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Estupro e morte de garota paquistanesa de 7 anos gera protestos ao redor do mundo

Esse é o 12º crime do tipo no Paquistão em um ano. O corpo da Zaibab Ansari foi encontrado em um lixão 

  • São Paulo
  • Folhapress
Paquistaneses carregam o corpo de Zaibaba Ansari, na província de Punjab, em 10 de janeiro de 2018 | GHAZI AHMED/AFP
Paquistaneses carregam o corpo de Zaibaba Ansari, na província de Punjab, em 10 de janeiro de 2018 GHAZI AHMED/AFP
 
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O estupro seguido de morte de uma menina de 7 anos de idade no Paquistão gerou uma onda de protestos no Paquistão à qual se somaram celebridades mundiais paquistanesas.  

O corpo de Zaibab Ansari foi encontrado na terça-feira (9) em um lixão em Kasur, nas proximidades de Lahore, quatro dias depois de seu desaparecimento.  

Trata-se do 12º crime do tipo na cidade em um ano, o que alimentou denúncias da população sobre a impunidade e impulsionou uma campanha na internet com a hashtag #JusticeforZainab (justiça por Zainab) ao redor do mundo. 

A prêmio Nobel da Paz paquistanesa Malala Yousafzai e o ex-jogador de críquete, hoje político, Imran Khan foram algumas das celebridades que usaram a hashtag, que entrou nos trending topics do Twitter.  

"Isso tem de parar", disse Malala, defensora dos direitos das meninas de seu país. "As autoridades têm de agir."  

"Não é a primeira vez que esses atos horríveis acontecem", disse Khan. "Temos de agir rapidamente para punir os culpados e garantir que nossas crianças sejam protegidas."  

Uma pesquisa de 2011 da Thomson Reuters Foundation apontou o Paquistão como o terceiro país mais perigoso para mulheres, devido à ocorrência de ataques com ácido, casamentos infantis e punições por apedrejamento.  

Na quarta-feira (10), duas pessoas foram mortas quando a polícia disparou contra manifestantes em Kasur. Nesta quinta (11), escolas, escritórios e mercados ficaram fechados.  

Várias cidades, como Faisalabad, no nordeste, e Karachi, no sul, registraram protestos. A estrada entre Lahore e Kasur foi bloqueada, e o tráfego entre as duas localidades, suspenso.  

As atrizes Mahira Khan e Sanam Saeed estavam entre os manifestantes em Karachi, a maior cidade do Paquistão.  

"Precisamos começar a falar abertamente sobre abuso sexual", afirmou Khan, uma das mais populares atrizes do país. "Precisamos incluí-lo nos currículos escolares. A conscientização é chave. Associar o abuso e o estupro à vergonha é a razão porquê vários [ataques] não são reportados. Parem com a vergonha."  

O abuso sexual cresce no Paquistão, com mais de 4 mil casos relatos em 2016, um aumento de 10% em relação ao ano anterior, segundo a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão.  

O ministro chefe da província do Punjab, Shahbaz Sharif, visitou os pais de Ansari para garantir que os agressores seriam presos. Mas a família duvida de que a justiça seja feita. "Não temos nenhuma expectativa da polícia. Demos evidências para a polícia, inclusive gravações de câmeras de segurança, e nada foi feito", afirmou seu tio, Hafiz Muhammad Adnan à Reuters.  

Uma recompensa de 10 milhões de rúpias (R$ 290 mil) foi oferecida para quem tiver informações sobre o culpado, informou o porta-voz do governo local.

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