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Cena do filme “Polícia Federal - A lei é para todos”, filmado em Curitiba, Palmeira (PR) e São Paulo. | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Cena do filme “Polícia Federal - A lei é para todos”, filmado em Curitiba, Palmeira (PR) e São Paulo.| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Quase sempre, a vida imita a arte. Mas a Operação Lava Jato inverteu essa lógica. A maior operação de combate à corrupção da história do Brasil, que já dura três anos, com mais de 40 fases deflagradas, vem inspirando escritores, cineastas, dramaturgos e, quem diria, até personagens reais dessa verdadeira trama policial.

Da descoberta de um esquema de corrupção que lesou os cofres da Petrobras surgiram livros, filme, série de tevê e até um musical que contam os bastidores da operação, satirizam alguns personagens e reproduzem momentos-chaves da investigação que mandou para cadeia políticos, doleiros e empresários.

Veja a seguir algumas dessas obras-primas que já foram lançadas ou ainda estão no forno:

Youssef por ele mesmo

Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

O doleiro mais famoso da Operação Lava Jato quer eternizar sua história. Alberto Youssef, que revelou, em delação premiada, detalhes do esquema de corrupção instalado na Petrobras, anunciou que está produzindo a sua biografia. Segundo a defesa de Youssef, já existe acordo com uma editora para publicação e com um “ghost writer” para colocar tudo no papel.

O doleiro promete contar bastidores da sua relação com alguns “poderosos” de Brasília e da negociação fechada com a força-tarefa do Ministério Público Federal. Youssef foi preso na Lava Jato em março de 2014, acusado de ser o principal operador de propinas do petrolão. O doleiro passou 2 anos e 8 meses na prisão. Deixou o cárcere em novembro de 2016 e está morando em São Paulo, onde cumpre regime aberto.

Segundo a defesa de Youssef, os contratos do futuro livro “preveem que o autor deverá entregar os originais da obra até 31 de dezembro de 2017”, além de tornar disponíveis documentos e colaborar com o biógrafo na elaboração da obra.

Lava Jato, uma comédia musical

Reprodução

O dramaturgo carioca Judson Feitosa vai adaptar para o teatro a história da maior operação de combate à corrupção do Brasil. O espetáculo Lava Jato – o musical deverá chegar aos palcos no primeiro semestre de 2018. A coreografia será assinada por Julita Machado. As audições para escolha do elenco devem começar em breve. Segundo Feitosa, os escolhidos deverão saber cantar e dançar, além de “ser ótimos comediantes”.

Lava Jato – o musical será uma comédia, explica o seu idealizador. A trama começará com a chegada do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, ao Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. Cabral está preso desde 17 de novembro de 2016, acusado de ser o cabeça de uma organização criminosa que cobrava propinas e desviava recursos públicos. O espetáculo será financiado pela Lei Rouanet. A produção já foi autorizada a captar cerca de R$ 706 mil.

Série da Netflix

A operação que desvendou o esquema de corrupção na Petrobras e levou grandes empresários e políticos para a cadeia promete inspirar também a criação de uma série de tevê produzida pela empresa de streaming de vídeos Netflix. Por enquanto, o projeto é cercado de mistérios.

O que se sabe é que será dirigido pelo cineasta José Padilha, diretor de filmes como Tropa de Elite e Robocop, e escrito pela roteirista Elena Soares. Anunciado como projeto em abril de 2016, a série ainda não tem nome ou data de lançamento.

Filme com atores globais

Longa “Polícia Federal – A lei é para todos” será lançado no próximo dia 7 de setembro.Jonathan Campos/Gazeta do Povo

No próximo 7 de setembro estreia nos cinemas do Brasil o longa metragem “Polícia Federal – a lei é para todos”, com direção de Marcelo Antunez . O filme contará a saga da Operação Lava Jato sob o ponto de vista do delegado Ivan Romano e da sua equipe de investigadores na PF, em conjunto com a força-tarefa do Ministério Público Federal.

No elenco estão atores globais, como Antonio Calloni e Flávia Alessandra, que interpretam delegados da PF, Marcelo Serrado no papel do juiz Sergio Moro, e Ary Fontoura, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Algumas cenas foram gravadas na superintendência da PF em Curitiba.

Um trailer de pouco mais de dois minutos divulgado no início de julho mostra que o filme terá várias cenas de ação, com perseguição, tiroteio e a prisão de investigados importantes da operação, como o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

Segundo o produtor Tomislav Blazic, a ideia é que o filme se torne uma trilogia. O primeiro longa começa com a descoberta de um posto de combustíveis de Brasília utilizada para lavar dinheiro e termina com a condução coercitiva do ex-presidente Lula, na 24ª fase da operação, em março de 2016. Até agora, já foram deflagradas 42 fases da Lava Jato em Curitiba.

Livro-reportagem

O juiz Sergio Moro e o jornalista Vladimir Neto, no lançamento do livro, em Curitiba: bastidores da operação.Pedro Serápio/Gazeta do Povo

O primeiro produto cultural da operação foi o livro-reportagem “Lava Jato”, do jornalista Vladimir Netto, que traz na capa foto em preto e branco do juiz federal Sergio Moro. Lançada em junho de 2016, a obra já vendeu quase 90 mil exemplares, tendo figurado por meses na lista dos mais vendidos na categoria não-ficção.

Correspondente da TV Globo na sucursal de Brasília, o jornalista acompanha as investigações desde seu início, em março de 2014, e, como num livro de suspense, vai revelando, pouco a pouco, os principais desdobramentos que expuseram o maior escândalo de corrupção do país.

Com ares de trama policial e detalhes cruciais de bastidores, Vladimir apresenta os personagens-chave do petrolão – doleiros, dirigentes da Petrobras, políticos e empreiteiros – e faz um perfil de Moro, alçado à condição de ídolo nacional ao mandar empresários e políticos para a cadeia.

O sucesso (e os desdobramentos da operação, com a condenação do ex-presidente Lula) deve render uma continuação. A parte 2 do livro sai pela editora Sextante até dezembro deste ano.

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