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Lula na cadeia

Após choque com polícia, manifestantes pró-Lula se aglomeram perto da PF

Em discurso, Gleisi Hoffmann disse que Lula era um “preso político” e que, por isso, os apoiadores do petista permanecerão em Curitiba até que ele seja solto

  • Giulia Fontes, com informações de Cecília Tümler
“O mundo está vendo o golpe contra a democracia”, disse a senadora e presidente do PT Gleisi Hoffmann | Daniel CaronGazeta do Povo
“O mundo está vendo o golpe contra a democracia”, disse a senadora e presidente do PT Gleisi Hoffmann Daniel CaronGazeta do Povo
 
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Atualizada às 17h20.

Após entrar em choque com a polícia em frente à Superintendência da Polícia Federal na noite de sábado (7), em Curitiba, manifestantes pró-Lula voltaram a se aglomerar em grande número na região, neste domingo (8). O clima, que era tranquilo e pacífico na manhã, ficou mais tenso ao longo do dia. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou de helicóptero à sede da PF na noite de sábado (7) para começar a cumprir a pena de 12 anos e um mês de prisão. 

A senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, fez um discurso político no fim da tarde deste domingo (8) afirmando que dezenas de ônibus estariam vindo de vários estados para aumentar ainda mais o acampamento na região da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida, em Curitiba. A senadora pediu desculpas aos moradores da região, disse que eles não queriam estar lá e que só permaneciam no local porque estaria acontecendo uma “injustiça”. Para ela, Lula seria o primeiro preso político desde a Constituição de 1988.

Leia também: A “conspiração judicial” é um delírio de Lula

“O mundo está vendo o golpe contra a democracia”, afirmou a senadora, salientando que o petista também está em primeiro lugar nas pesquisas para a eleição presidencial deste ano. “Por isso será muito difícil acabar com nosso movimento”. Ela confirmou ainda a visita do advogado Cristiano Zanin ao ex-presidente. “Lula dormiu bem, está descansado”.

Em seu discurso, Gleisi também contou que foi solicitada uma sindicância para apurar as ações com bombas e balas de borracha da Polícia Federal na noite de sábado (7), em meio ao protesto pró-Lula. "A violência é injustificável em protesto pacífico como aquele. Os manifestantes apenas acenderam sinalizadores, que não impediriam o pouso do helicóptero", disse.

Já para os vizinhos moradores do bairro Santa Cândida, onde acontece o acampamento, a presidente do partido pediu desculpas pelas movimentações, mas acrescentou que "nós também não queríamos estar aqui, nós estamos aqui porque precisamos depois de Lula ter sido condenado injustamente".

Em meio aos discursos políticos, o ato pró-Lula conta com a apresnetação da cantora Ana Cañas. A primeira música que ela cantou foi "O Bêbado e o Equilibrista", que disse ser uma música de grande importância para Lula.

Acampamento

Os manifestantes estão respeitando o bloqueio feito pela Polícia Militar no entorno da PF, conforme determinação da Justiça do Paraná. Há um perímetro de cem metros de distância do portão do prédio da PF. Eles dizem que permanecerão em vigília no local até a soltura do ex-presidente. O acampamento, batizado de Lula Livre, está sendo montado na Rua Doutor Barreto Coutinho, é organizado pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, e conta com a participação de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e da Via Campesina. 

Leia também: De preso político a preso comum: o fracasso de Lula e do seu projeto de poder

De acordo com Neudi de Oliveira, da Frente Brasil Popular, a expectativa é receber até 1.500 pessoas no acampamento. Os organizadores do movimento dizem que, após os acontecimentos de sábado – o confronto com a polícia, que resultou no arremesso de bombas de efeito moral e tiros de bala de borracha –, o número de participantes no acampamento deve aumentar. Apesar do grande número de ônibus pelo menos cinco – e de pessoas, os militantes evitam bloquear a entrada das residências.

O movimento é parte de uma mobilização nacional. Roberto Baggio, integrante do MST, afirma que também estão previstos atos no Rio de Janeiro e em Brasília. Na capital federal, outro acampamento deve ser feito em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Organização 

De acordo com Baggio, os manifestantes farão o máximo esforço para não atrapalhar a rotina dos moradores da região. A orientação, segundo ele, é para que os militantes “não aceitem provocações” e, também, que não hostilizem a imprensa. No dia anterior, pelo menos seis jornalistas foram agredidos em São Bernardo do Campo enquanto faziam seu trabalho. Em Curitiba, ameaças e constrangimentos a colegas de imprensa também foram verificados. 

O acampamento já tem banheiros químicos e, segundo os organizadores, deve contar também com uma cozinha para atender aos manifestantes. Até um comitê de imprensa foi montado para atender aos jornalistas.

Às 10h, o almoço dos acampados já estava sendo preparado. Zeny dos Santos Cruz, do quilombo dos palmares, em Londrina, conta que um ônibus a região dela chegou com manifestantes ainda de madrugada. A cozinheira já prepara o cardápio do almoço no acampamento: vaca atolada e salada. Segundo ela, deve permanecer no local “até quando o movimento achar necessário”. 

Visitas 

Segundo Gleisi, além dos advogados, Lula deve receber a visita de políticos, de representantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara e do Senado e também de familiares.

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Zeny dos Santos Cruz prepara o almoço dos manifestantes no acampamento Lula Livre: cardápio tem vaca atolada e salada .Foto: Giulia Fontes

Vizinhança

A reportagem conversou com moradores do entorno da PF. Eles relatam que o clima foi de bastante medo com a confusão no sábado, por causa do confronto entre policiais e manifestantes. Segundo eles, até 1 hora da madrugada era possível ouvir movimentações na rua.

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