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Ataque em Londres era tudo o que o ISIS queria

"Eu quero matar mais muçulmanos", gritou o motorista, de acordo com testemunhas

  • Rick Noack
  • Washington Post
Policiais fazem cordão de isolamento após ataque em mesquitas de Londres | ISABEL INFANTESAFP
Policiais fazem cordão de isolamento após ataque em mesquitas de Londres ISABEL INFANTESAFP
 
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O atentado contra pessoas que haviam saído de mesquitas em Londres, nesta segunda-feira (19), mostra indícios de que poderia ser um ataque deliberado e antimuçulmano.

A van foi em direção à multidão que estava do lado de fora de duas mesquitas, na região norte da cidade, deixando um morto e ferindo outros dez. "Eu quero matar mais muçulmanos", gritou o motorista, de acordo com testemunhas. A comissária de polícia de Londres, Cressida Dick, disse na manhã de segunda-feira que o incidente foi "outro ataque terrível em nossa cidade". Ela também disse que há uma "investigação em curso pelo nosso Comando de Terrorismo para determinar por que esse ataque foi realizado". Outros policiais foram enviados aos locais de culto muçulmanos em Londres.

Mesmo que os investigadores acabem afirmando que o incidente não foi motivado por crenças islamofóbicas, a raiva da comunidade provavelmente não desaparecerá. Nas primeiras horas da manhã, as redes sociais já estavam cheias de perguntas sobre por que demorou tanto tempo para as autoridades divulgarem a possibilidade de um ataque terrorista anti-muçulmano, indicando que qualquer resultado de investigação que não apontasse para isso, seria recebido com ceticismo.

É mais um incidente em que há um grupo que tem pouco a perder, mas muito a ganhar: o Estado islâmico.  

Em um manual publicado há dois anos, os autores associados ao grupo terrorista do Estado islâmico esperavam abertamente que tal cenário provocasse mais violência. "Quando muçulmanos e mesquitas forem atacados por neonazistas em protestos, os muçulmanos farão contra-protestos", especularam os autores do livro de propaganda. Até agora, não há indícios de que um simpatizante neonazista ou de direita estivesse atrás do ataque, embora isso seja bastante especulado nas redes sociais.

Os críticos levantaram perguntam se a primeira-ministra britânica Theresa May já caiu em uma dessas armadilhas. No início deste mês, ela prometeu uma abordagem de contraterrorismo mais dura e prometeu testar os limites da legislação. Ao tabloide “The Sun” antes das eleições gerais, em maio, disse que se as leis de direitos humanos entrarem no caminho da proteção à Grã-Bretanha, ela mudaria essas leis - comentário que levantava preocupação em algumas comunidades muçulmanas.

Há dois anos, os veículos de propaganda do EI descreveram como o grupo esperava que reações governamentais mais repressivas pudessem alimentar o ódio antimuçulmano entre a população em geral.

"Os muçulmanos no Ocidente se encontrarão rapidamente em uma encruzilhada, ou apostatarão. . . Ou eles [emigram] para o Estado islâmico e, assim, escapam da perseguição dos governos e cidadãos cruzados ", escreveram os autores de uma publicação de propaganda associada ao EI.

Nos dois anos seguintes, as rotas de acesso ao território do Estado islâmico na Síria e no Iraque antes foram fechadas, levando a uma mudança de estratégia. O grupo agora encoraja os seus apoiadores a realizar ataques de baixa qualidade, mas de alto impacto em seus países de origem ocidentais, em vez de arriscar uma jornada no exterior.

Até agora, essa abordagem não teve o impacto total que o Estado islâmico esperava. Ao contrário das previsões predominantes, os partidos de extrema direita sofreram um declínio surpreendente. A Frente Nacional da França perdeu a eleição deste ano, enquanto o Partido Populista Republicano de direita virtualmente desapareceu do palco político britânico. Porém, enquanto o EI, até agora, não conseguiu dividir o eleitorado da Europa, provocou tensões nos lados mais extremos do espectro político.

Na Alemanha, os incendiários de direita foram culpados por supostamente ter queimado centenas de abrigos desde 2015. As tensões preocuparam as autoridades alemãs, que advertiram, no ano passado, que os ataques partindo de antirrefugiados poderiam aumentar facilmente.

Embora ainda não esteja claro se o ataque londrino foi alimentado por ideologia anti-muçulmana, as autoridades procuraram evitar possíveis tensões semelhantes. Neil Basu, Coordenador Nacional Sênior de Contraterrorismo, disse que os londrinos deveriam permanecer unidos em meio ao que estava sendo tratado como um ataque terrorista. "Agora é a hora para Londres ficar de pé e enfrentar aqueles que procuram nos dividir ", disse Basu.

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