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Opinião 2

A eletrônica no futuro da indústria

 
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Assim como educação e saúde, a indústria eletrônica é estratégica para o desenvolvimento e independência de qualquer país

No processo de desindustrialização que está se instalando no Brasil a olhos vistos, preocupa-nos, mais que a geração de empregos (que, atualmente, não é uma preocupação), a capacidade de reverter essa tendência, já que a indústria eletrônica nacional caminha para a extinção.

Alguns setores, como o madeireiro, calçadista, têxtil, entre outros, são retomados de forma mais rápida, visto que, na essência, lidam com produtos sem impacto tecnológico. Porém, a forma e escala em que são produzidos tem sim um valor tecnológico embutido, pois equipamentos eletrônicos e informatizados são cada vez mais utilizados e fazem toda diferença na competição global em que estamos inseridos.

Depois do remédio amargo da abertura do mercado no final dos anos 80, pouco foi feito na intenção de preparar as empresas eletrônicas nacionais da época para a competição internacional. Veja bem, eu disse nacionais. Para as multinacionais, houve todo tipo de incentivo para mantê-las, assim como atrair outras para no Brasil, com o pensamento sempre voltado à geração de empregos, com exigência de pouca ou nenhuma qualificação, em sua grande maioria. Apesar da renúncia fiscal elevada e do efeito positivo em relação a empregos, essas multinacionais não trouxeram nem redução de preços, nem contribuem com o desenvolvimento da indústria eletrônica nacional.

O governo, por desconhecimento ou conveniência, acaba induzindo grande parte da população, que não entende nada de eletrônica, a acreditar que temos tecnologia para produção de tablets, TVs LCD, celulares, computadores etc. Um engano. Todos esses produtos e muitos outros são apenas montados aqui, como numa receita de bolo, não agregando nada de valor tecnológico aos nossos profissionais da área. A isenção ou redução de impostos em alguns produtos eletrônicos através dos PPBs (Processo Produtivo Básico) já não são suficientes para compensar os custos de mão de obra, impostos, energia, logística, escala, ambiental e cambial em relação aos importados e, ainda, algumas empresas começam a trazer seus produtos prontos, abrindo mão do benefício concedido pelos incentivos, tornando real a desindustrialização do setor.

Assim como educação e saúde, a indústria eletrônica é estratégica para o desenvolvimento e independência de qualquer país. Calçados, roupas, móveis, entre outros, seguem a tendência da moda, mas a eletrônica de ontem não é a de hoje e com certeza não será a de amanhã. Os produtos eletrônicos evoluem de forma muito rápida e novos componentes surgem a cada dia. O apoio ao desenvolvimento e produção de novos produtos genuinamente nacionais através do adensamento da cadeia produtiva onde os PPBs contemplem a utilização de componentes e produtos eletrônicos nacionais é fundamental para a sobrevivência do setor e um incentivo à formação de novos engenheiros eletrônicos e projetistas.

A eletrônica, em todas as áreas em que está inserida, deve ser prioridade na política industrial brasileira. Só dessa forma a indústria eletrônica poderá sobreviver e contribuir com o desenvolvimento tecnológico nas demais áreas da indústria e serviços, inclusive educação e saúde.

Carlos Webber, empresário.

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