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Polônia vive onda de exorcismos em massa

Grandes eventos de expulsão do demônio lotam estádios mais do que jogos de futebol

  • Agência O Globo
Capa da revista “Exorcista Mensal”, que triplicou sua circulação com a nova onda de exorcismos na Polônia | Reprodução
Capa da revista “Exorcista Mensal”, que triplicou sua circulação com a nova onda de exorcismos na Polônia Reprodução
 
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Dez anos após a morte do Papa João Paulo II, a Polônia, seu país natal, vive uma onda nacional de exorcismo. Os grandes eventos de expulsão do demônio atraem um número maior de pessoas do que as partidas de futebol — recentemente, o Estádio Nacional de Varsóvia foi palco de uma série de rituais em massa.

Cada diocese tem em média três exorcistas, afirma Grzegorz Bacik, assistente da prática na Cracóvia. E a revista “Exorcismo”, a primeira da Europa sobre o assunto, conseguiu triplicar sua tiragem.

Segundo Bacik, autor de mais de cinco livros sobre ocultismo e exorcismo, houve uma explosão da demanda na Polônia nos últimos anos.

”As pessoas começaram a procurar mais o exorcismo porque são mais vítimas do demônio”, diz Bacik, de Cracóvia, a cidade onde o então Karol Wojtyla foi arcebispo antes de ser eleito Papa João Paulo II.

O tema é onipresente em igrejas, lojas de santos e crucifixos ou na redação da “Exorcista Mensal” que, lançada há três anos, chega a 40 mil exemplares.

Na edição de dezembro, a revista publicou uma entrevista com o padre Andrej Kowalcyk, exorcista na cidade portuária de Gdansk, que aconselha o uso do terço como uma “arma também contra partidos políticos que foram tomados por satã”.

Depois que Francisco reconheceu, no ano passado, a Associação Mundial do Exorcismo, as igrejas europeias começaram a ampliar os seus programas. Há mais casos também na Espanha e na Itália. Mesmo na Alemanha, onde a conferência dos bispos abandonou a prática no fim dos anos 1970, houve expansão.

No último sábado, uma mulher de 44 anos foi encontrada morta no hotel Intercontinental, de Frankfurt, depois de um exorcismo praticado pelos parentes, entre eles o filho de 15 anos. Outra vítima do mesmo ritual foi resgatada pela polícia com ferimentos graves.

“Eu nunca vi algo semelhante”, observou a promotora Nadja Niesen.

Já a socióloga Maria Zoltkowska afirma que a “epidemia” é resultado de sugestão, já que o assunto está constantemente na mídia:

“As pessoas acham que a culpa é do demônio porque é mais fácil culpar satã do que enfrentar os problemas”.

Para atender à demanda, a igreja convida exorcistas de fora. Tendo como lema “Jesus no estádio”, o especialista em demonologia John Baptist Bashobora, de Uganda, acaba de fazer uma série de rituais de exorcismo em massa. De cada um, participaram 58 mil pessoas no Estádio Nacional de Varsóvia, mais do que nos jogos da seleção.

Especialistas do Departamento de Psiquiatria e Psicoterapia da Clínica Charité, em Berlim, afirmam que há em toda a Europa mais demanda por exorcismo em consequência do baixo oferecimento de atendimento psiquiátrico. O exorcismo seria visto como um substituto, e a possível cura resultado de um processo de sugestão.

Segundo um estudo alemão, 38% dos europeus sofrem de algum tipo de distúrbio mental, mas apenas um terço dos doentes têm acesso a tratamento.

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