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Roberto Custódio / Jornal de Londrina

Roberto Custódio / Jornal de Londrina / Antigo Cadeião voltou a pertencer à prefeitura de Londrina para se tornar um espaço cultural: policiais tiveram de deixar lugar e foram levados a ocupar salas de outras delegacias Antigo Cadeião voltou a pertencer à prefeitura de Londrina para se tornar um espaço cultural: policiais tiveram de deixar lugar e foram levados a ocupar salas de outras delegacias
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Richa anuncia novo IML e fim de Cadeião

Governo anunciou ontem a abertura de uma das primeiras licitações do programa Paraná Seguro

24/03/2012 | 00:07 |
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O governador Beto Richa autorizou ontem, em Londrina, a abertura de licitação para a construção da nova sede do Instituto Médico Legal (IML) na cidade, que custará R$ 5 milhões. A medida faz parte do pacote de investimentos de R$ 100 milhões na expansão e melhoria da infraestrutura de segurança no Paraná – pelo Programa Paraná Seguro –, autorizado pelo governador no início do mês. Richa também fez a entrega oficial do prédio da 10ª Subdivisão Policial, antiga sede de Londrina, ao Sistema Fecomércio, que revitalizará o imóvel para a abertura de um centro cultural.

Serão construídas novas sedes para a Polícia Civil – a Delegacia Cidadã, um projeto no qual serão aplicados R$ 10 milhões – e para o comando regional da Polícia Militar. Também faz parte do planejamento a construção de uma sede para o Instituto de Criminalística, a instalação da primeira base descentralizada do Grupamento Aeropolicial e Resgate Aéreo (Graer) e a construção de uma delegacia especializada em homicídios.

Centro Cultural

Uma sala preservará a história

Construída em 1953, até 1994 a única cadeia pública de Londrina foi cenário de fugas em massa, frequentes denúncias de tortura e espancamentos e onde pelo menos 76 detentos morreram de forma violenta. Ontem à tarde, quando o governador Beto Richa entregou oficialmente o prédio do antigo Cadeião de volta à Prefeitura de Londrina – que cedeu o local para instalação do Centro Cultural do Sesc – o local passa ao campo da cultura da cidade.

“Quem não queria demolir aquilo? Estão lá as piores lembranças da minha vida policial”, lembra o ex-delegado Clóvis Galvão, hoje em Curitiba. Ele chefiou a 10ª SDP entre 1990 e 1997. “Aquilo era um purgatório para os presos e para quem administrava – sempre operando o triplo acima da capacidade”, rememora. O Cadeião foi construído para 60 presos, mas quando foi desativado, em janeiro de 1994, tinha 200. “Era tudo amontoado e nem havia carcereiro. Era um descontentamento diário com rebeliões e precisávamos sempre de intervenção com a PM lá dentro. Um tormento”, diz o delegado. Na época, o secretário José Tavares deu a ordem para demolir tudo, mas a Prefeitura de Londrina entrou com uma ação na Justiça e impediu a demolição enquanto os estudantes protestavam.

Cafezinho

Onde os presos tomavam sol amontoados, um café cultural. Nas celas marcadas por inscrições na parede, fotos de mulheres, suásticas e frases com ameaças, salas de vídeo, teatro, cinema.

Até 2013 a Fecomércio, após investir quase R$ 2 milhões, espera transformar o cadeião em algo muito distante do que ele já foi – mas sem apagar a memória de sofrimento e encarceramento. “Uma das celas permanecerá da forma como é e as pessoas poderão experimentar um pouco do que foi o Cadeião”, diz Yuka Borges, técnica de atividades de cultura do Sesc e uma das responsáveis pela revitalização do espaço. (MF)

“Revolução”

Mas o anúncio da “revolução na segurança pública de Londrina” pelo governador e pelo secretário de Segurança Pública do Paraná, Reinaldo César, deixou mais perguntas do que respostas, principalmente para a Polícia Civil da cidade, que foi retirada do antigo Cadeião da Rua Sergipe.

Desde a segunda-feira, o Centro Integrado de Triagem (CIT), onde detidos aguardam a entrada no sistema carcerário, e o plantão policial público de registro boletins de ocorrência funcionam em duas pequenas salas no prédio da 10ª Subdivisão Policial, ao lado do antigo Cadeião. Já o setor de Homicídios, em menos de uma semana, mudou para a Delegacia de Trânsito e agora ficará onde estava a Delegacia da Mulher, na Rua Brasil. Entre os policiais civis, o clima era de indignação. “Difícil trabalhar desse jeito. Muito improviso junto”, lamentava um deles, que não quis se identificar. O clima negativo ficou mais evidente ainda na resposta irritada do delegado-chefe de Londrina, Márcio Amaro, ao ser abordado sobre o problema: “Perguntem ao prefeito Barbosa Neto”, torpedeou, negando-se a conceder entrevistas. Postura semelhante teve o secretário de segurança: ao ser abordado pela imprensa para comentar a crise, afirmou que se explicaria. No entanto, despistou, deu meia volta e foi embora com a comitiva oficial do governo.

Desalojamento

A entrega do Cadeião – pertencente à Prefeitura –, desaloja parte da Polícia Civil e leva problemas à segurança pública de Londrina. Em fevereiro, o governo do Paraná pagou à Prefeitura com a mesma moeda: requisitou de volta o prédio onde fica a sede da Guarda Municipal, no Jardim Aeroporto. Logo depois, a Polícia Militar anunciou que não aceitaria mais treinar a Guarda e ministrar as aulas de tiro previstas. Na última quinta-feira, a Secretaria de Segurança voltou a dialogar, mas impôs condições – como fazer uma avaliação de todos os membros da Guarda – e com isso viabilizar o treinamento de tiro. O secretário de Defesa Social, Jefferson Dias Chaves, responsável pela Guarda Municipal, desdenhou do documento divulgado pela PM e mostrou-se insatisfeito. Também não quis dar entrevistas.

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