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Escândalo

Volkswagen reconhece apoio à ditadura militar no Brasil e vai indenizar vítimas

Historiador independente apurou responsabilidades da montadora. Conclusão é que empresa espionou funcionários e ajudou o regime militar a reprimir manifestações

  • Da Redação
 | Paul J. Richards/AFP
Paul J. Richards/AFP
 
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A montadora alemã Volkswagen negocia, através de sua filial brasileira, indenizações a vítimas da ditadura militar (1964-1985) no Brasil. As informações são da Agência EFE. “A Volkswagen reconhece sua responsabilidade moral pelas injustiças ocorridas durante a ditadura militar no Brasil. A Volkswagen do Brasil negocia de forma construtiva com vítimas da ditadura e com o Ministério Público brasileiro”, disse um porta-voz da Volks à agência. Ainda não confirmação sobre a quantia a ser paga.

O historiador Christopher Kopper, contratado pela empresa alemã para averiguar responsabilidades da montadora durante o regime militar no Brasil, deve apresentar resultados do seu estudo em meados de dezembro no Brasil com representantes de alta categoria do grupo Volkswagen.

Leia também: Exclusivo – espiões da ditadura agiram para modificar Constituição de 1988

No final de fevereiro de 2015 a Comissão da Verdade começou a investigar a participação da Volkswagen e de outras empresas na repressão a pessoas que faziam oposição à ditadura. Vários ex-funcionários da montadora denunciaram ter sido espionados por seus superiores por ordem dos militares que governavam o país.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo em julho deste ano, Kopper confirmou que a multinacional colaborou com os órgãos de repressão do país. Mais de cem pessoas foram prejudicadas pela ação da empresa, seja por causa de tortura, seja simplesmente perdendo o emprego. Nomes de funcionários foram delatados ao regime militar.

Kopper constatou que a colaboração ocorria de forma “regular” e a cúpula sabia. “O departamento de segurança atuou como um braço da polícia política dentro da fábrica da Volkswagen”, disse Kopper, pesquisador da Universidade de Bielefeld.

Até Lula aparece nos informes

De acordo com Kopper, listas circulavam pelo ABC paulista no início dos anos 1980 com o nome de funcionários que tinham sido demitidos por terem feito parte de greves em alguma das empresas da região. “Eram espécies de ‘listas negras’ e quem estava ali dificilmente encontrava emprego”, disse o historiador.

Segundo Kopper, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também aparece nos informes. Entre 1979 e 1980, documentos da Volkswagen enviados ao regime militar falavam sobre os discursos de Lula como sindicalista. “Muitos daqueles que faziam parte do movimento sindical trabalhavam na empresa e seguiam a liderança de Lula”, disse. “Eventos como esses, portanto, eram relatados ao Dops”, afirmou o historiador alemão.

No Brasil, a Comissão Nacional da Verdade já havia apontado o envolvimento da Volkswagen na doação de 200 veículos aos militares.

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