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Efraim Rodrigues

Atrapalhando o tráfego

Texto publicado na edição impressa de 13 de julho de 2012

O automóvel é o vilão mais reconhecido do ambiente, mas não é o único; nossas casas consomem ainda mais. Mesmo que a casa, ao contrário do automóvel, tenha para si a atenuante de ser indispensável, o consumo associado à residência é tão alto que pequenas mudanças têm potencial de trazer grandes benefícios ambientais. Exatamente porque todos têm de ter onde morar, o consumo global de recursos em moradias é seguido de perto pela tendência demográfica.

O impacto da residência começa já na sua construção e nem sempre é óbvio. A produção de cimento, por exemplo, é responsável por 5% das emissões mundiais de carbono e, quando essa emissão ocorre, a casa ainda nem começou a ser construída. A construção, especialmente de residências, desperdiça materiais em tal quantidade que seria muito simples conseguir grandes aumentos na eficiência do processo. Já no começo da festa é construído um barraco para o material, banheiro e refeitório. Uma coisa cara, feia e desconfortável que seria substituída com enorme vantagem por um trailer. Logo após começa o festival da madeira. Dá um trabalho enorme construir moldes de madeira para fazer concreto. Aliás, muito mais do que fazer a viga propriamente dita. Moldes metálicos reutilizáveis fariam um concreto mais liso e seriam reutilizáveis, economizando trabalho e madeira, mas, assim como nas outras soluções, isso demandaria um investimento inicial, amortizado ao longo do tempo útil do equipamento.

Quanta madeira uma obra gasta? Na pequena casa que acabei de construir, juntei madeira que estava espalhada e fiz uma pilha de 20m3 no jardim, mesmo depois de vender o que dava para ser reutilizado. Agora tenho lenha para tantos invernos que talvez vá me mudar daqui antes de consumi-la toda.

A ideia geral de resolver o próprio problema sem se preocupar com o resto do mundo chega ao ponto de não se empilhar o material que sobra. A areia que ficou espalhada no canteiro daria para começar outra obra. Porque os empreiteiros não têm contêineres para colocar areia, pedra e massa e evitar o desperdício, além da sujeira? Tirei 12 sacos de 150 kg de plástico da pilha de entulho que paguei para comprar o material, assentar e depois destruir, empilhar e levar embora. Fiz isso por não aguentar imaginar tudo indo para um aterro junto com pedaços de concreto e tijolo.

Precisamos tirar a construção de nossas casas da idade média antes de pensarmos em células fotovoltaicas, telhados verdes e madeira certificada.

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