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Diclofenaco

Voltaren e Cataflan elevam riscos cardíacos, diz estudo

Estudo descobre risco cardiovascular em analgésico comum

Uma ampla revisão de estudos sobre os analgésicos e seus efeitos colaterais constatou que um remédio de uso comum pode representar um risco cardiovascular tão sério quanto o descoberto no Vioxx (rofecoxib) - remédio para artrite retirado do mercado há dois anos. Um outra revisão de pesquisas, divulgada conjuntamente, adiciona mais um perigo à lista do remédio que a Merck tirou das prateleiras: problemas renais. As duas revisões serão publicadas na revista da Associação Americana de Medicina, a "Jama", e, dada sua importância, foram antecipadamente divulgadas no site da publicação, na internet.

Uma das revisões - feita por cientistas da Universidade de Newcastle, na Austrália, com base em 23 pesquisas dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA - suscita "sérias questões sobre a segurança do diclofenaco, um analgésico mais antigo". No mercado, o diclofenaco é vendido com inúmeros nomes, entre eles Voltaren e Cataflam (ambos da Novartis). Em doses receitadas com freqüência, segundo a pesquisa, a droga eleva o risco de problemas cardiovasculares - ataques cardíacos primários e morte súbita - em 40%. Os pesquisadores sustentam que há motivo para adotar medidas de restrição ao uso do remédio.

O diclofenaco é muito popular na Europa, e num comentário também divulgado pela "Jama", um médico da FDA, a agência reguladora de remédios dos EUA, aconselha a troca pelo naproxeno, vendido como genérico e como Flanax e Naprosyn (ambos da Roche). Em dezembro de 2004, porém, um estudo da FDA sobre o Aleve, remédio da Bayer com o mesmo princípio ativo, sugeriu que a droga aumentava o risco de problemas cardiovasculares. Na ocasião, a agência americana aconselhou os pacientes a não exceder a dose recomendada do medicamento, de 400 miligramas por dia, nem tomar a droga por mais de dez dias sem recomendação médica.

A pesquisa da Universidade de NewCastle, por sua vez, isenta em parte Celebra (celecoxib), uma droga da mesma classe do Vioxx - a dos inibidores de Cox-2, criada na inteção de reduzir os efeitos colaterais dos anfiinflamatórios sobre o estômago. Depois que o Vioxx foi retirado do mercado, também se descobriram riscos no uso do celecoxib. Em doses usadas comumente, o remédio não causa problemas cardiovasculares, segundo os novos dados. Até 200 miligramas por dia não parecem trazer risco.

Sobre o Vioxx, por outro lado, a pesquisa confirmou que, o perigo já é significativo a partir dos primeiros 30 dias de uso. "Essa conclusão é coerente com análises recentes, que contradizem o sugestão original de que o risco cardiovascular era visto apenas depois de um ano e meio".

A Merck retirou o Vioxx do mercado depois que um estudo de três anos mostrou que a droga dobrava o risco de ataques cardíacos e derrames em pacientes que a tomavam por pelo menos 18 meses.

O outro estudo publicado pela "Jama" associou o Vioxx a riscos mais elevados de arritmia cardíaca e problemas renais. A pesquisa, do Hospital da Mulher e de Brigham, em Boston, e da Escola de Medicina de Harvard, revisou 114 estudos envolvendo mais de 116 mil pessoas. Por que a droga causa problemas renais não ficou claro.

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