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O SUS de portas abertas em Curitiba

Queremos um atendimento com qualidade e suficiência, com o uso racional dos recursos públicos. Não podemos prover tudo para todos, mas temos de prever o essencial para todos

  • João Carlos Baracho
 | Hugo Harada/Gazeta do Povo
Hugo Harada/Gazeta do Povo
 
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Quando aceitei o convite para ser secretário da Saúde na gestão do prefeito Rafael Greca, sabia que os desafios seriam imensos. Mas, confesso, a situação que encontramos foi ainda pior que poderia supor. Do rombo de R$ 1,2 bilhão deixado aos cofres municipais pela gestão do ex-prefeito Gustavo Fruet, a saúde é uma das áreas mais atingidas, com déficit superior a R$ 200 milhões.

Encontramos uma situação de terra arrasada nos primeiros dias de gestão: falta de medicamentos, insumos, demora para marcação de exames e consultas, postos de saúde em péssimo estado de conservação, prestadores de serviço sem pagamento e sistema de urgência e emergência completamente desregulado.

O reflexo da má gestão do dinheiro público na gestão passada ainda é percebido hoje, infelizmente, no dia a dia, pelos usuários do SUS Curitiba. Mas, aos poucos, estamos colocando a casa em ordem e desfazendo o caos. E Curitiba vai voltando a ser Curitiba.

Aos poucos, estamos colocando a casa em ordem e desfazendo o caos

Nós criamos um comitê de hospitais para fazer a recontratualização, restabelecendo um cronograma de pagamento. Estamos acabando com o problema de desabastecimento de medicamentos, com um estoque regularizador que chega até o fim do mês. Estamos reforçando a equipe das UPAs com mais médicos e melhorando o fluxo interno, com restrição de acesso, garantindo mais segurança aos pacientes e profissionais da saúde.

Como parte da reestruturação, a UPA Matriz, que funcionava junto à estrutura do Hospital das Clínicas, foi reassumida pelo hospital, como seu pronto-atendimento, no dia 29 de abril, colocando fim a mais uma distorção feita pela gestão anterior – a unidade nunca existiu oficialmente como UPA e, por isso, o município não recebia recursos do Ministério da Saúde. Além disso, vamos inaugurar efetivamente a UPA Tatuquara, na próxima semana, e reabrir a UPA CIC, na sequência, ao contrário de fechar cinco UPAs, como foi disseminado em boato.

Nós estamos regulando o sistema para que o usuário receba atendimento no local correto, da forma correta e no tempo correto. Cerca de 80% dos 3,3 mil atendidos em UPAs hoje são pacientes não urgentes. Eles poderiam ter um acompanhamento mais eficiente nos postos de saúde e não apenas atendimento do caso agudo.

Estamos solicitando a contratação de mais 30 médicos para os postos de saúde e reorganizando a atenção básica, reforçando a acolhida, para que as pessoas busquem atendimento lá, em vez das UPAs, nos casos não urgentes. Abrimos o agendamento de consultas nos postos, o que até então era inviável.

Leia também:Das promessas à realidade: o SUS fecha portas em Curitiba? (artigo de Adriano Massuda, publicado em 11 de maio de 2017)

Criamos a estratégia Saúde Já com uma ação continuada para equalizar as filas de exames, consultas e cirurgias de especialidades. Com um investimento de R$ 12 milhões dos cofres municipais, atenderemos 200 mil pessoas – 23% da meta já foi cumprida e há exames complementares em que chegamos a 89%.

Também lançamos o piloto do aplicativo Saúde Já Curitiba para agendamento de atendimento. Em funcionamento nos distritos do Portão e Santa Felicidade, já recebeu quase 4 mil acessos. O próximo distrito a receber o projeto é Tatuquara. Na sequência, será estendido para toda a cidade.

Estamos trabalhando fortemente na criação de 50 novos leitos e reabertura de outros 200 de retaguarda, na otimização do Rede Mãe Curitibana – Vale a Vida e muitas novidades. Queremos um atendimento com qualidade e suficiência, com o uso racional dos recursos públicos. Não podemos prover tudo para todos, mas temos de prever o essencial para todos, com qualidade e suficiência. Esse é o nosso compromisso.

João Carlos Baracho, médico especialista em Saúde Pública, Medicina Interna, Geriatria e Gerontologia e ex-presidente da Associação Médica do Paraná, é secretário municipal de Saúde de Curitiba.

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