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Londres

Mãe de Assange teme pena de morte e torturas se filho for para os EUA

A australiana chegou neste sábado (28) a Quito para se encontrar na segunda-feira com o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, para tratar do pedido de asilo que seu filho fez ao país sul-americano

Christine Assange, mãe do fundador do Wikileaks, Julian Assange, disse neste sábado temer a pena de morte ou possíveis torturas contra se seu filho for extraditado para os Estados Unidos e agradeceu ao governo do Equador por tê-lo recebido em sua embaixada em Londres.

A australiana chegou neste sábado (28) a Quito para se encontrar na segunda-feira com o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, para tratar do pedido de asilo que seu filho fez ao país sul-americano.

Julian Assange "poderia esperar uma pena de morte ou muitos anos na prisão com torturas, como estão fazendo agora com Bradley Manning", afirmou sua mãe em declaração ao jornal online "El Ciudadano", da Secretaria de Comunicação da Presidência.

Manning, um soldado americano de 24 anos, é acusado de ter divulgado telegramas diplomáticos através do Wikileaks. O jovem está na prisão há mais de dois anos, desde sua detenção nos arredores de Bagdá e terá pena de prisão perpétua se for declarado culpado de colaborar com o inimigo, a mais grave das 22 acusações contra ele.

Segundo a mãe de Assange, Manning está sendo submetido a torturas na prisão e ela se perguntou: se fazem isso com um cidadão americano, teriam menos escrúpulos ao fazê-lo com um estrangeiro?"

Por outro lado, a mulher reconheceu o bom tratamento que seu filho recebeu na embaixada do Equador em Londres.

"Sou grata pelas condições que o Equador oferece a meu filho em Londres", disse Christine, embora não tenha se aprofundado sobre o pedido de asilo que Julian fez ao governo do país sul-americano.

"Será uma decisão do governo equatoriano. Seguramente, o presidente (Rafael Correa) e seus colaboradores tomarão a melhor decisão", afirmou.

O Equador estuda o pedido de asilo formulado pelo fundador do Wikileaks, que está há mais de um mês em sua embaixada em Londres, onde se refugiou para evitar a extradição para a Suécia.

Julian Assange é requerido pela Justiça sueca, que o investiga por supostos crimes sexuais, embora o australiano tenha negado as acusações.

Para solicitar asilo ao Equador, cujo governo reiterou que tomará uma decisão "soberana" e apegada a sua vocação "humanista", o fundador do Wikileaks alegou sofrer "perseguição".

As autoridades equatorianas pesaram o risco de que Assange seja julgado por razões políticas e possa ser condenado a morte, no caso de ser extraditado para os EUA, onde poderia ser sentenciado por vazar informações diplomáticas desse país.

O Wikileaks divulgou desde 2010 milhares de telegramas diplomáticos confidenciais que revelaram métodos e práticas questionáveis de muitos governos e que envergonharam especialmente os EUA.

Nesta semana, o jornal britânico "The Guardian" informou que o governo do Equador perguntará aos Estados Unidos se o país planeja processar Assange pelas revelações de seu portal Wikileaks.

Em declaração ao "Guardian", o advogado de Assange nos EUA, Michael Ratner, disse que tinha certeza de que seu cliente já havia sido acusado secretamente por um grande júri em Washington ou que o seria após ser extraditado, e duvidou que seu país relate suas intenções ao Equador.

O ativista, de 41 anos, foi detido em Londres em dezembro de 2010. Em 19 de junho, Assange se refugiou na embaixada do Equador em Londres, onde espera a decisão sobre seu pedido de asilo.

"Tomaremos decisões que não afetem nossa relação com a Grã- Bretanha; pode ser que sejam diferentes da posição do governo britânico, mas seremos prudentes para não afetar os Jogos Olímpicos", afirmou na quarta-feira o chanceler equatoriano.

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