Na ânsia de criticar Temer, Fernando Haddad perde a chance de ficar calado em comissão do Senado

Na ânsia de criticar Temer, Fernando Haddad perde a chance de ficar calado em comissão do Senado O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

Michel Temer está longe de ser o presidente dos sonhos de muita gente. Talvez só dos petistas, que o escolheram duas vezes para ser vice de Dilma Rousseff. Mas aqueles que deveriam embalá-lo por terem-no parido como o segundo nome na hierarquia político-administrativa do país agora o acusam de tudo e mais um pouco, como se Temer fosse um antes do impeachment e outro depois. Em debate sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), ocorrido na manhã desta terça-feira (12) na Comissão de Desenvolvimento Rural e Turismo do Senado Federal, o ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, criticou a proposta orçamentária que o governo federal enviou ao Congresso Nacional. Haddad definiu o que chamou de desmonte da educação brasileira como um crime de lesa-pátria e disse que deixar faltar dinheiro nessa área estratégica ao desenvolvimento humano e social do país impacta diretamente no futuro das pessoas e da nação.

O ex-prefeito paulistano, tido como plano B do PT para a disputa presidencial de 2018 caso Lula fique inelegível, perdeu uma excelente chance de dizer – ou no mínimo de ficar calado – que lesa-pátria foram os responsáveis pelo roubo de bilhões de reais dos cofres públicos – os mesmos que financiam a educação – durante os 13 anos de governos petistas. Pena, porque Fernando Haddad representa um sopro de modernidade no partido mais desgastado e desmoralizado da história republicana brasileira recente.