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segunda Guerra mundial

Itália cultua ‘libertadores’ brasileiros

Combatentes da Força Expedicionária Brasileira são tidos como heróis em cidades italianas, que todos os anos comemoram a libertação

  • Anderson Gonçalves
População de Massarosa cumprimenta soldados brasileiros após libertação da cidade |
População de Massarosa cumprimenta soldados brasileiros após libertação da cidade
 
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Itália cultua ‘libertadores’ brasileiros

Nomes como Montese, Cama-iora e Massarosa soam desconhecidos para muitos brasileiros. Para parte dos italianos que vivem nessas localidades, porém, o Brasil tem um significado especial. Não se trata de turismo, samba ou futebol, mas de uma parte importante da história daquela região. Há 70 anos, durante a Segunda Guerra Mundial, foi a ação da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que libertou a população dessas cidades dos nazifascistas. O episódio é lembrado até os dias atuais, em conversas com os moradores e em celebrações realizadas anualmente.

Foi em 2 de julho de 1944 que as tropas brasileiras desembarcaram em solo italiano. O primeiro combate aconteceu em setembro no Vale do Rio Serchio, na Toscana, norte do país. A partir daí teve início uma ofensiva que tomou várias cidades da região, tendo o momento mais crítico em Monte Castelo, numa batalha que durou quase três meses. A conquista da cidade é tida como fundamental para que os Aliados derrotassem as forças do Eixo na Itália.

Homenagens

Mario Pereira nasceu na Itália, mas é filho de brasileiro. Mais precisamente do subtenente Miguel Pereira, integrante da FEB que optou por fixar moradia na região após os combates. Até a morte dele, em 2003, era o ex-combatente quem cuidava do Monumento Votivo de Pistoia, erguido no local onde até a década de 1960 estava o cemitério em que foram enterrados os brasileiros mortos em combate (depois os restos foram transferidos para o Brasil). “No dia 2 de novembro de todos os anos é realizada uma grande solenidade para homenagear os soldados da FEB mortos em solo italiano”, conta Mario, que assumiu o posto do pai na administração do monumento.

De acordo com ele, homenagens desse tipo são realizadas em grande parte dos municípios da região, que também contam com monumentos para lembrar a ação brasileira. “A comunidade italiana vê os brasileiros como verdadeiros libertadores. Muitos são os testemunhos de acontecimentos, pessoas que contam para as novas gerações aqueles momentos de sofrimento e a grande ajuda que receberam”, relata Mario, lembrando que não se encontram monumentos semelhantes dedicados a outros países aliados.

Memória

Solidariedade dos pracinhas é lembrada em cidades libertadas

Solidariedade. Essa foi a palavra que Sirio Sebastião Frölich, militar e pesquisador do Exército, mais ouviu dos italianos quando eles se referiam à atuação dos brasileiros na Segunda Guerra Mundial. Na Itália, ele percorreu boa parte do roteiro feito pela FEB durante o conflito. “Sem exceções, os italianos que conviveram com os pracinhas confirmaram que eles eram mais solidários do que qualquer outro”, revela.

Sirio é autor do livro Longa Jornada – Com a FEB na Itália, no qual descreve a trajetória e o cotidiano de alguns dos soldados que saíram do Rio Grande do Sul para combater em solo italiano. Para ele, o reconhecimento dos pracinhas é maior fora do que dentro do Brasil. “Isso se deve principalmente ao conhecimento da conduta do pracinha em combate e no convívio com a população italiana”, afirma.

Esse sentimento é compartilhado pelo advogado Zafer Pires Ferreira Filho, cujo pai lutou pela FEB. Em 2012, ele visitou com a família algumas das cidades libertadas pelas tropas brasileiras. “Ficamos emocionados, mas ao mesmo tempo tristes, por lembrarmos do sentimento oposto do brasileiro de uma forma geral e das autoridades, de desconhecimento e indiferença por um período tão importante na história do Brasil”, lamenta.

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