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Editorial

O custo do atraso no setor público

O governo não vive de produzir e vender seus serviços, mas não está dispensado de executar investimentos e serviços com eficiência, qualidade e racionalidade

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 | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
 
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Nos últimos 200 anos o mundo tem sido um lugar complexo, com fantásticas realizações a favor da vida e da melhoria do bem-estar social, mas também com grandes tragédias humanas, como guerras, fome e violência urbana. As inovações tecnológicas, gerenciais e comportamentais vêm explodindo em escala exponencial, abrindo enormes possibilidades para a melhoria do padrão de vida da humanidade e, principalmente, enfrentar o desafio de alimentar e cuidar de uma população que saiu da marca de 1 bilhão em 1830 para 7,4 bilhões atualmente. O fato é que o mundo nunca viu uma onda tão intensa de invenções e inovações em todos os campos da atividade humana quanto a que está ocorrendo agora.

No meio das gigantes revoluções tecnológicas e das inovações em curso, o Brasil segue agarrado ao passado, atrasado e com pequena participação na criação de inventos, patentes e inovações nascidas em território nacional, a despeito de, em algumas áreas, o país ter do que se orgulhar. Uma dessas áreas vem do setor primário, especialmente a produção rural e a cadeia de agronegócios, cujos setores têm evoluído bastante nas últimas décadas. Inversamente, um setor tem se mostrado refratário e lento na absorção de tecnologias e inovações modernizantes capazes de melhorar seus serviços e baratear os custos. Trata-se do setor público consolidado, composto de 5.570 municípios, 26 estados, Distrito Federal e União federal.

Mesmo prestando serviços de baixa qualidade, o governo nas três esferas vem gastando muito mais do que arrecada para prestar serviços ruins

O setor público é dirigido e operado por políticos eleitos pelo povo e conta com funcionários concursados ou comissionados, cuja missão é arrecadar tributos e devolvê-los à população em forma de investimentos (sobretudo em infraestrutura física e social) e serviços públicos. Durante muito tempo, falar em adoção de métodos empresariais e imperativos de eficiência e racionalidade de custos na prestação de serviços públicos era tido por muitos como uma heresia capitalista, sob o argumento de que o governo não vive sob a égide do dinheiro e do lucro. Nada mais falso. O governo não vive de produzir e vender seus serviços, logo não se dirige por aspectos comerciais e empresariais, isso é óbvio; mas não está dispensado de executar investimentos e serviços com eficiência, qualidade e racionalidade.

Quando o governo consegue produzir mais e melhor, sem elevar os custos, há duas consequências virtuosas: mais pessoas podem ser atendidas com o mesmo dinheiro, e/ou menos impostos podem ser cobrados. As últimas notícias do ano informam que a dívida pública pode chegar a 80% do Produto Interno Bruto (PIB), revelando que, mesmo prestando serviços de baixa qualidade, o governo nas três esferas vem gastando muito mais do que arrecada para prestar serviços ruins, caros e atender a menos pessoas do que poderia se não houvesse ineficiência e corrupção.

Leia também: As crateras que acabam com a produtividade (editorial de 9 de novembro de 2017)

Leia também: O reajuste do funcionalismo (editorial de 29 de dezembro de 2017)

As inovações que estão ocorrendo nos países desenvolvidos no campo da administração, da tecnologia da informação e dos processos de produção de serviços – incluindo os de saúde, educação, Justiça e segurança – são fantásticas e gigantescas, abrindo a perspectiva para que a população se beneficie de mais e melhores serviços com menos impostos necessários para pagá-los. Nesse sentido, é legítimo perguntar o que os gestores do setor público estão fazendo para acompanhar a revolução tecnológica e as inovações. Nos últimos tempos, a população vem sendo bombardeada diariamente por uma avalanche de notícias sobre desperdícios, corrupção, ineficiência e baixa qualidade nos investimentos e nos serviços públicos nos três níveis de governo. Então, é legítimo e necessário que a população cobre do setor estatal que melhore os serviços que presta, seja mais eficiente nos investimentos que faz e que incorpore princípios, métodos e processos de administração compatíveis com o atual estágio da ciência, da tecnologia e das inovações. Afinal, é a população quem paga o governo; logo, este deve servi-la, não o inverso.

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