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Opinião do dia 2

Marxismo na escola

  • Carlos Ramalhete é filósofo e professor
 
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As universidades foram, aos poucos, sendo dominadas. Delas saíram os pedagogos que tomaram o poder no ensino, decretando parâmetros curriculares de cunho marxista. Hoje temos um paradoxo: quanto mais cara e “boa” for a escola, mais marxista será sua pregação.

Há algum tempo, o jornalista Ali Kamel denunciou um fenômeno que, na verdade, não é nada novo: a doutrinação marxista presente nos livros escolares. Eu mesmo já tive contato com ela, contato suficiente para desistir de dar aulas de História ao perceber que era forçado a ensinar mentiras.

Para passar em um vestibular, o aluno deve ser capaz de encontrar a resposta que mais agradaria a um membro do comitê central do Partido Comunista, e isso não é de hoje. O mesmo acontece com a Geografia, que é um pouco subsidiária da história devido à ênfase na geografia social, e nas outras matérias por conta da famosa “interdisciplinariedade”, nome complicado para o nobre afã de dar uma coerência mínima às coisas díspares que são ensinadas em cada disciplina.

A grita foi grande, falou-se nisso por um tempo, mas tudo continuou e continuará como dantes no quartel de abrantes. A razão é dupla: por um lado, temos uma casta de pedagogos marxistóides erigindo altares a Paulo Freire e suas esquerdopatias no currículo e nas escolas do país. Por outro lado, temos a própria visão de mundo marxista, que vê a doutrinação nas escolas como nobre, bela e verdadeira.

Explico: o marxista acredita que conhece o futuro. Algo assim como a Mãe Dinah, mas arvorando-se em ciência. A História seria, pensa ele, previsível. Haveria uma situação dada de opressão (a “tese”), contra a qual levantar-se-ia uma revolução (a “antítese”). Esta derrubaria aquela, absorvendo-a e fazendo-se “síntese”. Esta síntese, por sua vez, seria a nova “tese”, contra a qual surgiria outra “antítese”, e por aí vai. O resultado é que a História, com “H” maiúsculo, iria andando assim, em passos coordenados de dança de salão, avançando sempre para a esquerda. Afinal, a “antítese” estaria sempre, por definição, mais à esquerda que a “tese”, o que explica a estapafúrdia leitura de um movimento reacionário, monarquista e católico como progressista, anticlerical e revolucionário que se operou na historiografia de algibeira feita em torno de Canudos.

Deste modo, o marxista vê a situação atual e diz que “o PT virou tese, sintetizando-se com o PSDB; a vanguarda do proletariado agora é o PSTU, MST etc., que estão à esquerda do PT”. É o que explica os ataques de muitos marxistas ao governo atual, similares aos ataques feitos ao governo anterior. Antes era o PSDB a tese e o PT a antítese, mas teria havido outro passinho de dança de salão (um, dois e... três), e quem quiser estar na vanguarda deve acompanhar a dança.

A interpretação da história, para um marxista, forçosamente ocorre neste quadro absurdamente reducionista. Em uma história marxista, a era de mil anos de duração que nos legou as universidades, a democracia representativa, a ciência experimental, a sujeição do arbítrio dos governantes, etc., conhecida como Idade Média, consiste em geral em uma ou duas páginas sobre o “modo de produção feudal”, mostrando como a nobreza oprimia os camponeses. Logo em seguida, pula-se para o Renascimento, sem mencionar que foi neste período, não na Idade Média, que ocorreram as famigeradas queimas de bruxas (aliás mais comuns em territórios protestantes). Daí já se salta para – finalmente! – a chegada da antítese: a burguesia que derruba a aristocracia na Revolução Francesa. A Revolução Americana, tão revolucionária quanto a ocorrida dez anos antes, em geral passa quase em branco. Pega mal falar bem dos EUA.

Enquanto os militares corriam atrás de meia-dúzia de garotões mimados brincando de guerrilheiros (os mesmos que hoje ganham indenizações milionárias pagas com nossos impostos), marxistas mais inteligentes procuraram dominar as universidades e, por tabela, o ensino fundamental e médio. Afinal, é no lugar em que se explica a história que se pode fazer mais facilmente uma doutrinação que se pretende baseada em leis que orientariam o próprio curso da História.

Este trabalho foi feito aos poucos. As universidades foram, aos poucos, sendo dominadas. Delas saíram os pedagogos que tomaram o poder no ensino, decretando parâmetros curriculares de cunho marxista. Hoje temos um paradoxo: quanto mais cara e “boa” for a escola, mais marxista será sua pregação. O aluno não terá chance alguma de passar em um vestibular se não estiver com o bestialógico marxista bem na ponta da língua. É por isso que escolas indubitavelmente conservadoras, como o São Bento, no Rio, são flagradas usando material marxista.

Isto não é novidade nenhuma. Só acaba quando o MEC acabar.

profcarlos@hsjonline.com.br

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