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Carlos Ramalhete

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Carlos Ramalhete

Política sem limites

A política no Brasil já ultrapassou em muito os limites, quaisquer limites, do que seria certo e errado, aceitável e inaceitável

  • carlosgazeta@hsjonline.com
 | Divulgação/BNDES
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A boa conspiração é a que apresenta fatos consumados, sem pistas levando a seus autores indiretos. Assim, não temos como saber se o recentíssimo escândalo das gravações e demais deduragens dos irmãos Batista tem ou não tem o dedo de José Dirceu, o conspirador-mor do time que torce contra o Brasil. Em todo caso, é coisa dantesca a ordem de grandeza das propinas milionárias pagas com dinheiro do BNDES. E é apavorante que os fautores de tamanhos ilícitos não apenas se livrem soltos, como que possam fazê-lo no exterior, usufruindo de dinheiro que pertence por direito ao povo brasileiro.

O que atinge o vice de Dilma e atual ocupante do posto máximo da República não é muita coisa, mas a divulgação foi feita como se fosse. O que mais chama a atenção nas gravações, contudo, não é que Temer confesse algum ilícito, ou mesmo que dê o seu aval direto a algo, mas que o presidente da República fique ouvindo pacificamente um celerado descrevendo suas ações contra o país. Isso hoje em dia é normal, e é este o problema.

Urge que as investigações alcancem a caixa-preta do BNDES. Até lá não haverá justiça

A política no Brasil já ultrapassou em muito os limites, quaisquer limites, do que seria certo e errado, aceitável e inaceitável. Espera-se que todos sejam crápulas, e joga-se com a sordidez de cada um para fazer valer projetos de poder. A diferença maior entre Temer e Lula (ou o poste de Lula que o sucedeu) é que aquele está tentando fazer algumas reformas necessárias, enquanto este estava tentando descarrilar de vez os vagões do Brasil, fazendo daqui uma imensa Venezuela. Nenhum dos dois, contudo, seria um impoluto varão de Plutarco. Nenhum dos dois tem as mãos perfeitamente limpas, já que ambos vadeiam pelo lodo que se tornou a política pátria. A própria ideia de honestidade tornou-se uma piada, enquanto os milhões vão e vêm em malas, chipadas ou não.

Leia mais:República Cleptocrática do Brasil (coluna de Flavio Quintela)

Leia mais:A delação e a impunidade (editorial de 24 de maio de 2017)

O contubérnio incestuoso entre o BNDES e as empresas dos irmãos Batista, alçando um frigorífico do interior a potência mundial de negócios, mereceria uma investigação aprofundada. Muita gente, por tudo o que há de certo neste mundo, haveria de ir presa, a começar pelos irmãos cuja deduragem chegou em um momento tão propício para tentar salvar o que sobra do PT. É apenas mais um escândalo entre muitos que a era Lula tentou enterrar. O caso é que, enquanto o Odebrecht foi preso e a partir daí colaborou com a Justiça, os irmãos Batista livraram-se soltos e com garantia de impunidade após lançarem petardos contra o governo Temer e sua base parlamentar comprada. Isto não é apenas deduragem entre criminosos; é política. E política criminosa da pior espécie, tendo o Brasil como refém.

Urge que as investigações feitas profissionalmente pela Polícia Federal alcancem a caixa-preta do BNDES. Até lá não haverá justiça.

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