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Resoluções de ano novo

Não temer as novas tecnologias, dispender algum tempo e esforço em dominá-las razoavelmente é condição para ministrar boas aulas

  • Wanda Camargo
 | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
 
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Segundo Carlos Drummond de Andrade, “é dentro de você que o ano novo cochila e espera desde sempre”; nada poderia ser mais verdadeiro se pensarmos que a modernização dos processos pedagógicos em todas as nossas escolas, em qualquer nível de ensino, estão cada vez mais utilizando a internet, ao lado de uma maior compreensão de que a prática é essencial para complementar ou até anteceder a teoria.

Num ambiente em que professores continuam indispensáveis, pois orientação firme e dedicada faz muita diferença no mar de conhecimentos disponíveis – nem todos essenciais ou adequados em cada momento e faixa etária, porém necessários ao longo de toda a vida –, o importante é que professores se atualizem constantemente. Não temer as novas tecnologias, dispender algum tempo e esforço em dominá-las razoavelmente é condição para ministrar boas aulas, para estar próximo de seus alunos e compreender suas aspirações.

O que é um ano “normal”, ou seja, aquele em que não houve guerras ou imensas catástrofes, diante dos anteriores?

Afinal, os novos espaços de conhecimento – empresas, organizações do terceiro setor, igrejas, sindicatos – complementam o trabalho escolar e familiar, fortalecendo-se como lugares de difusão cultural e reconstrução de saberes, e todo o planeta é hoje um imenso espaço educacional, alertando para a importância da independência intelectual, a capacidade de elaborar sínteses e estar atento a novas teorias, inovações na forma de fazer e entender os eventos, sejam eles rotineiros ou extraordinários. Curiosidade, desejo de construir sentidos, de trabalhar em equipe, de sermos ativos na aprendizagem, inclusivos com o diferente e o novo para poder viver com a heterogeneidade das pessoas e suas formas de atuação, são condições básicas.

Desde Sócrates, cujos conceitos sobre a educação estranhamente se tornam mais modernos a cada século, devemos educar os jovens para a vida em comunidade, e o grande método é através do diálogo, do esclarecimento mais profundo possível de ser obtido por meio de indagações, ou seja, a habilidade de um professor para conduzir o desejo de conhecimento do estudante de tal forma que este seja capaz de pensar por si mesmo; segundo ele, o verdadeiro mestre não é aquele que funciona como fonte inesgotável de saberes, mas sim o que ilumina o caminho do discípulo – principalmente hoje, quando ao utilizar a internet o aluno aprende sempre um pouco mais do que seu professor esperava, com os livros didáticos perdendo muito de sua importância, dada a rapidez com que os conhecimentos se renovam, e com processos sendo muitas vezes mais relevantes que seus resultados.

Leia também: Um ano novo para mudar um velho quadro na educação (artigo de Olavo Nogueira Filho e Caio Callegari, publicado em 24 de dezembro de 2016)

Leia também: 2017, ano da excelência (artigo de Edson Campagnolo, publicado em 2 de janeiro de 2017)

E assim, um pouco maravilhados e também assustados, chegamos ao início de um novo ano. Quando comparamos o período transcorrido com diversos outros já vividos, não dispomos de medidas ou métodos objetivos a partir do qual possamos chegar a um julgamento. O que é um ano “normal”, ou seja, aquele em que não houve guerras ou imensas catástrofes, diante dos anteriores? Impossível formar uma opinião definitiva, pois cada intervalo de tempo é um encadeamento psíquico repleto de fatos, de alegrias e tristezas; por isso tentamos, aleatoriamente, dividir nossa vida em intervalos regulares, e a cada ano ampliamos nosso impulso em direção a melhores políticas públicas de democratização da escola, intensificando o domínio das habilidades de leitura, escrita, da compreensão matemática, que possam nos levar àquelas competências que nos transformem em seres mais solidários e mais competitivos no mundo do trabalho.

Melhorar currículos, avaliações, corrigir fluxos e aumentar os anos passados em bancos escolares é básico para eliminarmos o desemprego e a crescente marginalização do jovem; direitos humanos, ou ausência deles, são mais do que nunca visíveis no sistema educacional.

Wanda Camargo, educadora, é assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil (UniBrasil).

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