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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Brahma e Rainha da Banânia no "volume morto"

Dilma rainha

Dilma mudou. Muda de acordo com as circunstâncias, em uma eterna metamorfose ambulante cuja fada madrinha é João Santana. Sai a gestora competente e centralizadora, a “Mãe do PAC”, e entra a Mr. Magoo, aquela que não enxerga um palmo à frente e é enganada por todos os seus subalternos de confiança. Sabe aquelas “pedaladas fiscais”, que o TCU pede explicações? Pois então: tudo obra de Arno Augustin.

Qualquer brasileiro que não hibernou nos últimos 4 anos – e vale para aqueles que não ficaram o tempo todo ou em Paris degustando caviar ou jogando “pelada” no Recreio – sabe que Dilma era a tomadora de decisões no governo. Economista (de)formada pela turma da Unicamp, arrogante ao extremo, Dilma era conhecida por seus arroubos autoritários que faziam ministros até caírem no choro.

Mantega? Figura decorativa, posto lá, ainda na época de Lula, não por ser autônomo e forte, mas justamente por ser fraco. Alexandre Tombini? Idem. Dilma jamais aceitaria um presidente do Banco Central com cujones para subir a taxa de juros contra seus desejos. Arno Augustin? A mesma coisa: um secretário de confiança, leal, disposto a assumir oficialmente as trapalhadas feitas por Dilma.

Mas a fada madrinha mexeu sua vareta, e a centralizadora arrogante está como Mr. Magoo, andando pelo Palácio do Planalto sem causar maiores acidentes por milagre, por sorte divina, uma vez que é incapaz de enxergar o que se passa ao lado. É a tese que o governo já tenta fabricar, e ver se cola entre a turma chapa-branca da imprensa, já que Augustin teria assinado como o responsável pelas medidas conhecidas como “pedaladas fiscais” (em português mais claro e sem eufemismo, crimes).

Esse absurdo malabarismo foi o tema da coluna de Merval Pereira hoje. O jornalista questionou se Dilma é, agora, a Rainha da Inglaterra:

Quem diria, a mãe do PAC, a gerentona que tudo acompanha, que de tudo sabe, e dá socos na mesa quando desagradada, não passa de uma Rainha da Inglaterra, que nada sabe do que acontece em seu redor, de quase nenhum poder de decisão.

Pelo menos, é o que querem que a opinião pública acredite desta vez, quando estão em julgamento atos de seu primeiro governo Dilma considerados ilegais pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

O mesmo já acontecera na Petrobras, quando ela alegou que, como presidente do Conselho de Administração da estatal, fora induzida ao erro pelo então diretor Nestor Cerveró, que teria apresentado um relatório “técnica e juridicamente falho” para aprovar a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

A imagem da grande administradora, e ao mesmo tempo “mãe dos pobres”, foi criada pelo marqueteiro João Santana especialmente para Lula lançá-la candidata à sua sucessão em 2010.

[…]

Muitas das questões que estão sendo contestadas pelo TCU dizem respeito a programação financeira e contingenciamento, de competência privativa da Presidente da República. Portanto, chega a ser ridícula essa tentativa de transformar a Rainha imaginada pelo marqueteiro João Santana na Rainha da Inglaterra, sem poder de comando no governo.

Rainha da Inglaterra é um posto nobre, ocupado por mulheres discretas, porém firmes, que exercem o poder moderador numa monarquia constitucionalista próspera. Não, Dilma jamais seria a Rainha da Inglaterra. No máximo a Rainha da Banânia mesmo, uma líder tupiniquim com súditos analfabetos ou “intelectuais” que adoram Zizek misturado com Lacan, Marx e Foucault, numa salada indigesta que produz apenas crises estomacais.

E, ao lado da Rainha da Banânia, ninguém menos do que ele, o Brahma! Sim, era dessa forma que os “amigos” empreiteiros da OAS se referiam ao ex-presidente Lula. Difícil saber qual Brahma os colegas tinham em mente. A famosa cerveja nacional? Estranho, pois todos sabem que Lula gostava mesmo é de cachaça, antes de ficar multimilionário, e depois de vinhos caríssimos. Cervejinha? Não combina com o proprietário de triplex na praia que só viaja de jato particular por aí.

Ou seria ao Deus hindu? Mais provável, uma vez que era um deus criador e, em várias imagens, retratado com barba. Lula tem também o codinome “Barba”, como sabemos por Romeu Tuma Jr., e tinha o poder de criar sim, ao menos várias oportunidades de negócios para seus camaradas ricaços e corruptos. Pode ser ainda, como lembra uma leitura, uma menção ao slogan “número um”, associado à marca de cerveja, e uma indicação de quem estava no topo da hierarquia mafiosa.

Mas o fato é que tanto o Brahma como a Rainha da Banânia estão com suas batatas assando, a despeito de todo esforço louvável da fada madrinha. A carruagem voltou a ser abóbora. O sapatinho de cristal se estilhaçou, pois era de vidro vagabundo. E nem com todo o malabarismo do mundo João Santana tem sido capaz de ludibriar o povo brasileiro novamente. Segundo pesquisa do Datafolha, rejeição de Dilma chega a 65%, o mesmo nível praticamente de Collor antes do impeachment:

Fonte: FOLHA

Fonte: FOLHA

A máscara caiu, mas a Rainha e o Brahma ainda lutam desesperadamente para sobreviver. A nova tática do Brahma é a de sempre: se fazer de vítima. Lula disse que ele e Dilma estão no “volume morto”, e já andou espalhando que será o próximo alvo da Operação Lava-Jato, numa tentativa patética de se vitimizar se e quando Sergio Moro realmente estender os braços da lei até a captura do molusco gigante.

Lula, talvez o sujeito mais imoral que esse país já teve, tenta bancar ainda a oposição ao governo de sua criatura, a mesma que ele dizia, antes, ser ele mesmo, uma só pessoa. Para Brahma, Dilma não cria uma agenda positiva, não beija crianças nas ruas, não é mais populista como ele. Um momento: Lula não sabia que Dilma, de carismática, não tem nada? Ainda reclamou dos ministros dela, uma “desgraça”. O homem cria a quizumba toda e depois se faz de alienígena para livrar a própria pele? Esse é o Brahma!

Mas que a “oposição” não se engane: como dizia o jogador Yogi Berra, o jogo só acaba quando acaba. Essa pesquisa do Datafolha, que coloca Aécio Neves na frente com 35% de intenção de votos, não pode gerar negligência, pois cochilou, o cachimbo cai. Ainda falta muito tempo até 2018, e ninguém pode subestimar o uso e abuso da poderosa máquina estatal na mão dessa gente indecorosa.

No mais, o que o povo brasileiro quer não é ver “apenas” o PT ser escorraçado do poder em 2018; quer ver os safados pagarem por seus crimes! Lula está de olho em 2018, claro, mas está preocupado com o presente também, pois teme ser preso. E Lula é como o Jason, do Sexta-Feira 13, aquele que nunca morre, que você jura ter visto afogado, enterrado, mas ressuscita e vem te atazanar mais uma vez. Com esses zumbis populistas não se brinca: estão aí a Argentina e a Venezuela para provar que a crise econômica, por si só, não garante nada.

É gostoso ver o Brahma e a Rainha da Banânia no “volume morto”? É alvissareiro ver pesquisas mostrando que caiu a ficha da imensa maioria da população? Sem dúvida. Mas ainda é pouco. O Brasil só voltará a respirar aliviado no dia em que essa turma do PT for apeada do governo, e de preferência direto para o xilindró. Em frente, Moro!

Rodrigo Constantino

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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