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Lula chama Moro de ‘parcial’ na cara dele

Depoimento do ex-presidente no processo do terreno do Instituto Lula foi mais tenso do que no interrogatório do tríplex. Moro também estava mais irritado com Lula

  • Fernando Martins
  • Atualizado em às
 |
 
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Em um depoimento mais tenso e agressivo do que no primeiro interrogatório, o ex-presidente Lula acusou o juiz Sergio Moro nesta quarta-feira (13) de ser parcial e de ter se tornado “prisioneiro” da imprensa. Na frente do juiz, durante o depoimento do processo referente. Moro também demonstrou mais irritação com Lula do que na primeira vez em que se encontraram, em maio, durante interrogatório do processo do tríplex.

Veja o trecho do depoimento em vídeo

Quase no fim do depoimento, Lula disse a Moro: “Vou terminar fazendo uma pergunta o para o senhor. Vou chegar amanhã em casa e almoçar com meus oito netos e uma bisneta de seis meses. Eu posso olhar na cara dos meus filhos e dizer que fui prestar depoimento a um juiz imparcial?” Contrariado, Moro respondeu: “Primeiro, não cabe ao senhor fazer esse tipo de pergunta a mim. Mas, de todo modo, [a resposta é] sim”.

Lula rebateu: “Porque não foi esse o procedimento na outra ação [do tríplex do Guarujá]”. Moro condenou Lula a nove anos e seis meses de prisão.

“Não vou discutir aquele processo aqui”, retrucou o juiz, que afirmou que o local adequado para o ex-presidente questionar a decisão sobre o tríplex é o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4). E então Moro encerrou o depoimento.

Prisioneiro da imprensa

Um pouco antes de questionar a parcialidade do juiz, Lula também disse que considerar que o que a Lava Jato está fazendo com ele é “ilegítimo”. E acusou Moro e os demais integrantes da Lava Jato de terem se tornado prisioneiros da imprensa. “A imprensa aprisionou vocês”, disse o ex-presidente. O argumento de que Moro e a operação haviam se tornado refém da mídia já havia sido usado por Lula no primeiro interrogatório: se a Lava Jato “desagradar” à imprensa, serão “perseguidos” pelas manchetes de jornais – e isso os colocaria contra a parede e com a “obrigação” de provar as “mentiras” que inventaram, acusando e condenando pessoas inocentes.

O ex-presidente então começou a falar, como exemplo de seu argumento, das polêmicas envolvendo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Moro novamente se irritou e interrompeu Lula. “[O que o senhor está falando] não tem nada a a ver com Brasília. Não tem nada com o doutor Janot. Não tem nada a ver com a imprensa. O senhor tem alguma consideração específica sobre isso [o processo do terreno]?”

Lula a Moro: “O senhor precisa ler outros jornais”

A insatisfação de Lula com a imprensa também ficou clara em outros momentos do depoimento. O ex-presidente chegou inclusive a forma como Moro supostamente se informa.

Foi quando o juiz perguntou se havia sido Lula quem nomeou o ex-ministro Antonio Palocci para o governo de Dilma Rousseff. “Se o senhor leu o jornal O Globo... Aliás, o senhor se baseia muito no Globo, doutor Moro. O juiz interrompeu Lula: “O Globo não é o acusador aqui, presidente”. O petista então alfinetou o juiz: “Na minha condenação, o senhor cita o jornal O Globo 15 vezes e não cita... cita só cinco testemunhas minhas que veio (sic) aqui. Então [o senhor] precisa ler outros jornais”.

Moro insistiu na pergunta. “Então objetivamente, presidente: senhor indicou Palocci para ser chefe da Casa Civil [de Dilma]?” Lula voltou a ironizar Moro. “Não, se o senhor leu o jornal O Globo na ocasião, o senhor vai ver que eu era contra o Palocci ir para o governo. Mas a Dilma indicou e quem indica é a presidente”.

A mágoa com Deltan. E mais farpas na imprensa

Lula voltou a mencionar no interrogatório o powerpoint exibido pelos procuradores no ano passado, ao apresentarem a denúncia contra Lula no caso do tríplex. Segundo o petista, a peça virou a “nave mãe” dos processos contra ele.

“Doutor [Moro], eu vou apenas repetir uma coisa aqui, para ficar bem claro, que é o seguinte: quando o procurador [Deltan] Dallagnol [coordenador da força-tarefa na Lava Jato] apresentou, no ano passado, uma peça de ficção num powerpoint, que se transformou a nave mãe dos processos contra mim. E contaram uma inverdade deslavada, e se submeteram à imprensa para poder continuar contando inverdades e a imprensa tentar transformar em verdade. Inventaram também essa história desse prédio [do Instituto Lula]”, disse Lula.

Colaboraram Sérgio Luis de Deus e Kelli Kadanus

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