Quinta-feira, 09/09/2010
Os arquitetos Bernardo Richter, Fernando Lacerda e Pedro Tavares, da esquerda para a direita, com as representantes da Associação São Roque, Helena Holdefer, Anna Fuck e Maria Pilatti, observam o projeto feito voluntariamente pelo escritorio para a entidade beneficente
Prática do voluntariado é bem vista pela sociedade e pelas empresas, mas ainda conta pouco em processos seletivos. Valorização da prática pode transformá-la em diferencial competitivo no futuro
10/06/2009 | 00:10 | Luís Celso Jr.Segundo a psicóloga Fabiana Morgado Gabrilli, diretora de projetos do Grupo Foco – empresa que atua com recrutamento e seleção em todo o país –, o trabalho voluntário no currículo pode até chamar a atenção do empregador, mas não é um item decisivo para a contratação. “Isso é investigado no candidato, mas não influencia a decisão final. O trabalho voluntário não tem peso compensatório numa seleção. Não adianta ter um bom histórico nesse aspecto e pecar na formação profissional ou na experiência”, explica.
Central em Curitiba encaminha interessados
Mesmo quando existe um interesse sincero em participar de projetos de voluntariado, há ainda mais uma barreira: é preciso saber onde atuar como voluntário e quais as organizações idôneas. Ajudar nessa relação entre o profissional e a organização que vai receber o trabalho é uma das funções do Centro de Ação Voluntária de Curitiba (CAV), que encaminha profissionais para as vagas de trabalho voluntário cadastradas em seu sistema de dados.
Para participar, basta entrar em contato com o centro e assistir a uma palestra de orientação. Logo após será feito o relacionamento com a organização. Ambos os lados – entidade e voluntário – são assistidos pelo CAV durante o processo. “Em breve vamos implantar novidades, como um sistema on-line para consultas de vagas e um acompanhamento mais próximo no dia-a-dia do voluntário. Também estamos participando da implantação da rede nacional de voluntariado”, conta Juara de Almeida Ferreira, diretora do CAV de Curitiba, que também é voluntária.
Serviço:
Centro de Ação Voluntária de Curitiba. Rua Ébano Pereira, 359 – Centro. Mais informações no telefone (41) 3322-8076 ou no site www.acaovoluntaria.org.br.
Para ela, o país ainda está começando a pensar de forma socialmente responsável. “Hoje eu acho que esses conceitos estão sendo apenas introduzidos nas organizações, assim como o que acontece com a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente”, diz.
Opinião semelhante tem Ligia Coelho Martins, coordenadora do núcleo de responsabilidade e sustentabilidade do Instituto Superior de Administração e Economia (Isae) da Fundação Getulio Vargas. “Acho que aqui no Brasil o peso dado para o trabalho voluntário ainda é menor do que no exterior. Esse ano, por exemplo, a União Europeia está inserindo um novo modelo de currículo que já conta com o trabalho voluntário. Ainda não chegamos a esse ponto, mas essa valorização está crescendo muito”, explica.
Ainda de acordo com Ligia, várias organizações já estão incentivando internamente, entre seus funcionários, o voluntariado. E são essas que costumam dar um maior peso para a prática no processo de seleção. Para ela, mesmo que não seja um critério de seleção, a prática voluntária traz diversos benefícios para o candidato e pode contar como experiência profissional. “As organizações vão olhar para o item no currículo e ver o quanto aquela experiência pode ser útil para elas”, completa.
A sociedade em geral também já começa a valorizar esse tipo de atuação, o que pode trazer outros tipos de benefícios. Foi o caso do arquiteto Pedro Amin Tavares, de 24 anos. Formado em 2007, ele e mais dois sócios abriram um escritório que foi procurado para desenvolver o projeto das novas instalações da Associação Beneficente São Roque. “Fizemos sem pensar em um retorno. O terreno foi cedido, mas a associação não tinha dinheiro para o projeto, que custaria cerca de R$ 15 mil”, conta Tavares.
O projeto foi apresentado para empresários e outros colaboradores durante o jantar comemorativo de 20 anos da organização. A visibilidade, conta o arquiteto, ajudou a conquistar outros clientes. “Foi no jantar que vi a grandeza do que a gente tinha feito. Nos sentimos muito bem por ter ajudado. Vimos o quanto foi importante para eles e prazeroso para nós”, conta.
A gerente administrativa da São Roque, Helena Holdeser, 31, conta que a organização, que trabalha principalmente com a população de baixa renda de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, está em instalações precárias. “Os meninos chegaram a um projeto maravilhoso, não cobraram nada e fico feliz que tenham feito contatos importantes”. Agora, com o projeto em mãos, a associação busca patrocínio para a construção.
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