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As armas dos criminosos e a utopia do desarmamento

  • Bene Barbosa
 
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Dias atrás, uma certa ONG desarmamentista paulista voltou a afirmar que a maioria das armas utilizadas em crimes é fabricada no Brasil e procedente do mercado legal, ou seja, um dia essas armas foram vendidas legalmente em lojas e em algum momento foram parar nas mãos dos criminosos.

Poderia aqui ficar traçando uma verdadeira batalha de números e estatísticas, mas não vou aborrecer os leitores com isso, uma vez que, como dizia Roberto Campos, a estatística é a arte de torturar números até que eles confessem o que queremos. Discorro então, sucintamente, sobre a maior e mais óbvia de todas as utopias por detrás do desarmamento: a de que seria possível impedir totalmente que criminosos tenham acesso às armas de fogo.

Um bom exemplo é a desarmada Inglaterra, que, de acordo com dados do governo, possui mais de 1 milhão de armas ilegais em circulação. Oras, se nem em uma ilha onde até pouco tempo atrás nem mesmo os policiais andavam armados é possível impedir que armas ilegais circulem, imagine no Brasil, com 17 mil quilômetros só de fronteira terrestre.

Quando o próprio governo diz que o cidadão não pode ter uma arma pois pode ser roubado, o que ele está fazendo é assinando o atestado de incompetência para impedir, solucionar e punir crimes

Seria, então, a solução fechar as fábricas nacionais? Vejamos o caso do México, com mais de 26 mil assassinatos em 2012, com cartéis de drogas dominando cidades inteiras com a utilização de milhares de fuzis e toda espécie de armas que se encontram disponíveis. Quantas fábricas de armas existem no México? A resposta é zero! Isso mesmo, nenhuma! E quantas lojas legais de armas? Uma! Apenas uma – e é controlada diretamente pelo Exército daquele país! Ou seja, no México 100% das armas usadas por criminosos são de fabricação estrangeira. O que fazer, então? Lutar pela utopia de que seja possível acabar com todas as fábricas de armas no mundo? E as clandestinas? Dave Kopel, em seu artigo “Imagine um mundo sem armas”, discorreu bem sobre essa utopia de um mundo sem armas.

O criminoso sempre achará uma forma de se armar, seja por contrabando, desvio e furto em instituições policiais, roubo de fóruns, roubo de armas de vigilantes particulares, roubos em empresas de segurança, corrupção ou mesmo eventualmente roubo ou furto de cidadãos honestos. E, quando o próprio governo diz que o cidadão não pode ter uma arma pois pode ser roubado, o que ele está fazendo é assinando o atestado de incompetência para impedir, solucionar e punir crimes.

Anos atrás, ao escrever um artigo sobre o porte de armas na Flórida, me correspondi com vários xerifes de lá. Para um deles perguntei o que lhe vinha à cabeça quando alguém lhe dizia que milhares de armas eram roubadas anualmente nos EUA. Sua resposta foi: “Penso que temos milhares de crimes para solucionar, milhares de criminosos para prender e milhares de armas para recuperar”.

Deixem o cidadão em paz e corram atrás dos bandidos. Mas, pelo jeito, isso ninguém tem interesse em fazer.

Bene Barbosa, bacharel em Direito e especialista em Segurança Pública, é presidente da ONG Movimento Viva Brasil.

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