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O fim da “bolsa empresário” e o modelo petista de fazer política

 
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O governo encerrou o Programa de Sustentação dos Investimentos (PSI), uma linha de crédito concedida por meio do BNDES para diversos empresários com juros subsidiados, a título de investimento para aumento da produtividade nacional, na expectativa de que houvesse, com isso, crescimento do emprego, da renda e da tributação.

A conta final ainda não foi fechada, em virtude dos cálculos a serem feitos acerca dos investimentos realizados em 2015, mas estima-se em mais de R$ 400 bilhões a quantia canalizada pelo governo para esse fim, com um prejuízo total de mais de R$ 250 bilhões. Por causa desse caos, o PSI ficou conhecido como “bolsa empresário”, em jocosa alusão ao programa Bolsa Família, destinado a assistir famílias de baixa renda.

O método político de manutenção do poder através do favorecimento pessoal de grupos de interesse organizados com dinheiro (grandes empresários) e votos (camadas pobres da sociedade) não é uma novidade, tendo sido aperfeiçoado por Mussolini na Itália e experimentado pela primeira vez no Brasil com Getúlio Vargas, conhecido como “pai dos pobres”, mas também “mãe dos ricos”, já que, enquanto criava direitos trabalhistas e sindicatos, abria linhas de crédito e incentivava o protecionismo para aqueles que sustentavam economicamente seu regime.

Todos pagarão a conta final de um sistema que, já no seu processo inicial, gerava prejuízo para toda a nação

Talvez a grande novidade desse velho método político seja a magnitude do modo como foi executado. Está se apresentando aqui um esquema que gerou um prejuízo que supera os PIBs anuais de mais da metade dos países do mundo, individualmente considerados, e que será liquidado e incorporado como prejuízo na conta de cada brasileiro, tenha ele se beneficiado desse sistema ou não. Todos pagarão a conta final de um sistema de financiamento que, já no seu processo inicial, gerava prejuízo para toda a nação.

A ideia era relativamente simples: o governo obrigava o BNDES a emprestar dinheiro para empresários a juros que variavam de 6,5% a 11% ao ano, enquanto, para custear esse programa, captava recursos no mercado financeiro através de títulos da dívida pública que raramente eram vendidos abaixo da taxa de 12% ao ano. Como a captação do dinheiro era mais cara que o seu empréstimo, a conta desse prejuízo ficava, como sempre, para o pobre pagador de impostos.

Não por coincidência, apenas 1% dos empresários beneficiados – todos grandes conglomerados que teriam totais condições de serem financiados por credores privados – recebeu o equivalente a 56% dos empréstimos baratos concedidos. Certamente também não é coincidência que grande parte desses empresários investiu grandes quantias de recursos em campanhas de candidatos ligados ao governo federal nos últimos anos.

O Brasil precisa, urgentemente, rever sua visão do que é de fato o capitalismo, superando essa mentalidade corporocrata em que governo e grandes empresários concentram renda em troca de produtos e serviços caros e de baixa qualidade, substituindo-a por uma visão de uma economia pujante, com competição, baixa tributação e burocracia enxuta. É essa a real fórmula para o desenvolvimento nacional com geração de emprego e renda desconcentrada, e seus resultados estão unanimemente aprovados pelos países que se encontram na vanguarda econômica mundial.

Bernardo Santoro é diretor-presidente do Instituto Liberal.

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