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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Como uma vela em Berlim

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Por Theodore Dalrymple*

Um instante já foi definido como o tempo entre um sinal de trânsito ficar verde na Cidade do México e a buzina do primeiro carro tocar, mas agora poderá ser definido como o período entre um ataque terrorista numa cidade do Ocidente e a primeira aparição pública de uma vela. Todo ataque terrorista, incluindo o último em Berlim, é imediatamente sucedido por uma exibição pública de velas acesas. É quase como se a população tivesse um estoque delas pronto para esse propósito.

O que eles glorificam com essas velas? Nós estamos todos acostumados às luzes de velas em igrejas católicas, mas Berlim não é uma cidade católica e, como quase todas as capitais ocidentais, não é particularmente devota de qualquer religião. Suas feiras natalinas pertencem mais a uma tradição folclórica do que a uma fé real. É provável, na verdade, que as pessoas cujo primeiro impulso é acender velas tenham orgulho da sua falta de fé religiosa. Por outro lado, alguns deles dizem que não são religiosos mas espiritualizados.

A razão, eu suponho, que faz com que tantas pessoas se digam espiritualizadas e não religiosas é que ser espiritualizado não impõe qualquer disciplina a elas, ao menos nenhuma que elas não optem por assumir. Ser religioso, por outro lado, implica na obrigação de observar regras e rituais que podem interferir de maneira incômoda na rotina diária. Ser espiritualizado-mas-não-religioso dá a você aquele conforto, aquele sentimento interior, algo como tomar um uísque num dia frio, e reafirma a você que há algo mais na vida – ao menos, algo mais para a sua vida – do que seus olhos podem ver, mas sem ter que interromper de verdade o fluxo do seu dia-a-dia. É a gratificação que vem com a religião sem os inconvenientes da religião. Infelizmente, como toda bebida muito diluída, não tem gosto.

As velas são a manifestação do paganismo moderno, uma sede de transcendência sem qualquer crença para acreditar. Elas são também uma espécie de símbolo de auto-felicitação por nosso temperamento pacífico, já que gente violenta não é muito conhecida por acender velas. Nós não conseguimos, por exemplo, imaginar Gengis Khan acendendo velas pelas almas que partiram (e não que a gente realmente acredite em alma). Mas qual o mal de se acender velas imediatamente após um massacre? Não contribui para o aquecimento global então Gaia não vai ser ferida. É uma maneira de nos expressarmos e auto-expressão é um bem absoluto, assim como falhar na auto-expressão é um mal absoluto.

É algo difícil de provar, mas eu imagino que todas essas velas servem de encorajamento exatamente para as pessoas que cometem os massacres que criam essas manifestações. Nós cortamos as gargantas deles, jogamos caminhões em cima deles e eles acendem velas. Eles não são moralmente superiores como costumam pensar sobre eles mesmos. Pelo contrário, são fracos, débeis, molengas, preguiçosos, vulneráveis, indefesos, covardes, chorões, decadentes. Contra este tipo de gente, estamos destinados a vencer. E não vai demorar.

Os terroristas estão errados, mas eles não são espertos ou grandes pensadores. Se você quer mais ataques terroristas, acenda uma vela.

* Publicado originalmente em City Journal, com tradução de Alexandre Borges

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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