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O coronel que complica (ainda mais) a vida de Temer

João Baptista Lima Filho, amigo e auxiliar de Temer há mais de 30 anos, é visto como peça-chave nas investigações sobre o peemedebista

  • Brasília
  • Evandro Éboli, correspondente
 | Beto Barata/PR
Beto Barata/PR
 
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Muito se especula, nos desdobramentos das investigações em curso no país, sobre o impacto de uma delação de algumas dessas personagens envolvidas. As que podem complicar ainda mais a vida de Michel Temer causam maior frisson. Uma delas, em especial, aguça esse “mercado”: a do coronel aposentado João Baptista Lima Filho, um amigo e auxiliar de Temer há mais de 30 anos e que teve seu nome citado, e bem comprometido, nas gravações da JBS.

Num contundente depoimento, o ex-executivo da J&F Ricardo Saud, que tinha a missão, entre outras, de fazer os pagamentos até em dinheiro para os políticos próximos do chefe Joesley Batista, contou um pouco dessa relação de confiança entre Temer e o coronel. O policial militar aposentado teria sido a pessoa indicada pelo então vice-presidente para receber o valor de R$ 1 milhão, em dinheiro vivo.

Impressiona certa naturalidade e detalhes da confissão premiada de Saud: o encontro com Temer em frente ao seu escritório, num bairro nobre em São Paulo; o bilhetinho com nome do coronel entregue por Temer; o nome de Florisvaldo, funcionário de Saud, quem foi conferir o endereço e descobriu funcionar lá a Argeplan, que tem o militar como sócio; a queixa de Saud com Temer, depois do dinheiro entregue, que o coronel Lima é uma pessoa grossa. Detalhes, ricos, que estão sendo investigados.

Lima é dono de fazendas. Uma delas, de nome Esmeralda, em Duartina, interior paulista, já foi invadida quatro vezes por movimentos sociais, entre os quais o MST, que a associam o imóvel a Temer. Acham que estão invadindo uma propriedade rural do presidente da República.

O coronel Lima tem 74 anos e recebe aposentadoria na PM de R$ 23 mil. É sócio da Argeplan, uma construtora. Ele é casado com Maria Rita Fratezi, que é arquiteta e responsável pela reforma numa casa adquirida por uma das filhas de Temer, Maristela. O terrento da casa, na capital paulista, tem 350 metros quadrados. A Polícia Federal investiga esse caso. Segundo reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, fornecedores chegaram a receber R$ 100 mil em dinheiro para serviços na obra, pagos por Maria Rita, mulher e sócia do coronel na empresa.

O terreno foi adquirido em 2011 e a reforma se deu em 2014. Em buscas e apreensões feitas na Argeplan, a PF encontrou documentos relacionando o coronel Lima pagamentos da obra.

Michel Temer já confirmou, em nota, a relação que vem de longe com o coronel Lima, diz que ele cuidava de suas campanhas eleitorais, mas nega que tenha recebido, direta ou indiretamente, dinheiro da JBS em 2014. O presidente afirma que toda contribuição se deu por ordem bancária e foi registrada na Justiça Eleitoral. O Planalto também já informou que a obra da casa foi paga pela própria Maristela.

Temer tem três filhas desse primeiro casamento. Além de Maristela, tem Luciana e Clarissa. Luciana Temer foi secretária de Assistência Social da Prefeitura de São Paulo, na gestão de Fernando Haddad, do PT.

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