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Editorial

O desafio da produtividade

Os ganhos sociais obtidos nos últimos anos poderão ser perdidos se a produtividade não aumentar, e esta não aumentará sem investimentos pesados na infraestrutura

Texto publicado na edição impressa de 09 de setembro de 2013

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) é condição necessária para que o padrão de vida médio da população aumente. Para permitir que a renda média por habitante cresça e propicie elevação do bem-estar social, o PIB tem de crescer a uma taxa superior ao aumento da população – o que, no Brasil, anda em torno de 1,2% ao ano. O crescimento do PIB se dá por vários caminhos. O mais comum é pelo aumento do número de pessoas trabalhando, pois, mantidas inalteradas as demais condições, a incorporação de mais pessoas ao processo produtivo resultará em mais produção. O outro caminho, mais difícil, é pelo aumento da produtividade, isto é, pelo aumento da produção por hora de trabalho humano.

Perseguir o crescimento do produto pela incorporação de mais pessoas ao processo produtivo não é solução para melhorar o padrão médio de bem-estar, pois, em geral, só há mais gente disponível para se empregar quando a população cresce. E uma população maior anula o aumento do PIB, ou pelo menos de parte dele, muitas vezes mantendo inalterado o PIB por habitante. Diante disso, a saída adequada é buscar o aumento da produtividade.

Cabe, então, descobrir por que meios a produtividade por hora de trabalho pode ser elevada. Uma das formas é pela melhoria da qualificação das pessoas, o que resulta em melhor habilidade profissional, logo mais produção. Conseguir isso é papel da educação e do treinamento dos trabalhadores. Todavia, essa tarefa não é obtenível em prazo curto; pelo contrário, não se faz revolução educacional e não se consegue resultado expressivo senão em, no mínimo, uma geração.

O segundo caminho, e o mais certeiro, para elevar a produtividade é através do investimento em infraestrutura física. Um exemplo simples é o caso de um motorista de caminhão. Transitando por uma estrada esburacada e congestionada e ficando dias parado na boca do porto, um motorista pode fazer umas três viagens mensais transportando grãos do centro do Brasil até o porto. Se o mesmo motorista transitasse em uma estrada boa, sem congestionamento, e conseguisse descarregar a mercadoria tão logo chegasse ao porto, poderia fazer não três, mas nove viagens em um mês.

Não é preciso ser especialista em economia para entender que a infraestrutura insuficiente – pela falta de estradas, armazéns, portos estrangulados e aeroportos em colapso – é responsável pela baixa produtividade, logo pela pobreza. Também não é difícil entender que investimentos capazes de ampliar a infraestrutura e consertar o que está sucateado teriam efeito imediato na produtividade hora do trabalho humano e permitiriam a elevação rápida da renda média por habitante. Por aí, a melhoria do padrão de vida médio seria possível em prazo relativamente curto.

Perante tal panorama, a aceitação de taxas baixíssimas de investimento público em infraestrutura é um erro que vai custar caro demais ao país. O setor público geral – municípios, estados e União – não consegue investir mais que 2,5% do PIB, quando deveria investir pelo menos 6%. Os ganhos sociais obtidos nos últimos anos poderão ser perdidos se a produtividade não aumentar, e esta não aumentará sem investimentos pesados e urgentes na infraestrutura.

Apesar desse diagnóstico relativamente consensual, parece que a classe política, em todos os níveis, não se dá conta de que aí está a encruzilhada que pode levar o Brasil à glória econômica ou a um fracasso histórico. Salvadas as exceções de praxe, a discussão sobre a escolha errada que o país está fazendo em relação ao investimento em infraestrutura é praticamente ausente do dia a dia dos políticos no Poder Legislativo em todos os níveis da Federação.

A presidente Dilma, infelizmente, a cada discurso e a cada entrevista em cadeia nacional, tem demonstrado enorme disposição para reclamar e criticar o que ela chama de “eles, os que vivem apregoando o pior”, quando ela deveria agradecer a todos quantos analisam e criticam o governo e suas políticas. Tomar as críticas e as previsões negativas como sendo algo pessoal contra a figura presidencial é um comportamento errado e prejudicial ao país, pois impede que o governo se beneficie das boas ideias, que são muitas.

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