gosto. A única coisa ruim é que a parte externa é branca e, como tal, está suscetível à sujeira. A da minha unidade de testes já veio meio encardida.

Qualidade do áudio

Meus parâmetros comparativos são mais humildes, um par de Earpods, da Apple, e um headphone SHL3000/00, modelo de entrada baratíssimo da Philips. Existem dois detalhes que se sobressaem fácil na comparação direta entre esses três modelos: o áudio do Level Over é notavelmente mais cristalino que o dos outros, e o grave não é tão acentuado.

Voltar aos Earpods depois de uma sessão com o Level Over dá a sensação de que colocaram um balde na tua cabeça. O som é mais abafado e os graves, exagerados. O “batidão” é mais sentido, só que ao custo da fidelidade e clareza do áudio. Porque, com o Level Over, a sensação que tenho é de que me colocaram num estúdio à prova de interferências externas para ouvir os artistas tocarem e cada instrumento foi nivelado antes da sessão. As músicas soam mais “limpas”.

O que eu ouvi? Miles Davis, Chet Faker, João Gilberto, She & Him, Kate Nash, Lana Del Rey… coisas do tipo. Os três primeiros foram os que deram a maior diferença. Curiosamente, Kate Nash, com o álbum Made of Bricks, também ficou bem mais legal com os fones da Samsung. She & Him e Lana Del Rey? Nah, nada muito relevante. Todas essas foram ouvidas em serviços de streaming, Spotify e Google Música principalmente.

Também ouvi a trilha sonora de Cowboy Bebop em FLAC, e esse foi outro ponto alto dos meus testes. Faixas como Spokey Dorkey, uma instrumental só na gaita e violão, NY RUSH, um jazz acelerado, e Tank!, a música-tema do desenho, ganharam vida nova.

Bluetooth e ANC (cancelamento de ruído ativo)

Detalhe nos botões físicos do Level Over.

Correndo o risco de receber críticas dos mais puristas, o Level Over funciona melhor via Bluetooth. Isso, graças ao app da Samsung (apenas Android) que, por essa interface, ativa o SoundAlive, um equalizador bem simples de operar e com resultados incríveis. Como ele tem um microfone embutido, mesmo para atender ligações o cabo é dispensável. (O microfone para falar, aliás, funciona muito bem.)

Na real, existem quatro microfones, mas três são exclusivos para o sistema de cancelamento de ruído ativo (ANC, na sigla em inglês). Aperte o botão da concha direita, e ele entra em ação. Não é um cancelamento completo; ele funciona bem com barulhos constantes — pense em ventiladores ou turbinas de aviões. Combinado ao volume médio, porém,  já é suficiente para desligá-lo completamente do que acontece ao redor. E é bom, bom demais, desligar o som do mundo externo e mergulhar em uma boa música executada com tamanha qualidade.

Com Bluetooth é preciso recorrer à bateria interna, recarregável via cabo USB. (O site oficial diz que um cabo microUSB acompanha o produto, mas ele não veio nessa unidade de testes.) A Samsung promete 15 horas de duração em cada carga e no mundo real o Level Over fica perto disso. Usei por um bom tempo, em sessões diárias de ~1h e sempre com o cancelamento de ruídos funcionando, antes dos sinais sonoros me alertarem de que a bateria estava perto do fim.

O que dizem os outros?

Além de co-fundador e CEO da Automattic, Matt Mullenweg também é um jazzista amador. Recentemente ele comentou o Level Over, seus fones de escolha, em relação ao Beats Studio Wireless:

O [modelo da] Samsung tem um som melhor, é mais confortável e melhor acabado. Dê uma chance a ele se estiver considerando comprar headphones dessa categoria.

O Wirecutter, um site americano especializado em comparações e indicações de produtos, elegeu o Level Over como o melhor headphone wireless com cancelamento de ruído ativo:

Se você quiser cancelamento de ruído com a função Bluetooth porque não consegue lidar com um cabo entre seus headphones e seu smartphone ou tablet, o Level Over da Samsung oferece um cancelamento de ruído decente (mas não tão bom quanto o Bose QuietComfort 25). Eles também têm um som decente — talvez ligeiramente melhor que o da Bose, mas custa um pouco mais que a nossa principal escolha.

No The Verge, Chris Ziegler elogiou o cancelamento de ruído ativo, “muito melhor” que o do Beats Studio Wireless, segundo ele, e a qualidade de áudio do Level Over:

Pessoalmente não me importo com o som notavelmente carregado em graves que sai dos conjuntos da Beats, mas não há dúvida de que o Level Over produz um som mais limpo e real — um som que é ajustável com o app Level da Samsung.

A pergunta de R$ 1.599

Embalagem do Level Over.

Um monte de produtos passa por aqui. A maioria é formada por smartphones, mas sempre tem algo de áudio, ou menos óbvio como… sei lá, e-readers e pulseiras fitness. Acho legal poder testar tudo isso, estar a par do que as empresas produzem e tudo mais. Raramente, porém, bate uma tristeza ao devolver alguma coisa. O Level Over é um desses deixam saudades. É bom assim, e muito acima do que tenho e uso no dia a dia.

Seu único problema é que ter um para chamar de meu sairia caro. Quando foi lançado no Brasil, em julho de 2014, esses fones custavam R$ 1.599. Hoje, com alguma pesquisa dá para levá-lo por cerca de R$ 920 — mais barato, mas ainda longe de ser uma compra por impulso.

A Samsung cobra pela qualidade sonora, pelo acabamento, pelo visual elegante. Ele é caro, como todo produto premium. É bem provável que você consiga a mesma qualidade sonora pagando menos em modelos concorrentes. Mas eu não te recriminaria se você comprasse um Level Over, porque é um negócio muito divertido, de qualidade e que entrega uma experiência condizente com o que pede, em Reais, de contrapartida. Pena que esse valor o restringe a bolsos abastados e/ou ouvidos apurados. Não é para todo mundo.

No mais, o Level Over é, também, uma prova de que há bom gosto em Seul. Queria muito ver esse cuidado, da escolha de materiais à construção do equipamento, em um smartphone da Samsung. Pelo menos já deram um primeiro passo e começaram a usar metal na borda de alguns.

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Comprando pelos links acima o preço não muda e o Manual do Usuário ganha uma pequena comissão sobre a venda para continuar funcionando. Obrigado!

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  • Saulo Benigno

    Poxa, review sensacional, e que produto viu… não conhecia esse lado da Samsung.

    Mas sério, 1,500 reais em um fone de ouvido, sério, dá não.

    Ghedin, o que seria ANC? Não vi nada no texto falando dele, apenas no título, esperava ler algo ou talvez apenas a descrição “a… .n…. c… (ANC)” no texto.. fiquei sem entender :(

    • Falha minha não ter feito a referência. ANC significa active noise cancellation, o cancelamento de ruído ativo que explico ali no tópico correspondente. Atualizei esse subtítulo para ficar mais claro.

    • Eu comentei no grupo que comprei um fone relativamente caro (Fidelio L1 da Phillips), mas acredito que vale muito a pena se pensarmos em perspectiva: um fone de qualidade deve durar, no mínimo, dois anos e o ganho na experiência de ouvir música é considerável. Esse fone em especial é BEM caro, mas acho que o impacto do preço vem mais da comparação com produtos similares: dá para comprar um headphone por R$40,00-50,00 da Sony ou Phillips. Pensando apenas na relação ganho/custo, acho que vale a pena investir em um fone para quem costuma trabalhar ouvindo música como eu.

      Sobre o fone: achei muito bonito, apesar de preferir um design mais tradicional nesse caso. Em geral, uso fone no trabalho, então seria jogar dinheiro fora usar um fone com ANC e pessoalmente não vejo tantas vantagens em fones bluetooth.

  • Guest

    Achei muito bonito o fone, apesar de preferir um design mais tradicional nesse caso. Em geral, uso fone no trabalho, então seria jogar dinheiro fora usar um fone com ANC e pessoalmente não vejo tantas vantagens em fones bluetooth.

    Eu comentei no grupo que comprei um fone relativamente caro (Fidelio L1 da Phillips), mas acredito que vale muito a pena se pensarmos em perspectiva: um fone de qualidade deve durar, no mínimo, dois anos e o ganho na experiência de ouvir música é considerável. Esse fone em especial é BEM caro, mas acho que o impacto do preço @Saulo Benigno:disqus vem mais da comparação com produtos similares: dá para comprar um headphone por R$40,00-50,00 da Sony ou Phillips. Pensando apenas na relação ganho/custo, acho que vale a pena investir em um fone para quem costuma trabalhar ouvindo música como eu.

  • rodrigo

    quando comprei meu AKG 404 ( barato e bem legal), tinha vindo dos fones que vem com o que se compra, é assustador como um pequeno investimento, ou mesmo essas linhas premium, fazem uma diferença grotesca no audio do dispositivo que se ouve, musicas que tem camadas de instrumentos então, é outra musica…

  • Mateus Azevedo

    Fones de ouvido realmente é um assunto “delicado”.
    A maioria das pessoas está acostumada com fones baratos ou aqueles que vem por padrão com smartphones e podem não ver motivos em gastar mais por algo de qualidade. Simplesmente porque não tem parâmetros para comparação.
    Como tu mesmo disse Ghedin, no teu dia a dia tu não costuma usar algo tão bom e acabou se surpreendendo com a qualidade do produto.

    Enfim, o que quero dizer é que em algumas áreas vale a pena o investimento maior.
    Claro, R$1000,00 (preço “atual”) é um absurdo para um fone bluetooth, mesmo com todos os recursos que tem.
    Lembro de quando comprei o Moto G Music, com aquele fone da Sol Republic. Acho que ele se compara em recursos e qualidade com esse da Samsung, mas custando uma fração do preço…

  • Frederico

    Engraçado que o fone combina com as paredes e a cortina. Era pra ficar na sua casa.
    Por muito tempo fui um freak de headphones. Frequentava o headfi.org e asaudosa comunidade da Loja do iPod com os reviews do David Lee, lia sobre tudo (na época, a moda era o iLOD da RedWineAudio) e sonhava com o dia que eu teria uma coleção (!). Mas isso ficou no passado…

    Esse modelo da Samsung é extremamente elegante. Achei essa interface nas conchas muito interessante (funcionou 100%?). Não gosto dos controles em cabo e acho terrível a ausência de botões físicos nos celulares. Eu só não digo que compraria, assumindo que eu tivesse condição financeira para tal, porque sou desconfiado desse “faux leather”. Possuo um Philips SHL5800 que gosto muito, mas está com o “couro” todo detonado e esfarelando.

    Ghedin, esse post não está na página inicial. Só descobri porque acessei o Arquivo ao acaso. É assim mesmo?

  • Marcos Balzano

    Por favor, não comprem esse fone! Um fone de qualidade infinitamente superior, e preço similar é o Senheiser HD598.
    Entendo que é um bom fone, mas seu preço deveria ser ~500 reais, a qualidade de construção e do áudio não se fazem valer. São fones abusivamente caros como os da Beats by Dre. O som hoje anda muito prejudicado devido a serviços de streaming, entendo a praticidade. Não compre para se achar legal, compre um bom fone e vera a música com outro ouvidos.

  • Rojedo

    Para tudo! o patrão ficou maluco! Olha por quanto está saindo no Ponto Frio! R$674 1x no cartão!!!

    http://goo.gl/Yl7XUB

    • Rojedo

      Até printei a tela pra provar, antes que eles alterem o preço.

  • Paulo Dias

    Só funciona com aparelhos samsung ou com qualquer outro também?

  • Paulo Dias

    Só funciona com aparelhos samsung ou com qualquer outro também?

  • Marcos Cardoso

    Rodrigo Ghedin, sensacional o post, tinha pequenas dúvidas antes de comprar mas seu post me deixou com água na boca, acho de fato o fone maravilhoso, lindo e quando testei na Fnac eu não acreditei na qualidade do som e no conforto. Obrigado por me ajudar sem querer na decisão.
    abraço.