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Carlos Ramalhete

Razões para sorrir

Texto publicado na edição impressa de 09 de fevereiro de 2012

Gente rica olha – de longe – para gente pobre e pensa que deve ser bom ter uma vida assim “simples”. Gente pobre, que perde noites de sono pensando se conseguirá comprar um botijão de gás quando este acabar, olha os ricos e pensa como deve ser bom viver assim, “sem preocupações”.

Raros, contudo, são os que olham a própria vida e percebem tudo o que há de bom nela, ou mesmo uma pequena parcela disso. As preocupações, sejam elas financeiras, amorosas ou decorrentes de responsabilidades sociais e de trabalho, geralmente conseguem tomar toda a nossa atenção e impedir que percebamos o quanto deveríamos, na verdade, ser gratos.

Vemos notícias de gente que é assassinada, surrada, roubada. Passamos, na rua, por pessoas que adorariam ter algo que nem sequer levamos em consideração, coisas que simplesmente estão aí, como a ar que respiramos: o amor dos filhos, o teto sobre a cabeça, o prazer de sentir o vento fresco que sopra aliviando o calor.

E nossa cabeça está cheia das preocupações, dos problemas tão menores que os “mimos” de que desfrutamos sem lhes dar qualquer valor.

É quase impossível perceber o quanto somos agraciados, o quanto devemos ser gratos pelo que temos. Eu, que tenho dificuldades de locomoção, olho meus filhos correndo e andando de bicicleta como eu fazia na idade deles, e percebo que eles – exatamente como eu há algumas décadas – não se dão conta de como é bom poder pedalar, andar, correr, passear, subir e descer escadas. Preciso, contudo, de um esforço consciente para me dar conta de como é bom que meus dedos possam bailar céleres sobre o teclado em que escrevo esta coluna: a agilidade deles me parece tão evidente quanto a minha capacidade de locomoção me parecia evidente quando era rapaz.

É esse o esforço que eu recomendo, e que me proporciona grandes alegrias. Os filósofos estoicos recomendavam um exercício que consistia em pensar no pior: ao despedir-se de um ente querido, pensar que aquela pode ser a última vez que se o vê, por exemplo. Um objetivo desse exercício é justamente levar a perceber e a aproveitar melhor essas alegrias às quais não damos valor: abraçar quem amamos, em vez de dar um “tchau” seco ou mesmo de virar a cara por uma razão idiota qualquer.

Mesmo que não queiramos ir tão longe, podemos e devemos procurar na nossa vida as muitas razões pelas quais devemos ser gratos; só assim conseguiremos não só dar o devido valor a tantas causas de alegria, como manter o rancor e a amargura distantes de nossos corações.

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