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Rodrigo Constantino
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A velha política adotada pelo PT dá fôlego a Dilma, mas não a salvará do impeachment

As criaturas do pântano lutam contra o progresso institucional brasileiro.

As criaturas do pântano lutam contra o progresso institucional brasileiro.

O Brasil cansa, e os brasileiros decentes estão cansados, muito cansados da política nacional. Os antigos métodos clientelistas foram colocados em prática pelo PT em patamar nunca antes visto neste país. O que vemos hoje é um confronto entre o Novo e o Velho, entre aqueles que desejam criar uma verdadeira República pela primeira vez na história brasileira, e aqueles que lutam desesperadamente para preservar privilégios, tetas estatais, o Antigo Regime.

Vários artigos publicados hoje nos jornais apontam na mesma direção, trazem mensagens parecidas que ilustram esse conflito entre quem deseja modernizar nossa política e quem só pensa em permanecer no poder, mamando no estado. Abaixo, trechos desses artigos, que retratam a principal batalha em curso no Brasil de hoje.

Denis Rosenfield, no Estadão:

Em todos esses anos petistas, o PMDB, apesar de seus problemas, tem sido um poderoso fator de estabilidade institucional e de moderação política, impedindo excessos político-sociais e advogando pela unidade do país. E se adotou esse rumo, isto em muito se deve à atuação de seu presidente, Michel Temer, também vice-presidente da República. Note-se que, sob a sua liderança, o partido conseguiu conciliar suas desavenças internas, mantendo-as sob controle. Publicamente, o partido sempre tem aparecido unido, procurando resolver seus problemas internamente. Foi, neste sentido, particularmente bem-sucedido, ganhando credibilidade e legitimidade.

Ora, o que fez a presidente da República? Resolveu implodir essa união, como se ela devesse dar agora as cartas. Passou literalmente por cima do presidente do partido e decidiu estabelecer uma negociação direta com o deputado Leonardo Picciani, representante do baixo clero, em particular carioca. O recado dado foi o de que o deputado não mais deveria passar pelo seu presidente partidário e vice-presidente da República, passando a falar diretamente com ela. A presidente decidiu por seu vice de lado, apesar de declarações públicas de apreço. Alienou um aliado decisivo!

Ficou, agora, refém desta ala particularmente fisiológica do PMDB, não tendo mais nenhum escudo. Será obrigada a fazer a política miúda, aquela que diz desprezar. E o fará sem nenhum anteparo. De imediato, teve de engolir suas indicações para o Ministério, entre elas a da Saúde. Observe-se que o partido teria nomes qualificados para essa pasta, como os dos deputados Osmar Terra e Tarcísio Perondi, ambos médicos, entre outros. Evidentemente que a escolha não poderia, dadas as condições existentes, recair sobre eles.

Paulo Guedes, no GLOBO:

O governo recupera o fôlego com cargos e verbas para o PMDB e o fatiamento das investigações do Petrolão. As práticas fisiológicas no Legislativo e as manobras de abafamento das investigações e de influência sobre os julgamentos no Judiciário são a essência da Velha Política. As sugestões de Sarney a Lula para escapar do mensalão foram repassadas e finalmente ensaiadas por Dilma Rousseff. A cooptação parlamentar e a perspectiva de ajuste fiscal compram tempo e acalmam os mercados.

A má notícia para o governo é que o fôlego de suas manobras pode se revelar curto. Pois têm dimensões oceânicas os vagalhões da crise atual. As irresponsáveis pedaladas fiscais vão a julgamento pelo Tribunal de Contas da União. As suspeitas de irregularidade no financiamento da campanha presidencial serão avaliadas pelo Tribunal Superior Eleitoral. Os pedidos de impeachment serão celeremente encaminhados pelo presidente da Câmara dos Deputados, indignado com as acusações de malfeitos milionários, cuja coordenação e vazamento são por ele atribuídos aos responsáveis por malfeitos bilionários.

O principal obstáculo às táticas anacrônicas e desmoralizantes do governo é a dinâmica de comunicações de uma sociedade aberta em evolução. Pois o fisiologismo dos parlamentares e a cumplicidade do Judiciário são apostas contra o inevitável aperfeiçoamento de nossas instituições. Ignoram a voz das ruas. A opinião pública já tem a desconcertante percepção de que o establishment trabalha de fato pela impunidade. Quando Dias Toffoli, em defesa do fatiamento no Supremo Tribunal Federal, perguntou se existia apenas um juiz no Brasil, deveria perceber que o entusiasmo da opinião pública pelo desempenho de Sérgio Moro sugere atordoante resposta: “Competentes e probos como ele, poucos.” Afinal de contas, são décadas de escândalos, roubalheiras e impunidade.

Aécio Neves, na Folha:

O arremedo de reforma ministerial que acaba de ser anunciado expõe ao limite máximo a constrangedora fragilidade da presidente da República e tem como principal efeito o adensamento da desqualificação da sua gestão à frente do país.

No momento em que o Brasil precisava de um gesto de desprendimento e coragem para fazer mais do que uma reforma, uma revolução gerencial, com intervenções profundas na estrutura governamental e a introdução de mecanismos inovadores em busca de eficiência e resultados, além de uma imperativa limpeza ética, o que se viu foi uma reforma marcada pela covardia e pela farta distribuição de nacos de poder, como se fossem mercadorias entregues àqueles que, de alguma forma, ameaçavam a permanência da presidente no cargo.

Ou alguém em sã consciência pode acreditar que a escolha dos novos ministros – para ficar apenas nas duas pastas mais relevantes – teve como objetivo melhorar a qualidade da saúde pública oferecida aos brasileiros ou colocar de pé a falaciosa “pátria educadora”?

O parto de uma República que mereça tal nome não será jamais indolor. Afinal, não se constrói uma nação sem luta, sem uma elite disposta a liderar um processo de amadurecimento institucional. Os anos todos de governo petista tiveram um custo enorme para o país, afundaram a economia, banalizaram a corrupção, degradaram os valores morais. Mas também serviram para despertar a população e unir boa parte do país em torno de interesses comuns, como o fortalecimento de nossas instituições.

Joaquim Barbosa e Sérgio Moro não se tornaram heróis por acaso. O Brasil estava carente de representantes do “bem comum”, contra uma patota que enxerga no estado somente um negócio lucrativo, para sugar até o último centavo dos recursos públicos. A “coisa pública” (res publica) havia sido totalmente substituída pela “cosa nostra”, típica de máfias. Como já disse, o PT não inventou nada disso; “apenas” levou o esquema ao estado da arte imoral.

Não aguentamos mais! O país está claramente dividido, não em proporções iguais, mas com desigualdade de forças, entre a maioria que quer mudanças profundas e a minoria encastelada no poder, lutando contra reformas estruturais e o avanço institucional. A “reforma ministerial” de Dilma pode lhe dar fôlego, mas não vai impedir seu impeachment, pois a pressão popular também conta.

Quando Joaquim Levy toma o partido das “forças do pântano”, demandando mais impostos ainda do trabalhador sofrido, por exemplo, ele escolhe o lado errado e age como inimigo do povo brasileiro, e sente essa pressão no dia a dia, em seu cangote. Os petistas não estão mais conseguindo frequentar restaurantes, pois atraem a fúria e a revolta dos presentes. O gigante acordou?

A “neutralidade” não é mais uma opção. Chegamos a um ponto sem retorno. Daqui, ou vamos conseguir derrotar as bestas do Antigo Regime e construir, passo a passo, uma verdadeira nação, ou vamos afundar de vez no clientelismo fisiológico das republiquetas, como fizeram os países sob o bolivarianismo que o PT defende. Ou vai, ou racha! Não há mais espaço – nem paciência, nem recursos – para a Velha Política. Chegou a hora do Novo!

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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