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2018: O que vejo no fim do túnel?

O agora exige de nós mais que adotar novas siglas partidárias e conceitos ideológicos com fins de renovação: é preciso uma reação drástica nas urnas em 2018

  • José Antonio C. Jardim
 | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
 
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Não há como não ver coisas boas, esperança e dias melhores. De igual forma não há como não ver esse 2017 que chegou ao fim! Um ano apático marcado por grandes escândalos, catástrofes, superações – igual a outros. Pessoas alegando diariamente dificuldades causadas pela “crise financeira”. Outros aduzindo retrocesso nas políticas públicas – por meio do desgoverno. Ano complicado, principalmente para a política brasileira, que vivencia uma crise de ética. O país transformou-se no oásis do colarinho branco, diariamente denunciado por corrupções ativa e passiva. E a pergunta ecoa no mais profundo das nossas mentes: o que vejo no fim do túnel de 2018? Vejo a proliferação da anomalia da corrupção entre o alto escalão e os donos das siglas partidárias, associados a empresários que mantêm seus lucrativos negócios obscuros e impunes. Vejo pessoas caucasianas elevando o país no ranking dos mais corruptos no mundo. Triste realidade, ainda que nossa geração caucasiana patriarcal dominante não seja a única no universo com empresas fraudulentas e políticos corruptos.

E, pior, vejo a facilidade para se fazer acordos que os beneficiam – o popular “X9”. Estes lobos em pele de cordeiro adentraram a casa do povo, prometendo mundos e fundos. Hoje são agraciados por delatarem os “parceiros” corruptos, e como prêmio recebem pena alternativa, pena domiciliar e outros benefícios. Esses acordos, no entanto, só expõem a fragilidade para se punir no Brasil – e induzem outros a seguir o mesmo caminho. Paira no ar uma sensação de impunidade – inúmeros criminosos são denunciados, citados e indiciados, mas poucos estão encarcerados, o que joga nossa Constituição na lata de lixo. O povo encontra-se atordoado pelos constantes golpes partidários que o levaram a esse estado de indecisões e decisões. Todo romantismo ideológico partidário desaba diante da ganância da cúpula caucasiana pelo poder, deixando parte da população politicamente órfã – se é que alguém um dia fez parte dessa estratosfera partidária; enorme apatia pairou sobre uma grande parcela da população.

Inúmeros criminosos são denunciados, citados e indiciados, mas poucos estão encarcerados

Assombrados pelo sentimento de traição do desgoverno e do que acreditavam ser o ideológico partidário perfeito, agora não correspondido, outros se inflamaram. Movidos pelo senso de justiça, clamaram nas ruas, esbravejaram. Aos gritos de palavras de ordem, expuseram toda a indignação diante do retrocesso que se vergava nas entrelinhas dos acordos partidários. Foram às ruas, soltaram fogos de artifício. Indignados bateram e amassaram suas panelas, expressaram o descontentamento para com os eleitos, vestiram-se de verde e amarelo, proclamaram o “amor à pátria” e fidelidade aos seus demiurgos. Revezaram as ruas com os adversários, alegando supremacia ao conceito partidário. A esquerda, de igual forma, foi para as ruas, vestiu-se de vermelho (alguns se arriscaram a pôr o verde e amarelo) e esbravejou, contrapondo e alegando injúrias propagadas pelo “adversário”, afirmando que os seus ideais partidários são perfeitos para as necessidades de política para o povo. Os grupos enfrentaram as mídias e todo o aparato de contenção. Em alguns momentos os ânimos falaram mais alto: transformando as ruas em campo de batalha, nelas os fanáticos choraram, brigaram, entristeceram-se, bombardearam-se e agrediram uns aos outros, por mera fidelidade ao seu ideológico partidário.

Toda forma de manifestação popular contra o desconforto proporcionado pela corrupção tende a levar ao equilíbrio da balança nesta transfiguração do que tange ao simbolismo de reivindicar justiça contra atos de corrupção. Mas, se uns e outros não entenderem coletivamente a necessidade de revitalizar suas escolhas partidárias, não avançaremos das ruas, pois a política é coletiva. As ideologias são boas, mas o ser humano não, pois é corrupto por natureza. Sem digerir este processo, não daremos um único passo para nos livrarmos das maçãs podres – pois neste país governa-se em favor dos poderosos.

Nenhum dos lados se deu o direito de avaliar suas lutas pelo viés da ética individual, mas apenas pelo retrocesso ideológico – muito menos protestou-se contra toda forma de corrupção, já que muitos insistem em seguir guerreando em favor dos lobos. Neste emaranhado ideológico não correspondido há uma grande parcela de correligionários que foram às ruas e encontram-se nocauteados pelas constantes notícias de corrupção em suas legendas. Estes se encontram agonizando; agarraram-se a um único fio de esperança que se iniciou no primeiro amor e os levou a confiar em demiurgos mediante o sonho da conversão ideológica. No entanto, entre mortos e feridos, nos últimos meses alguns, sobre as sobras da velha esperança democrática, reagrupam-se e realinham seus conceitos, rompem com seus cordões umbilicais, deixando seus berços de militância. Sob as dores do parto direita/esquerda, titubeiam em torno do novo idealismo de centro. Outros descontentes criam, em suas barrigas de aluguel, novos embriões partidários. Contudo, ainda estamos tão empanturrados com tanta corrupção e acordos que o novo continua a transparecer, mais uma vez, como mais do mesmo – afinal, os “separatistas”, em suas incubadoras, põem-se em refazer novos modelos partidários, apenas abortando a palavra “partido”.

Leia também: O Estado inchado e os “bobos da corte” (editorial de 8 de março de 2017)

Leia também: Paraná, paraíso da impunidade (artigo de Diogo Castor, publicado em 8 de abril de 2017)

No entanto, neste cirúrgico e longo parto em busca do trono de ferro, observa-se que nos seus discursos não cabe o povo, mais uma vez massa da manobra e não parte do processo de construção. A sensação de injustiça pairou sobre todas as cabeças mediante toda a desgraça anunciada diariamente nas mais várias legendas. A roda gira e grandes são as chances de tudo continuar como está – pois alguns desses movimentos ariscam-se em lançar à frente as velhas raposas.

A pergunta é: você quer mudança? Você quer que seja assim até o seu dia final na Terra? É este país que você quer para os seus filhos e netos? Se nada for feito, nada mudará – a não ser que você mude e, para isso, devemos estar cientes de que, se seguirmos neste jogo, seremos eternamente buchas dos ratos corruptos. O agora exige de nós mais que adotar novas siglas partidárias e conceitos ideológicos com fins de renovação: é preciso uma reação drástica nas urnas em 2018, ter atitude ética, trocar as figurinhas, seus familiares e agregados, confrontar os modelos de negociação das penas aplicadas aos políticos corruptos. Afinal, alguém já viu prisão domiciliar para preto e pobre? Então, por que tal beneficio é dado a políticos corruptos?

Saltamos 2017 e que venha 2018 – feliz ano novo!

José Antonio C. Jardim, pastor da IPB, ativista social, psicólogo e empreendedor social, é presidente estadual da Central Única das Favelas (Cufa).

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