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Google revela propagandas russas no YouTube, Gmail e outras plataformas

Congresso americano pressionou empresas para determinarem como operações russas usaram ferramentas digitais para influenciar eleições de 2016

  • Elizabeth Dwoskin e Adam Entous
  • The Washington Post
Google controla o maior negócio de publicidade online do mundo | Ben Nuttall/Flickr
Google controla o maior negócio de publicidade online do mundo Ben Nuttall/Flickr
 
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O Google revelou pela primeira vez evidências de que operações russas exploraram as plataformas da empresa em uma tentativa de interferir nas eleições americanas de 2016, de acordo com pessoas envolvidas em investigação da empresa.

O gigante do Vale do Silício descobriu que dezenas de milhares de dólares foram gastos em propagandas por agentes russos que buscavam disseminar informações falsas em diversos produtos Google, incluindo o YouTube, além de propagandas relacionadas a buscas no Google, Gmail e a rede de anúncios DoubleClick. As fontes pediram anonimato para falar sobre tópicos que ainda não se tornaram públicos. O Google controla o maior negócio de publicidade online do mundo, e o YouTube é um dos maiores sites de vídeos online do mundo. 

A descoberta do Google também é importante porque as propagandas não parecem vir da mesma troll farm (organização dedicada a criar um grande volume de conflitos na internet) afiliada ao Kremlin que comprou anúncios no Facebook – um sinal de que os esforços russos para disseminar desinformação online podem ter sido um problema muito maior do que as empresas do Vale do Silício descobriram até agora. 

Leia também: Trump chama o Facebook de 'anti-Trump' após empresa colaborar em investigação

Anteriormente, o Google havia minimizado o problema da Rússia interferir nas suas plataformas. No mês passado, a porta-voz da Google, Andrea Faville, disse ao The Washington Post que a empresa está “sempre monitorando abusos e violações das nossas políticas e não encontramos nenhuma evidência de que esse tipo de ação de propaganda foi feita nas nossas plataformas.” 

Ainda assim, o Google iniciou uma investigação sobre o caso, após o Congresso pressionar empresas de tecnologia para determinarem como as operações russas usaram redes sociais, propagandas online e outras ferramentas digitais para influenciar a corrida presidencial de 2016 e disseminar discórdia na sociedade nos EUA. 

O Google se recusou a comentar sobre o caso. As pessoas envolvidas na investigação dizem que a empresa está analisando um conjunto de anúncios que custaram até US$ 100 mil e que ainda está deliberando se todos os anúncios vieram de troll farms ou se alguns originaram-se de contas russas legítimas. 

Até agora, o Google tem evitado o escrutínio que caiu sobre o seu concorrente Facebook. A rede social divulgou recentemente cerca de três mil anúncios comprados pela Rússia com investigadores do Congresso, que foram adquiridos por operações associadas à Internet Research Agency, uma troll farm associada ao governo russo, segundo a companhia. 

Leia também: Anúncios russos no Facebook mostram esforços para provocar conflitos raciais nos EUA

Alguns dos anúncios, que custaram um total de cerca de US$ 100 mil, promoveram Donald Trump, Bernie Sanders e Jill Stein, candidato do Partido Verde, durante a campanha eleitoral, de acordo com pessoas ligadas a esses casos. Outros anúncios parecem ter sido voltados para fomentar divisão nos Estados Unidos por meio da promoção de sentimentos anti-imigração e animosidade racial. O Facebook disse que esses anúncios alcançaram apenas 10 milhões dos 210 milhões de usuários nos EUA que se conectam ao serviço todo mês. 

Pelo menos um pesquisador disse que a influência da desinformação russa no Facebook é muito maior do que a empresa reconheceu até o momento e inclui anúncios pagos, além de postagens publicadas em páginas do Facebook controladas por agentes russos. As postagens foram compartilhadas centenas de milhões de vezes, segundo Jonathan Albright, diretor de pesquisa do Tow Center for Digital Journalism da Universidade Columbia. 

Em uma postagem em seu blog, o Facebook disse que está investigando outros 2,2 mil anúncios que podem não ter sido feitos pela Internet Research Agency. 

“Nós também analisamos anúncios que podem ter se originado na Rússia – até mesmo aqueles com sinais muito fracos de conexão e não associados com nenhuma ação organizada conhecida”, a empresa escreveu no mês passado. “Isso foi uma pesquisa ampla, incluindo, por exemplo, anúncios comprados de contas com endereços de IP dos EUA mas com a linguagem configurada para o russo – mesmo que não tenham necessariamente violado nenhuma lei ou política. Nessa parte da nossa análise, encontramos gastos de aproximadamente US$ 50 mil com cerca de 2,2 mil anúncios potencialmente relacionados a política.” 

Enquanto isso, o Twitter disse que encerrou 201 contas associadas à Internet Research Agency. A empresa também revelou que a conta do site de notícias RT, que a empresa encontrou conexão com o Kremlin, gastou US$ 274,1 mil na sua plataforma em 2016. O Twitter não disse quantas vezes as informações falsas russas foram compartilhadas. A empresa está investigando o assunto e tentando mapear a relação entre as contas russas e personalidades de destaque da mídia, além de influenciadores associados às campanhas eleitorais de Donald Trump e de outros candidatos, de acordo com uma pessoa envolvida na investigação interna do Twitter. A RT também tem uma presença significativa no YouTube. 

O Twitter se recusou a comentar sobre o assunto. 

Executivos do Facebook e Twitter testemunharão para investigadores do Congresso no dia 1 de novembro. O Google não informou se aceitará um convite similar para testemunhar. 

Agências de inteligência dos EUA concluíram em janeiro que o presidente russo Vladimir Putin interferiu nas eleições dos EUA para ajudar Donald Trump a vencer. Mas empresas do Vale do Silício receberam pouca assistência do setor de inteligência, de acordo com pessoas associadas às investigações das companhias. 

O Google descobriu a presença russa nas suas plataformas buscando dados de outra empresa de tecnologia, o Twitter, segundo pessoas ligadas à investigação do Google. O Twitter oferece a terceiros a possibilidade de acessar uma pequena quantidade de tweets históricos de graça, e cobra pelo acesso de desenvolvedores a todos os dados do Twitter desde 2006. 

O Google fez download dos dados do Twitter e conseguiu encontrar conexões de contas do Twitter russas com outras contas que usaram os serviços do Google para comprar anúncios, de acordo com as pessoas ouvidas. Isso foi feito sem uma cooperação explícita do Twitter, segundo eles. 

A investigação do Google ainda está em fase inicial, de acordo com as fontes. O número de anúncios postados e o número de vezes que esses anúncios foram clicados não puderam ser descobertos. O Google continua a examinar os seus próprios registros e está compartilhando dados com o Facebook. O Twitter e o Google não cooperaram entre si nas suas investigações.


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