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50 anos do disco

Sgt. Pepper’s foi, em muitos aspectos, a primeira obra de rock em que o disco continha mais, muito mais, que o que uma banda seria capaz de tocar

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 | Jonathan Campos;Gazeta do Povo
Jonathan Campos;Gazeta do Povo
 
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Nesta quinta, um dos discos mais importantes da história da música completa 50 anos. A Banda do Clube dos Corações Solitários do Sargento Pimenta – tradução literal de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band –, dos Beatles, foi, em muitos aspectos, a primeira obra de rock em que o disco continha mais, muito mais, que o que uma banda seria capaz de tocar, aproveitando com maestria a orquestração inovadora a cabo de seu produtor, Sir George Martin.

Foi o início de uma era que nos legou discos cada vez mais complexos e trabalhados em vários outros estilos musicais; uma era em que o meio de expressão máxima de um músico passou a ser uma gravação pronta. Ou, melhor ainda, uma dúzia de gravações prontas, formando um todo musical coeso: o disco. Um disco é uma ocupação de espaço sonoro de quase uma hora de duração com elementos musicais de três ou quatro minutos, apresentados em uma ordem estável, com volume normalizado. É um pacote pronto, o melhor que o artista pôde fazer gravando nas melhores condições possíveis, com o auxílio luxuoso de inúmeros instrumentistas, regravando, remixando e trabalhando o som até a perfeição.

Hoje em dia o disco está acabando. O streaming de música pela internet dissipa os discos

Mas hoje em dia o disco está acabando, apesar da teimosia de muitos bons artistas que ainda insistem no formato. O streaming de música pela internet dissipa os discos como antes o rádio o fazia, mas sem oferecer normal ou facilmente a alternativa de comprar o disco quando se gostava da “amostra” daquela produção tocada em um programa de rádio. A música popular, especialmente, foi se adaptando a este novo ambiente pelo lançamento de músicas “soltas” que se possa reconhecer em poucos segundos, com algum elemento repetitivo que se possa descrever, mas não necessariamente assoviar. Perde a música; o disco foi um meio muito superior de fermentação artística.

Antes dele, o concerto ao vivo era o rei das formas de música, e de uma certa forma – ao menos sob o ponto de vista do lucro – isso está de volta. Não há mais como vender milhões de discos e viver só disso; artistas e bandas se veem novamente chamados à estrada de onde o disco os desviara para os estúdios. Mas o concerto terá performances boas e performances mais ou menos, mesmo quando se trate dos melhores músicos. Algumas delas, ainda na lógica do disco, são gravadas e vendidas como um pacote, mesmo que muitas acabem sendo consumidas dissipadamente, à maneira do rádio, pelos serviços de streaming.

Não existe mais aquele píncaro da produção musical, aquele sonho que se podia tocar em todos os sentidos, aquele elemento de uma carreira musical que definia sempre um novo momento artístico. A volta dos músicos às praças e aos bares é um fenômeno tão forte quanto a sua migração às gravações poucas décadas atrás.

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