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Benedicto Júnior, o “BJ”, entregou à PGR uma planilha com mais nomes de políticos que teriam recebido doações da Odebrecht | Reprodução
Benedicto Júnior, o “BJ”, entregou à PGR uma planilha com mais nomes de políticos que teriam recebido doações da Odebrecht| Foto: Reprodução

Mais uma planilha da Odebrecht amplia o número de políticos do Paraná citados no âmbito da Operação Lava Jato. Do total de 180 nomes que aparecem em uma planilha apresentada pelo delator da empreiteira Benedicto Júnior, conhecido como “BJ”, nove são de paranaenses. O documento foi entregue para a Procuradoria Geral da República (PGR), que informou que ainda analisa o material, por isso não há pedidos de abertura de inquérito contra políticos somente com base no documento.

Na tabela, como já explicou BJ aos procuradores da República, consta quase 600 repasses de dinheiro da Odebrecht a campanhas eleitorais realizadas entre 2008 e 2014. Todas as transferências, ainda segundo o BJ, foram feitas via caixa 2.

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Entre os nove nomes do Paraná, estão o governador do Estado, Beto Richa (PSDB); a vice-governadora do Estado, Cida Borghetti (PP); o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Ademar Traiano (PSDB); o presidente do Tribunal de Contas do Paraná, Durval Amaral (ex-DEM); a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR); o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR); e o deputado estadual Plauto Miró (DEM).

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Também integram a lista o ex-deputado federal e ex-prefeito de Curitiba Gustavo Fruet (PDT); além do ex-deputado federal André Vargas (ex-PT), atualmente preso pela Lava Jato em Curitiba.

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No caso dos políticos do Paraná, a “pessoa de contato”, conforme a planilha do BJ, seria Valter Lana, também delator. Na época dos repasses, Lana era o executivo da Odebrecht responsável pelos negócios da região Sul da empreiteira.

Do total de 180 nomes, apenas parte deles já é alvo de inquérito. Dos nove paranaenses, somente Gleisi Hoffmann já responde a um inquérito que trata exatamente dos valores mencionados na planilha. Todos os demais oito nomes não são alvos de investigação formal, no âmbito da Lava Jato.

À Gazeta do Povo, a assessoria de imprensa da PGR informou no último domingo (16) que “os documentos entregues pelos colaboradores serão analisados a partir de agora, com as investigações em curso”.

A partir da análise, a PGR pode solicitar a abertura de investigações ao relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, se entender que há indícios suficientes para tal. A PGR pode concluir, também, que não há motivo para abertura de inquérito.

Além disso, a PGR também pode pedir a Fachin o envio de casos para outras esferas do Judiciário, dependendo do cargo público ocupado pelo político. Somente senadores e deputados federais são investigados pelo STF. Governadores de estados e conselheiros de tribunais de contas, por exemplo, tem foro especial no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Beto Richa já tinha aparecido nas delações da Odebrecht e, por isso, a PGR enviou uma petição a Fachin, na qual é solicitado o envio do caso ao STJ. Fachin autorizou o envio, conforme despacho divulgado no último dia 12. Mas as informações que constam na petição já encaminhada ao STJ e os dados revelados na planilha do BJ são diferentes.

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Beto Richa (PSDB)

Na tabela do BJ, o atual chefe do Executivo do Paraná, Beto Richa (PSDB), apelidado de “Brigão”, teria recebido um total de R$ 900 mil da Odebrecht, via caixa 2, para sua campanha vitoriosa ao governo do estado em 2010. Teriam sido cinco repasses: quatro parcelas de R$ 200 mil e mais uma parcela de R$ 100 mil.

Já na petição 6665, que agora está nas mãos do STJ, o tucano teria recebido R$ 2,5 milhões da Odebrecht, via caixa 2, na última campanha, em 2014, quando foi reeleito. Na mesma petição já lida por Fachin, a PGR ainda reproduz delações que mencionam repasses não registrados para as campanhas de 2008 e, novamente, de 2010.

Em 2008, teriam sido R$ 100 mil para a campanha vitoriosa de Beto Richa à Prefeitura de Curitiba. Em 2010, teriam sido R$ 450 mil.

Como a planilha do BJ ainda está em fase de análise pela PGR, não é possível saber se os R$ 450 mil mencionados na petição enviada ao STJ já estariam incluídos nos R$ 900 mil registrados na tabela.

Procurada nesta segunda-feira (17) em função da planilha do BJ, a assessoria de imprensa do governador do Paraná informou que caberia ao tesoureiro da campanha de 2010, Fernando Ghignone, dar explicações sobre o assunto.

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À reportagem, Ghignone encaminhou uma nota, na qual sustenta que a denúncia [da Odebrecht] é “inverídica e fantasiosa”. “Todas as doações foram efetuadas na forma da lei, depositadas na conta corrente oficial do partido. Nossas prestações de contas foram aprovadas pelo TRE [Tribunal Regional Eleitoral], sem ressalvas”, escreveu o ex-tesoureiro.

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Cida Borghetti (PP)

Pré-candidata ao governo do Paraná em 2018, a atual vice-governadora do estado, Cida Borghetti (PP), mulher do ministro da Saúde Ricardo Barros (PP), aparece na planilha do BJ em função da campanha de 2010 a deputada federal. Com o codinome de “Princesa” na tabela, a ex-deputada federal teria sido beneficiada com R$ 50 mil, via caixa 2. Em nota encaminhada à reportagem, a assessoria de imprensa da pepista informou que “Cida Borghetti nega o recebimento de doação ilícita”.

Ademar Traiano (PSDB)

O atual presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Ademar Traiano (PSDB), teria recebido via caixa 2, de acordo com a planilha do BJ, um repasse no valor de R$ 50 mil para a campanha a deputado estadual em 2010. “Todas as doações de campanha foram dentro da lei e aprovadas pela Justiça Eleitoral”, informou a assessoria de imprensa do tucano à Gazeta do Povo. Na tabela, Traiano aparece com o codinome “Praia”.

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Durval Amaral (ex-DEM)

O ex-secretário de Beto Richa Durval Amaral (ex-DEM), atual presidente do Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR), teria recebido via caixa 2, para sua campanha de 2010, dois repasses da Odebrecht, de acordo com a planilha do BJ: um no valor de R$ 75 mil e outro no valor de R$ 45 mil. O apelido do conselheiro na tabela é “Amarelou”.

Em nota encaminhada à reportagem, ele informou que “todas as doações para a campanha de deputado estadual em 2010 foram legais e tiveram a aprovação da Justiça Eleitoral”.

Gleisi Hoffmann (PT)

Líder da bancada do PT no Senado, a paranaense Gleisi Hoffmann, chamada pelos codinomes de “Amante” e “Coxa” na planilha do BJ, teria recebido mais de R$ 2 milhões via caixa 2, em sete repasses. Em nota encaminhada à reportagem, a senadora escreveu que “reitero que não solicitei contribuição para as minhas campanhas aos executivos da Odebrecht” e que “não tenho como esclarecer fatos dos quais não participei”. A senadora escreve ainda que a Gazeta do Povo “já fez matéria sobre isso quando da divulgação do vídeo”.

Luiz Carlos Hauly (PSDB)

O deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), ex-secretário de Beto Richa e atualmente na relatoria da reforma tributária em trâmite no Congresso, teria recebido um repasse de R$ 50 mil da Odebrecht, via caixa 2, para sua campanha de 2010 à Câmara dos Deputados. Na planilha do BJ, seu codinome é “Decodificado”. Em entrevista por telefone à reportagem nesta segunda-feira (17), Hauly negou qualquer ilegalidade e disse ter “estranhado muito” o surgimento do seu nome.

“Sou muito rigoroso e metódico com as minhas contas. Nunca aceitei nada via caixa 2. Tem alguma coisa errada”, disse o tucano, que admitiu conhecer Valter Lana. “Mas não consta nada contra mim”, reforçou o parlamentar, em referência ao fato de a PGR não ter pedido abertura de inquérito contra ele até agora. “Mas estou à disposição para esclarecer”, completou ele.

Plauto Miró (DEM)

O deputado estadual Plauto Miró (DEM), primeiro-secretário na Assembleia Legislativa do Paraná, teria recebido R$ 50 mil da Odebrecht, para sua campanha em 2010, via caixa 2. Na planilha do BJ, ele aparece com o codinome “Grosseiro”. O parlamentar informou, por meio de sua assessoria de imprensa, “que todas as doações eleitorais recebidas ao longo de sua vida política foram devidamente informadas à Justiça Eleitoral, tendo sido aprovadas na integralidade”.

“Informa ainda que não foi comunicado por qualquer autoridade judiciária para esclarecimento de fato oriundo de sua prestação de contas eleitoral. Porém, está à disposição para sanar eventuais dúvidas por ser o principal interessado em qualquer investigação, que tenha seu nome envolvido indevidamente”, acrescentou ele.

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Gustavo Fruet (PDT)

O ex-prefeito de Curitiba e ex-deputado federal Gustavo Fruet (PDT) também aparece na planilha do BJ, como beneficiário de dois repasses da Odebrecht, via caixa 2. Ele teria recebido R$ 150 mil para sua campanha de 2010 e R$ 50 mil para sua campanha de 2012, quando disputou e foi eleito para prefeito de Curitiba.

Na tabela, consta que, no ano de 2010, Fruet teria recebido para uma campanha “a deputado federal”. Naquele ano, contudo, como alertou a assessoria de imprensa do pedetista, ele disputava uma vaga ao Senado.

Apelidado de “Dentuço” no documento, Fruet também nega ter recebido os valores. Segundo nota encaminhada à reportagem pela assessoria de imprensa do ex-prefeito de Curitiba, “em 2012, a coligação recebeu de forma oficial R$ 300 mil doados pela Odebrecht ao diretório nacional do PDT devidamente declarado”. “Fruet não assinou nenhum contrato com a empresa durante os 4 anos de mandato na prefeitura de Curitiba”, continuou a nota.

André Vargas (ex-PT)

O ex-presidente do PT no Paraná e ex-deputado federal André Vargas, atualmente preso no âmbito da Lava Jato, aparece na planilha do BJ com o codinome “Parente”. Ele teria recebido da Odebrecht R$ 75 mil para a campanha de 2010, via caixa 2. Procurada pela Gazeta do Povo, a advogada do ex-petista, Nicole Trauczynski, disse por telefone que “não houve nenhuma contribuição irregular da Odebrecht” para campanhas de seu cliente.

(Colaboraram Euclides Lucas Garcia, Felippe Aníbal, João Guilherme Frey, Katia Brembatti e Rosana Felix)

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