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Conquista trabalhista

O americano não entenderia por que somos forçados a sustentar sindicalistas, se julgamos que eles não defendem efetivamente os interesses dos trabalhadores

  • Rodrigo Constantino
 | Billy Boss/Câmara dos Deputados
Billy Boss/Câmara dos Deputados
 
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De todos, talvez o maior choque cultural de um brasileiro que vem morar nos Estados Unidos seja mesmo na questão do trabalho. Enquanto no Brasil a maioria confunde emprego com trabalho e leis escritas com conquistas efetivas, os americanos adotam a visão calvinista de que o trabalho dignifica o homem e respeitam a meritocracia, sem olhar para o governo ou para os sindicatos como seus protetores abnegados.

O grau de sindicalização, para começo de conversa, é baixo, pois voluntário. Ninguém é obrigado a aderir a algum sindicato, muito menos a pagar o nefasto “imposto sindical”. O americano não entenderia por que somos forçados a sustentar esses sindicalistas, se julgamos que eles não defendem efetivamente os interesses dos trabalhadores, mas os seus próprios e de seus camaradas políticos da extrema-esquerda.

Mostrar todas as regalias da nossa CLT, inspirada no fascismo de Mussolini, deixaria um típico americano estupefato. Ele logo de cara ficaria incrédulo, e seria bastante cético quanto aos seus efeitos práticos. Décimo-terceiro, férias remuneradas, inúmeros vales e licenças, tantas “conquistas” legais e isso não gera desemprego ou informalidade? Em que mundo esses ingênuos vivem?

Não vemos uma horda de americanos tentando invadir o Brasil para se beneficiar das leis trabalhistas. Por quê?

Outro dia, um sábado, veio aqui em casa um brasileiro fazer um trabalho na mesa de mármore. Vive há quatro anos na Flórida, tem três filhos, fugiu do Brasil, país das “conquistas trabalhistas”. Percebeu a barriga protuberante de minha esposa e logo puxou um cartão, dizendo que também faz doces para eventos como “chá de bebê”. Notou as juntas do piso um pouco escuras e disse que trabalha com limpeza de chão também. E, por fim, ofereceu-se para fazer pizzas em eventos.

Em suma, o cara está disposto a ralar, ele quer trabalho, não “conquistas legais”. Veio para cá por isso, por saber que aqui é a terra das oportunidades para quem quer arregaçar as mangas e correr atrás, não de quem quer pegar megafones, repetir bravatas e liderar greves. Como ele, milhões de outros brasileiros saíram do “paraíso trabalhista” brasileiro para viver num país que nem férias remuneradas tem, muito menos décimo-terceiro.

No entanto, o movimento migratório é de mão única: inúmeros brasileiros querendo morar nos Estados Unidos, até mesmo de forma ilegal. Seriam masoquistas que adoram ser explorados pelos capitalistas cruéis? Não vemos uma horda de americanos tentando invadir o Brasil para se beneficiar de tantas regalias escritas nas leis trabalhistas, não é mesmo? Por que será?

Mais uma greve orquestrada pela CUT e demais entidades ligadas aos partidos de extrema-esquerda ocorre no Brasil agora. Eles lutam justamente contra as reformas necessárias, inclusive a trabalhista. São contra flexibilizar as leis e dar mais poder ao trabalhador. Querem manter o sindicalismo poderoso de hoje, legado fascista, responsável pela massa de desempregados e cerca de um terço da força de trabalho na informalidade, sem direito algum.

Essa gente representa o atraso, é inimiga do trabalhador. O melhor programa social que existe, como sabia Reagan, é o emprego. Conseguir trabalho para garantir a segurança da família e manter a dignidade de quem não vive de esmolas estatais, eis a real conquista. O trabalhador americano tem uma qualidade de vida muito melhor que o brasileiro. É porque ele não conta com sindicatos organizados ou um governo paternalista, e sim com seu próprio trabalho num ambiente capitalista de livre concorrência.

Quem quer trabalhar e colher os frutos depois, com uma vida digna e confortável, mira no modelo liberal americano. Quem quer fazer greves escolhe o sistema sindical brasileiro, cheio de “conquistas” que só existem no papel. E vive depois na miséria e no desemprego.

Rodrigo Constantino, economista e jornalista, é presidente do Conselho do Instituto Liberal.

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