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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Bolsonaro vota de acordo com campanha petista e global pela saída de Temer, e é detonado por editor de direita

Os Bolsonaros votaram em coro com o PT e o PSOL contra Michel Temer. Bolsonaro e Maria do Rosário tiveram o mesmo voto. Para sua bandeira jacobina contra o “sistema”, apesar de estar há sete mandatos no Congresso e ter três filhos na política, tal voto faz sentido. Ele precisa manter a imagem de que é contra tudo e todos que estão aí. Eis o voto de Eduardo:

Por isso vai para um partideco “ecológico”, que poderá controlar como coisa sua, talvez mudando o nome para Prona, em homenagem ao caricato Dr. Enéas, conhecido pelo nacionalismo fanático e pelo grito de campanha: “meu nome é Enéas!”. A versão nova pode ser “Pelo grafeno e nióbio, meu nome é Bolsonaro!”. Eis a justificativa jacobina para o voto:

Com esse voto, Bolsonaro acumula apenas mais um que fere de certa forma os interesses do povo brasileiro, como quando foi contra a reforma da previdência. O deputado é bom de discurso do contra, mas pelo visto ainda está muito longe de ações efetivas em prol de uma mudança sustentável de rumo no país. Ser contra a “corrupção” em abstrato é fácil; complicado é colaborar para o avanço do país. Não é questão de ter bandido preferido; mas não dá para querer ser a única virgem vestial do bordel. Luciano Ayan condenou a postura do deputado:

O que o Bolsonaro deveria fazer? Simples. Declarar: “O Temer fica até o fim, e depois do mandato vai ser investigado sim. Não vamos antecipar as coisas só porque Janot e a escória do PT estão exigindo. Chola mais!”. Isso é o que alguém de direita deveria fazer. Mas não… o sujeito vai lá e dá o voto EXIGIDO pela bancada do PT, do PCdoB, do PSOL e da Rede. Clap, clap, clap….

Em seguida, acrescentou:

Dois grupos são coerentes politicamente nessa votação: a tropa do PMDB, DEM e centrão que votam por Temer, e a extrema esquerda que vota contra. Aquela molecada do PSDB e aquela direita true tipo Franciscini, Bolsonaro e Major Olímpio não demonstram um traço de coerência. Alguns tem muito o que aprender. Outros são caso perdido.

Já o editor Carlos Andreazza, legítimo conservador, detonou o oportunismo e o militarismo do potencial candidato a presidente hoje em seu programa na rádio Jovem Pan, de forma bastante dura. Andreazza, que disse ter lastro e cultura para se afirmar um conservador, questionou qual lei Bolsonaro apresentou para apontar o país à direita no Congresso. Bolsonaro faria proselitismo com a pauta de costumes, que é necessária mesmo, mas o editor não vê ação concreta em prol dela.

Sei que qualquer crítica ao “mito” é logo motivo de desespero, chilique, histeria e muitos, muitos ataques pessoais, xingamentos e lembranças de debate com Ciro Gomes (alguém que, no fundo, desperta alguma simpatia nessa gente, talvez por não ser tão diferente assim do “messias”, com seu estilo machão coronelista de “falo e acontece”). A Gazeta fez uma matéria sobre votos passados de Bolsonaro alinhados ao PT e até em Lula e logo entrou na lista negra dos inquisidores:

A tropa de choque conhecida como “bolsominions” nas redes sociais não perdoa. Mas o exemplo vem de cima: não há reação com argumentos, apenas com listas negras e “hall da canalhice”. Daqui a pouco não vai sobrar ninguém, só os mais fanáticos seguidores. É sempre “fora do contexto”, mas não parece incrível que Bolsonaro, de fato, tenha feito tão pouco nesse tempo todo dentro da política, e que tenha votado em várias ocasiões de forma no mínimo estranha para um verdadeiro conservador? Isso para não lembrar de quando ele considerava privatização um “crime de lesa-pátria”, que não faz tanto tempo assim…

Se é guerra, e se a guerra é basicamente contra o comunismo, o socialismo, o petismo, e mesmo o “fabianismo”, então a última coisa que um soldado deveria fazer nessa guerra é votar de acordo com o que deseja o PT e o PSOL, não é mesmo? Vai dar munição grátis assim para o inimigo? Ah, mas é preciso deixar claro que todos são iguais, ninguém presta, é tudo farinha do mesmo saco, pois só ele, o mito, o messias, será o salvador da Pátria, sozinho!

E sabe a quem essa narrativa mais interessa? Isso mesmo: aos piores, aos comunistas, aos petistas, aos bolivarianos, aos que defendem até hoje o modelo venezuelano e o cubano, aqueles que fizeram campanha pelo “Fora Temer” e que foram para casa do Caetano acompanhar o espetáculo, ou então que foram ao Congresso votar, o mesmo voto de Bolsonaro. Pensem, caros admiradores do Bolsonaro, que quando seu guru votou, Letícia Sabatella vibrou de felicidade, deve ter tido até orgasmos múltiplos. Assim não dá!

Um mínimo de pragmatismo deve ser exigido de quem pretende, efetivamente, ajudar o Brasil a sair da lama vermelha. Mas talvez o deputado não tenha isso como real objetivo, e sim sua própria carreira (ainda resta algum filho para entrar na política? A filha é muito novinha, parece…).

Chega de tanta ingenuidade, e chega de monopolizar as intenções, como fazem os petistas. Não é patriota apenas aquele que idolatra Bolsonaro. Talvez seja até o contrário: se é para votar com o PT, de que adianta tanto discurso oposicionista?

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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