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Esperanças e expansão econômica

A despeito da queda da inflação e dos juros, os atores estariam conformando-se com o cenário de estagnação econômica e preferindo aguardar o desenlace das reformas

 | Gilberto Abelha/Arquivo Jornal de Londrina
Gilberto Abelha/Arquivo Jornal de Londrina
 
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A recente divulgação de dois indicadores antecedentes, englobando as variáveis relacionadas às expectativas da base (empresários industriais) e da ponta (consumidores) da matriz econômica e social para o mês de abril de 2017, serviu para restaurar o sentimento de desesperança dos agentes quanto à rápida superação do quadro de estagnação da economia brasileira.

Mais precisamente, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), medido mensalmente por pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada com aproximadamente 3 mil empresas, recuou de 54,0 pontos para 53,1 pontos entre março e abril de 2017, depois de três meses seguidos de evolução. O indicador varia entre zero e 100 pontos, denotando a formação de um clima de otimismo sempre que superar 50 pontos.

Mesmo que o declínio apurado tenha deslocado o parâmetro para uma linha inferior à média histórica de 54,0 pontos, o termômetro da confiança dos industriais permanece em patamares bastante superiores aos registrados nos momentos críticos de outubro de 2015 (35,0 pontos), marcados por disparada da inflação e acentuação da recessão; e abril de 2016 (36,8 pontos), coincidindo com a instauração do impeachment da presidente Dilma, pela Câmara dos Deputados.

O horizonte prospectivo está acéfalo de referências consistentes de recuperação encorpada da demanda doméstica

De seu turno, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF), acompanhada por sondagem mensal efetuada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) por meio da sistematização de 18 mil consultas, recuou de 78,2 pontos, em março de 2017, para 77,8 pontos, em abril de 2017, depois de registrar trajetória ascendente desde agosto de 2016. O indicador flutua entre zero e 200 pontos, sendo que os 100 pontos constituem a linha divisória entre a sensação de pessimismo e otimismo.

Nesse particular, embora ainda situe-se acima do tempo crítico de junho-julho de 2017 (68,7 pontos), o propósito de compra encontra-se consideravelmente distante do recorde de 143,4 pontos constatado em dezembro de 2010, ocasião do auge do boom de consumo, patrocinado por renúncias tributárias e farta disponibilidade de crédito, no fim do segundo mandato de Lula.

Uma observação atenta do comportamento destas estatísticas qualitativas permite inferir que, a despeito da queda da inflação e dos juros, os atores estariam conformando-se com o cenário de estagnação econômica e preferindo aguardar o desenlace das reformas da Previdência e trabalhista e acompanhar, de perto, os ensaios do espetáculo eleitoral de 2018.

Leia também:Da estagflação à estagnação (15 de abril de 2017)

Leia também:  A recessão ficou para trás? (8 de março de 2017)

Mais que isso, o horizonte prospectivo de corporações e famílias está acéfalo de referências consistentes de recuperação encorpada da demanda doméstica, por conta dos apreciáveis níveis de desemprego, custo do crédito, endividamento e inadimplência privados, além da pauperização orçamentária e financeira do setor público, nas três esferas (União, estados e municípios), que compromete dramaticamente as alocações de recursos em infraestrutura econômica e social.

A postergação das escolhas estratégicas também vem sendo influenciada pela exacerbação das incertezas políticas, caracterizada pelo delineamento de uma curva exponencial de envolvimento de representantes do Legislativo e Executivo federal, adicionada de guerreiros de instâncias subnacionais, nos crimes investigados de desvios de haveres públicos. Afinal de contas, não constitui obra do acaso a inclusão de incontáveis membros do governo e do Congresso na folha de salários de um dos maiores grupos empresariais do país.

Gilmar Mendes Lourenço, economista e consultor, é professor da FAE Business School e ex-presidente do Ipardes.

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