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Terça-feira, 09/02/2010

Rolândia

Professora tem as pernas queimadas depois de ser colada numa cadeira por aluno

06/12/2007 | 21:06 | Karlos Kohlbach - Gazeta do Povo Online

A sala de aula de um colégio estadual foi mais uma vez palco de uma violência covarde de alunos contra professores. O caso mais recente aconteceu na última segunda-feira (3) no Colégio Estadual Padre José Erions, no Jardim Novo Horizonte, em Rolândia, no Norte do Paraná - região onde outras agressões a professores já foram registradas.

Desta vez um estudante de apenas 14 anos, da 6º série, teve a idéia de colar a professora de matemática na cadeira - colar literalmente. O aluno passou cola na cadeira e esperou a professora sentar. Lilian Casado Iacomo, de 35 anos, chegava para ministrar a primeira aula do período da tarde, e disse que quando entrou na sala achou estranho o comportamento dos alunos. "Todos estavam olhando para ela com ar de apreensão", disse Edson Carlos da Silva, marido de Lilian. Assim que se sentou, a professora sentiu uma forte ardência na perna.

Professora agride aluno com apagador

Os professores não são só vítimas. Em agosto, no município de Piraí do Sul, nos Campos Gerais, uma professora arremessou um apagador de giz e acertou a cabeça de um aluno de 11 anos. André Solek, que estava sentado na segunda carteira, foi levado ao hospital, com um corte na sobrancelha e levou sete pontos.

A cola reagiu com o verniz da cadeira e provocou queimaduras nas pernas. A professora foi socorrida por uma funcionária do colégio e encaminhada para o hospital, no Centro de Rolândia. "Foram queimaduras leves. O pior é a humilhação vivida perante os alunos. Agora é cada vez mais comum este tipo de agressões de estudantes contra professores", desabafou Silva. Lilian é professora há 11 anos e desde 2004 trabalhava no colégio. Ao sair do hospital, a professora foi até uma Delegacia de Polícia para dar queixa.

Nesta quinta-feira (6), a professora voltou às salas de aula. Houve uma pequena confraternização com alguns alunos. O estudante que colocou cola na cadeira foi suspenso por três dias - no colégio a informação é que ele já teve diversos problemas disciplinares. "Inclusive ele combinou com um outro aluno de atear fogo na escola, só não conseguiu porque o comparsa foi detido no dia anterior", disse Silva.

O delegado Walter Helmut, que conduz o inquérito, não foi encontrado pela reportagem para comentar o caso. Assim como os diretores do colégio e a professora Lilian. O caso deve ser remetido para o Ministério Público.

Histórias de agressões

No dia 3 de abril deste ano, a diretora de um colégio de Londrina (Norte) foi seqüestrada por quatro pessoas - três delas eram alunos da escola e dois deles foram suspensos do colégio na semana anterior pela diretora por agressões em professores e alunos. Ela foi abandonada na beira da estrada e afirmou, na época, que não pretendia voltar mais para o colégio.

Menos de 20 dias depois, foi registrado mais um caso em Londrina. No dia 21, uma professora da Escola Ana Garcia Molina teve o braço quebrado depois de ser agredida com uma barra de ferro por um estudante de 18 anos, que cursava a 8ª série.

Briga entre alunos na sala de aula

Há casos também de briga entre alunos dentro das salas de aula. No dia 20 de junho o estudante de 11 anos, Bruno de Lima, foi espancado por um colega dentro da sala de aula de um colégio estadual de Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. O menino ficou internado por três dias num hospital. Ele teve de colocar uma placa de titânio no queixo porque teve o maxilar quebrado durante a agressão.

No dia 9 de maio um jovem de 17 anos teve um dos olhos perfurado por uma caneta, durante briga com uma colega de sala na Escola Estadual Thiago Terra, que funciona no Caic da zona sul de Londrina. A agressão ocorreu depois que a vítima chegou atrasada na sala de aula. Em razão do atraso, ela teria sido motivo de piada feita por um aluno e acabou revidando com agressões verbais.

Além de casos explícitos de violência envolvendo alunos e professores, há registros de carros de professores e diretores riscados e até incendiados.

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